Sagrada Família

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As festas de fim de ano nos colocam diante do presépio. Um casal de migrantes, rejeitado pelos moradores da cidade, se ajeitam como podem para deixar nascer seu bebê. Não é só o Natal, mas também a festa da Sagrada Família e também as leituras do evangelho da infância de Jesus, tudo isto nos faz contemplar o mistério dessa Família Santa. Motivados pelo Ano do Laicato, Maria e José aparecem como leigos, para nos fazer compreender o sentido deste ano todo especial. Não é sem razão que a Sagrada Família foi escolhida para simbolizar, no cartaz e no estandarte, o ano dedicado aos leigos.

 

Jesus era leigo?

Todos sabemos que Jesus é e será sempre o eterno sumo-sacerdote. Porém em sua vida terrena, não pertencia à classe sacerdotal. Nunca foi ministro do Templo. Era leigo, neste sentido. Pode sim, dentro da Sagrada Família, representar os leigos de maneira perfeita. Ele encarna o jovem, de família pobre, dedicado às coisas de Deus, seu Pai. E dedicar-se às coisas de Deus não significa estar ausente do mundo. Fiel à sua missão vai assumir seu papel na sociedade da época, com uma presença profética, transformadora, dedicada e responsável, até a morte. Foi chamado de “filho do carpinteiro”, porque de fato exerceu essa profissão.

Maria e José, leigos fiéis

Cartaz Divulgação

De Maria, aprendemos muito durante o Ano Mariano. Ela nos acompanhou em nossas celebrações e peregrinações. Peregrinando conosco, ela visitou escolas, presídios, repartições públicas, hospitais. Como leiga fiel, aprendemos com ela a ser serva perfeita do Pai. “Faça-se em mim” a vossa Palavra. Como mãe de família, é exemplo vivo para que leigos e leigas assumam a vida familiar como ambiente apropriado para o crescimento da fé, para alimentar o amor e as virtudes cristãs que serão depois partilhadas na Igreja e na sociedade. Leiga consciente e profética sabe denunciar a arrogância dos prepotentes e confia naquele que desbanca os poderosos para dar lugar aos humildes. E de José, podemos invocar o exemplo do pai perfeito, protetor de sua família, trabalhador justo, de oração profunda e compreensão obediente da vontade do Pai. Ninguém melhor do que este casal santo e seu Filho Santíssimo para nos acompanhar neste precioso Ano do Laicato.

 

 

Comemorar e crescer

São 30 anos passados desde o Sínodo do Laicato, que nos deu a clarividente Exortação “Christifideles Laici” pelas mãos do Santo Papa João Paulo II. A luz que brilhou para o Laicato desde o Concílio Vaticano II teve sua expressão pastoral nesta Exortação. Porém ainda estamos longe de compreender toda a riqueza de comunhão e partilha que deve existir entre o clero e os leigos. Há que clarear a riqueza da graça batismal que une a ambos. Favorecer a autonomia do Laicato, sempre em comunhão com os pastores. Um laicato maduro e presente na sociedade e no mundo não acontece sem intensa e comprometida formação para a missão.

Neste ponto quero acolher com muito entusiasmo e esperança a escolha feita em nossa Assembleia Diocesana deste último mês de novembro, de duas linhas principais de ação diocesana: a) um projeto diocesano de intensa formação do laicato, que deve envolver o clero e as lideranças, para chegar a todos os leigos e leigas; b) o abraço definitivo e comprometido do ideal missionário, internamente na diocese, e também junto às frentes missionárias do Amazonas (Missão Norte 1- Sul 1) e a Missão em Moçambique, onde teremos dois diáconos missionários. Que a Sagrada Família nos inspire e proteja.

Um Natal feliz e um Ano Novo abençoado a todos.

 

Dom João Bosco, ofm
Bispo Diocesano de Osasco
dbosco.org