Missão

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O Papa Francisco tem insistido, cada vez mais, no tocante de que sejamos uma “igreja em saída”. O apelo do papa é para que voltemos os olhos para os mais necessitados, para as famílias em situações especiais, assim como para as pessoas que se encontram afastadas da caminhada cristã.

Neste sentido, o COMIDI (Conselho Missionário Diocesano) juntamente com o COMISE (Comissão Missionário dos Seminaristas) realizou entre os dias 11 e 16 de julho, a Semana Missionária na cidade de Alumínio- SP. Também, leigos de diversas paróquias nos dias 15 e 16 ajudaram a concluir a missão. Foi um tempo de profunda alegria marcado pela fraternidade e acolhida das famílias, que com simplicidade e generosidade ajudaram a fortalecer a vocação dos seminaristas de nossa diocese.

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Seminaristas visitaram comércios da cidade, em Alumínio.

A programação da semana constou de oração e a leitura do evangelho, celebração penitencial, teatro, louvor com os jovens, benção do Santíssimo Sacramento, oficinas e procissão luminosa.

A missão evangelizadora da diocese teve continuidade com a Semana Bíblico-Catequética, que aconteceu entre os dias 17 a 21 de julho na cidade de Itapevi – SP, com a proposta de uma grande ação missionária: a Jornada Catequética. Durante a jornada, ocorrida de 22 e 23 de julho, os catequistas foram convidados a realizar visitas às famílias da cidade. Ao final, os catequistas declararam que se sentiram tocados pelo espirito missionário, com a vivência dos desafios da missão e com a realidade das comunidades.

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Pe. Miguel Angel durante homilia na Comunidade Jesus Bom Pastor

“Em alguns momentos nos preocupamos com quais palavras iríamos usar, mas na hora somos guiados pelo Espírito Santo para dizer as palavras certas para as pessoas. ‘Ide e fazei discípulos entre todas as nações’ (Mt 28,19), este pedido que foi feito por Jesus aos apóstolos não poderia ser mais atual. Nossa sociedade vive uma crise de fé, levar a palavra de Deus vem se tornando difícil, como foi possível perceber em nossa caminhada.” – relatou Mariana Correa da Silva, catequista da Paróquia São Judas Tadeu de Itapevi.

A partir destas experiências, a Diocese de Osasco pretende realizar missões contínuas de evangelização, abrangendo as seis regiões pastorais.

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Carla Dias foi a primeira missionária enviada para a Missão Pemba, projeto assumido pela Diocese de Osasco e que levará seis missionários para a África, por um período de dois anos. A missa de lançamento do projeto “Pemba: A África nos espera” aconteceu no dia 01 de outubro na Catedral Santo Antônio.

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Na entrevista concedida ao BIO – Boletim Informativo de Osasco, Carla fala das expectativas e realidade do trabalho de evangelização na África.

BIO: Como foi a sua caminhada cristã? Em quais paróquias, pastorais ou movimentos atuou?

Carla: Participo desde criança da “Matriz” Santo Antônio, hoje Catedral. Na época a Catedral era evangelizada pelos padres passionistas e desde então me identifiquei muito com essa espiritualidade, porque me ajudou a descobrir a Paixão de Cristo como a maior obra do Amor de Deus pela humanidade. Lá, recebi a primeira Eucaristia no ano de 1981 e fui crismada por Dom Francisco em 1987. Iniciei a atividade pastoral como catequista e depois descobri minha paixão pela Liturgia. Durante doze anos (1998-2010) exerci a missão de coordenar a Pastoral Litúrgica da Catedral. No ano de 2013 assumi a Pastoral do Batismo e deixei a coordenação em 2015 para seguir em missão para Pemba. Antes de retornar à Pemba nesse ano de 2016 organizei a Equipe de Acolhida para as Peregrinações à Porta Santa na Catedral.

 

BIO: Quando despertou em você o desejo de assumir a vocação missionária?

Carla: Conheço Dom Luiz Fernando desde minha adolescência. Quando da sua nomeação como Bispo de Pemba, ele me convidou para coordenar a Liturgia da sua Sagração Episcopal e então, durante os trabalhos de preparação daquela celebração e de modo particular durante a missa, senti um chamado muito forte para “sair em missão” colocando os meus dons a serviço de Deus e da Igreja na Diocese de Pemba. Fui discernindo os sinais que Deus foi me dando sobre se realmente esta era a Sua vontade. Também partilhei com meu diretor espiritual, Pe.Augusto Canali, que atualmente vive em Roma como Consultor Geral da Congregação Passionista, e com Monsenhor Claudemir, a quem sou imensamente grata por tudo que aprendi com ele durante os  17 anos de trabalho pastoral na Catedral.

 

BIO: O que seria uma missão ‘ad gentes’ e por que optou por ela?

Carla: Missão “Ad Gentes”é uma Missão “Para as Nações”, conforme o próprio Jesus assim convocou: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura!”(Mc 16,15). O Decreto Conciliar Ad Gentes promulgado pelo Papa Paulo VI em 07 de dezembro de 1965 apresenta um conteúdo profundo e é um dos documentos mais relevantes que resultaram do Concílio Vaticano II. Eu podia ter continuado a fazer isso na minha casa, no meu trabalho profissional e também na minha paróquia e nossa diocese. Mas, sentia também que podia ousar um pouco mais e, rezando sobre a Campanha da Fraternidade de 2015 a qual refletiu sobre o incentivo do Papa Francisco a uma “Igreja em saída” decidi assumir o desafio de cooperar na evangelização do povo de Moçambique com espírito de serviço e paixão missionária.

 

 

BIO: De quem partiu o convite para a Missão Pemba?

Carla: Durante os preparativos para a Sagração Episcopal de Dom Luiz, ele me falou das necessidades da Diocese de Pemba na questão da Economia e Administração e, como sabe da minha formação e experiência profissional nesta área, fez um convite para que eu pensasse em ajudá-lo de alguma forma a enfrentar os desafios que iria assumir como bispo. Depois, quando Dom João chegou em nossa diocese, partilhei com ele sobre o chamado de Deus que vinha sentindo e sobre o convite de Dom Luiz. Encontrei em nosso bispo uma receptividade enorme, além da disposição de iniciar um Projeto Missionário de cooperação entre as duas dioceses (Osasco e Pemba). A minha ida para Pemba como missionária foi o primeiro passo concreto desse projeto. Acredito muito que Dom Luiz e Dom João foram instrumentos de Deus para me chamar para esta missão.

 

BIO: Em algum momento sentiu medo de assumir a missão?

Carla: Sim. Em muitos momentos, desde o início do chamado até a hora de subir no avião. Existia uma incerteza, um medo do desconhecido, de não me adaptar, de fracassar, enfim, o tal “frio na barriga”. Mas, por outro lado, essa incerteza também me encorajava, porque acho que se eu não tivesse nenhuma dúvida é porque eu teria uma “ilusão” e não uma “vocação missionária”. Como diz o Papa Francisco: “Quando nosso Senhor quer nos dar uma missão, quando quer nos dar um trabalho, nos prepara…E esta é a diferença entre a missão apostólica que o Senhor nos dá e uma tarefa humana, honesta, boa… Quando o Senhor dá uma missão, Ele sempre nos faz entrar num processo, num processo de purificação, num processo de discernimento, de obediência, de oração”.

 

BIO: Quanto tempo você esteve na África? E qual trabalho desenvolveu na diocese?

Carla: Ao todo foram nove meses de missão. Durante o segundo semestre de 2015 assumi o Economato da Diocese de Pemba e capacitei as pessoas que administram os recursos da Diocese (Padre Ecônomo e o Conselho de Assuntos Econômicos), através da implantação de processos que auxiliam na gestão das receitas e despesas. Em julho deste ano de 2016 voltei a Pemba para realizar uma assessoria no Colégio Diocesano Dom Bosco, onde pude ajudar com algumas técnicas, controles e processos de gestão bem simples. Apresentei um relatório a Dom Luiz sobre aquilo que pode ser melhorado para aprimorar os resultados da Instituição. Antes de regressar a Osasco implantamos algumas ações e a Equipe Administrativa do Colégio irá dar continuidade a esse novo modelo de gestão.

 

BIO: Quais foram os maiores desafios enfrentados em Pemba?

Carla: Além da adaptação à cultura e ao clima, a grande diferença em termos de realidade.  Embora Pemba seja a capital da Província (Estado) de Cabo Delgado, não pode ser comparada ao conceito de cidade que temos no Brasil. Ruas asfaltadas são pouquíssimas e a pobreza extrema da maioria da população está exposta em quase todos os locais por onde passamos diariamente. Há algumas dificuldades em relação ao abastecimento de água e energia elétrica, a internet às vezes fica indisponível, as opções de comércio e lazer são limitadas. A cultura é algo particular, que tem suas belezas, mas também coisas difíceis de serem aceitas. Devido a história do povo moçambicano, há uma certa rejeição por parte de algumas pessoas. Muitos ainda associam a presença de um estrangeiro com o domínio colonial de épocas passadas.

 

BIO: E o que nos conta de experiência positiva?

Carla: Tenho certeza de que Pemba está fazendo muito mais por mim do que eu posso fazer por eles. A lição mais importante que aprendi até agora foi a de viver e ser feliz com o essencial. Dar valor a um banho tomado, sabendo que o desperdício da água de hoje pode significar a falta de banho amanhã. A alegria das pessoas é contagiante, mesmo vivendo em condições precárias. Uma forte experiência de Deus na oração e no silêncio. Estar em missão na África é reinventar-se, é abrir-se ao dom do Espírito Santo que é o Entendimento de que há coisas que não podemos mudar, há outras que precisamos ter a coragem para mudá-las e de que precisamos da Sabedoria para discernir entre as duas.

 

BIO: Quais os avanços que a Diocese de Pemba já atingiu desde o início do projeto?

Carla: Quando cheguei em Pemba em junho de 2015 a situação do Economato da Diocese era bem difícil em vários aspectos, principalmente pela falta de informação para o Bispo sobre os registros das receitas e despesas, ausência de documentação e relacionamento com funcionários. Hoje o Economato está praticamente organizado e Dom Luiz tem acesso mensalmente a um relatório com todas as informações relativas às atividades econômicas da diocese. No Colégio Diocesano também foi implantado o sistema de controle das receitas e despesas para avaliação do resultado e, também, avaliação de desempenho dos funcionários administrativos e professores. O Diretor Administrativo recebeu um treinamento específico na área de Gestão Escolar e está aos poucos iniciando um processo de reestruturação do colégio.


BIO: Por que você motivaria outras pessoas a fazerem esta experiência missionária?

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Carla: Anunciar com a própria vida que “Deus é Amor e quem ama permanece em Deus”, na minha opinião, é a principal missão de todo batizado, onde quer que ele esteja. Mas, pode-se “avançar para águas mais profundas” onde a necessidade é maior, caso da África e da Diocese de Pemba. Mais do que fazer coisas, é necessário serpresença junto daquele povo, não excluir ninguém, dar testemunho de que nossas diferenças nos enriquecem e que somos todos irmãos em Cristo. Há muitas pessoas que ainda não ouviram a mensagem do Evangelho e nós que tivemos a alegria de receber esse anúncio da fé podemos e devemos colaborar para que Jesus se torne cada vez mais conhecido e amado. Nossa Diocese de Osasco é uma Igreja Particular viva, atuante e tão rica na diversidade de dons. Por que não partilhar isso com os nossos irmãos da Diocese de Pemba e abrir o coração para aprender também com eles?

 

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Foto: Natália Pereira
Foto: Natália Pereira

Paroquiana da Catedral Santo Antônio, Carla Dias, recebeu de Dom João Bosco na última sexta-feira, 26 de junho,  o envio para uma experiência de missão na Diocese de Pemba, em Moçambique, na África durante seis meses.

Durante a tradicional Missa da Família, Dom João falou sobre o ardor missionário pedido por Papa Francisco. Ele lembrou que a Diocese de Osasco tem família do outro lado do oceano. Dom Luiz Fernando Lisboa, atual bispo de Pemba, foi ordenado em 2013, em Osasco, e em breve receberá a missionária Carla para colaborar na organização da estrutura administrativa da diocese.

Com a frase “Em tudo dai graças”, Carla falou aos fiéis, agradeceu sacerdotes, irmãs religiosas, sua família e todos que a apoiaram nessa missão.

O Projeto Missionário Pembra/África  prevê uma Pré Missão no período de Julho/2015 a Dezembro/2015. Nesse período será observada a realidade local nos seus aspectos pastorais e administrativos. A previsão inicial de duração do projeto é de dez anos, com formação de equipes missionárias a cada dois ou três anos.

 

Por Natália Pereira – Pascom Diocesana