Moçambique

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Missão em Pemba: As primeiras impressões 

No dia 06 de abril, às 15 horas, eis que desembarcava em solo moçambicano, com um coração disposto a ser surpreendido por Deus, e ao mesmo tempo curioso pelas surpresas que viriam. Ao sair da sala de desembarque, já sentimos uma primeira acolhida, pois lá estava Dom Luís Fernando Lisboa, Bispo Diocesano de Pemba, bem como alguns amigos sacerdotes, seminaristas e alguns leigos, que nos receberam com grande alegria.

Os missionários do Regional Sul1 receberam a bênção de envio em 18 de março, pelo Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos. Foto: Arquivo Pessoal (facebook)

Nossa acolhida continuou com um momento de interação com as danças típicas de Pemba, que fora realizado pelas meninas que são acolhidas pelas Irmãs Discípulas, um projeto belíssimo e encantador.

Em nosso primeiro domingo em Moçambique, o Domingo da Misericórdia, participamos da Santa Missa na Catedral de São Paulo Apóstolo, e na Celebração Eucarística foi impressionante perceber o quanto eles vivem a experiência do Mistério que perpassa a Liturgia, uma real e verdadeira participação. Ao longo da semana, participamos do Curso de Inculturação, oferecido pela Diocese, no qual pudemos conhecer mais sobre a realidade local em toda sua complexidade.

Tendo encerrado o curso no dia 13, foi o dia tão esperado de conhecer a Paróquia em que exercerei meu ministério diaconal: Paróquia Cristo Rei, em Metoro, que abrange todo Distrito de Ancuabe, tendo 54 Comunidades. As primeiras impressões foram as melhores possíveis, superando toda expectativa. No sábado tive o primeiro contato com os jovens da comunidade matriz, me acolheram com grande alegria e entusiasmo, participei com eles do ensaio de cantos, aqui cabe uma observação: eles têm a musicalidade entranhada na alma.

Domingo, Dia do Senhor, realmente Deus começou a revelar suas surpresas: Primeira Missa com a comunidade de Mahera. Fiquei emocionado durante toda celebração, as músicas realmente nos leva a Deus e nos conduz a oração. Contudo, o meu coração quase explodiu de alegria ao batizar 18 novos cristãos e assistir ao matrimônio de um casal.

Querido leitor, nestas breves linhas pude registrar algumas das inúmeras experiências que vivi durante os primeiros dias em Moçambique, para que vocês nos acompanhem. Peço que você possa realmente fazer parte deste maravilhoso Projeto Missionário desenvolvido pelo Regional Sul 1 da CNBB, participando com suas orações e contribuições, pois assim também estarás unido a nós anunciando Jesus Cristo e dilatando seu Reino de Amor.

Diácono Dênis Mendes – Missionário em Pemba

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Carla Dias foi a primeira missionária enviada para a Missão Pemba, projeto assumido pela Diocese de Osasco e que levará seis missionários para a África, por um período de dois anos. A missa de lançamento do projeto “Pemba: A África nos espera” aconteceu no dia 01 de outubro na Catedral Santo Antônio.

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Na entrevista concedida ao BIO – Boletim Informativo de Osasco, Carla fala das expectativas e realidade do trabalho de evangelização na África.

BIO: Como foi a sua caminhada cristã? Em quais paróquias, pastorais ou movimentos atuou?

Carla: Participo desde criança da “Matriz” Santo Antônio, hoje Catedral. Na época a Catedral era evangelizada pelos padres passionistas e desde então me identifiquei muito com essa espiritualidade, porque me ajudou a descobrir a Paixão de Cristo como a maior obra do Amor de Deus pela humanidade. Lá, recebi a primeira Eucaristia no ano de 1981 e fui crismada por Dom Francisco em 1987. Iniciei a atividade pastoral como catequista e depois descobri minha paixão pela Liturgia. Durante doze anos (1998-2010) exerci a missão de coordenar a Pastoral Litúrgica da Catedral. No ano de 2013 assumi a Pastoral do Batismo e deixei a coordenação em 2015 para seguir em missão para Pemba. Antes de retornar à Pemba nesse ano de 2016 organizei a Equipe de Acolhida para as Peregrinações à Porta Santa na Catedral.

 

BIO: Quando despertou em você o desejo de assumir a vocação missionária?

Carla: Conheço Dom Luiz Fernando desde minha adolescência. Quando da sua nomeação como Bispo de Pemba, ele me convidou para coordenar a Liturgia da sua Sagração Episcopal e então, durante os trabalhos de preparação daquela celebração e de modo particular durante a missa, senti um chamado muito forte para “sair em missão” colocando os meus dons a serviço de Deus e da Igreja na Diocese de Pemba. Fui discernindo os sinais que Deus foi me dando sobre se realmente esta era a Sua vontade. Também partilhei com meu diretor espiritual, Pe.Augusto Canali, que atualmente vive em Roma como Consultor Geral da Congregação Passionista, e com Monsenhor Claudemir, a quem sou imensamente grata por tudo que aprendi com ele durante os  17 anos de trabalho pastoral na Catedral.

 

BIO: O que seria uma missão ‘ad gentes’ e por que optou por ela?

Carla: Missão “Ad Gentes”é uma Missão “Para as Nações”, conforme o próprio Jesus assim convocou: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura!”(Mc 16,15). O Decreto Conciliar Ad Gentes promulgado pelo Papa Paulo VI em 07 de dezembro de 1965 apresenta um conteúdo profundo e é um dos documentos mais relevantes que resultaram do Concílio Vaticano II. Eu podia ter continuado a fazer isso na minha casa, no meu trabalho profissional e também na minha paróquia e nossa diocese. Mas, sentia também que podia ousar um pouco mais e, rezando sobre a Campanha da Fraternidade de 2015 a qual refletiu sobre o incentivo do Papa Francisco a uma “Igreja em saída” decidi assumir o desafio de cooperar na evangelização do povo de Moçambique com espírito de serviço e paixão missionária.

 

 

BIO: De quem partiu o convite para a Missão Pemba?

Carla: Durante os preparativos para a Sagração Episcopal de Dom Luiz, ele me falou das necessidades da Diocese de Pemba na questão da Economia e Administração e, como sabe da minha formação e experiência profissional nesta área, fez um convite para que eu pensasse em ajudá-lo de alguma forma a enfrentar os desafios que iria assumir como bispo. Depois, quando Dom João chegou em nossa diocese, partilhei com ele sobre o chamado de Deus que vinha sentindo e sobre o convite de Dom Luiz. Encontrei em nosso bispo uma receptividade enorme, além da disposição de iniciar um Projeto Missionário de cooperação entre as duas dioceses (Osasco e Pemba). A minha ida para Pemba como missionária foi o primeiro passo concreto desse projeto. Acredito muito que Dom Luiz e Dom João foram instrumentos de Deus para me chamar para esta missão.

 

BIO: Em algum momento sentiu medo de assumir a missão?

Carla: Sim. Em muitos momentos, desde o início do chamado até a hora de subir no avião. Existia uma incerteza, um medo do desconhecido, de não me adaptar, de fracassar, enfim, o tal “frio na barriga”. Mas, por outro lado, essa incerteza também me encorajava, porque acho que se eu não tivesse nenhuma dúvida é porque eu teria uma “ilusão” e não uma “vocação missionária”. Como diz o Papa Francisco: “Quando nosso Senhor quer nos dar uma missão, quando quer nos dar um trabalho, nos prepara…E esta é a diferença entre a missão apostólica que o Senhor nos dá e uma tarefa humana, honesta, boa… Quando o Senhor dá uma missão, Ele sempre nos faz entrar num processo, num processo de purificação, num processo de discernimento, de obediência, de oração”.

 

BIO: Quanto tempo você esteve na África? E qual trabalho desenvolveu na diocese?

Carla: Ao todo foram nove meses de missão. Durante o segundo semestre de 2015 assumi o Economato da Diocese de Pemba e capacitei as pessoas que administram os recursos da Diocese (Padre Ecônomo e o Conselho de Assuntos Econômicos), através da implantação de processos que auxiliam na gestão das receitas e despesas. Em julho deste ano de 2016 voltei a Pemba para realizar uma assessoria no Colégio Diocesano Dom Bosco, onde pude ajudar com algumas técnicas, controles e processos de gestão bem simples. Apresentei um relatório a Dom Luiz sobre aquilo que pode ser melhorado para aprimorar os resultados da Instituição. Antes de regressar a Osasco implantamos algumas ações e a Equipe Administrativa do Colégio irá dar continuidade a esse novo modelo de gestão.

 

BIO: Quais foram os maiores desafios enfrentados em Pemba?

Carla: Além da adaptação à cultura e ao clima, a grande diferença em termos de realidade.  Embora Pemba seja a capital da Província (Estado) de Cabo Delgado, não pode ser comparada ao conceito de cidade que temos no Brasil. Ruas asfaltadas são pouquíssimas e a pobreza extrema da maioria da população está exposta em quase todos os locais por onde passamos diariamente. Há algumas dificuldades em relação ao abastecimento de água e energia elétrica, a internet às vezes fica indisponível, as opções de comércio e lazer são limitadas. A cultura é algo particular, que tem suas belezas, mas também coisas difíceis de serem aceitas. Devido a história do povo moçambicano, há uma certa rejeição por parte de algumas pessoas. Muitos ainda associam a presença de um estrangeiro com o domínio colonial de épocas passadas.

 

BIO: E o que nos conta de experiência positiva?

Carla: Tenho certeza de que Pemba está fazendo muito mais por mim do que eu posso fazer por eles. A lição mais importante que aprendi até agora foi a de viver e ser feliz com o essencial. Dar valor a um banho tomado, sabendo que o desperdício da água de hoje pode significar a falta de banho amanhã. A alegria das pessoas é contagiante, mesmo vivendo em condições precárias. Uma forte experiência de Deus na oração e no silêncio. Estar em missão na África é reinventar-se, é abrir-se ao dom do Espírito Santo que é o Entendimento de que há coisas que não podemos mudar, há outras que precisamos ter a coragem para mudá-las e de que precisamos da Sabedoria para discernir entre as duas.

 

BIO: Quais os avanços que a Diocese de Pemba já atingiu desde o início do projeto?

Carla: Quando cheguei em Pemba em junho de 2015 a situação do Economato da Diocese era bem difícil em vários aspectos, principalmente pela falta de informação para o Bispo sobre os registros das receitas e despesas, ausência de documentação e relacionamento com funcionários. Hoje o Economato está praticamente organizado e Dom Luiz tem acesso mensalmente a um relatório com todas as informações relativas às atividades econômicas da diocese. No Colégio Diocesano também foi implantado o sistema de controle das receitas e despesas para avaliação do resultado e, também, avaliação de desempenho dos funcionários administrativos e professores. O Diretor Administrativo recebeu um treinamento específico na área de Gestão Escolar e está aos poucos iniciando um processo de reestruturação do colégio.


BIO: Por que você motivaria outras pessoas a fazerem esta experiência missionária?

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Carla: Anunciar com a própria vida que “Deus é Amor e quem ama permanece em Deus”, na minha opinião, é a principal missão de todo batizado, onde quer que ele esteja. Mas, pode-se “avançar para águas mais profundas” onde a necessidade é maior, caso da África e da Diocese de Pemba. Mais do que fazer coisas, é necessário serpresença junto daquele povo, não excluir ninguém, dar testemunho de que nossas diferenças nos enriquecem e que somos todos irmãos em Cristo. Há muitas pessoas que ainda não ouviram a mensagem do Evangelho e nós que tivemos a alegria de receber esse anúncio da fé podemos e devemos colaborar para que Jesus se torne cada vez mais conhecido e amado. Nossa Diocese de Osasco é uma Igreja Particular viva, atuante e tão rica na diversidade de dons. Por que não partilhar isso com os nossos irmãos da Diocese de Pemba e abrir o coração para aprender também com eles?