Família

A formação abordou o amor na família à luz da exortação apostólica do Papa Francisco

Já há algum tempo, os sinais da crise no matrimônio são perceptíveis para os padres, religiosos e leigos. O sacramento, que para a Igreja é de extrema importância, vem sofrendo com os desafios que o mundo de hoje impõe.

Com o anseio de criar diretrizes e caminhos para as famílias viverem a alegria do amor e transmitir o desejo de que as futuras gerações continuem a cultivar os laços familiares, o Papa Francisco escreveu Amoris Laetitia: sobre o amor na família, publicada em português pela PAULUS Editora.

A obra reproduz integralmente a exortação apostólica pós-sinodal do Papa aos bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas, esposos cristãos e todos os fiéis leigos. Fundada nesses ensinamentos, a PAULUS Livraria da Raposo Tavares promoveu, no último sábado (15), o curso “O futuro da humanidade passa pela família”. O evento reuniu cerca de 60 pessoas e foi ministrado por Dom João Bosco, OFM, bispo da Diocese de Osasco e presidente da Comissão Episcopal Pastoral Vida e Família da CNBB.

O tema da formação foi retirado das palavras de São João Paulo II em sua exortação apostólica Familiaris Consortio, de 1981. De maneira clara e objetiva, Dom João buscou explicar os nove capítulos que compõem a Amoris Laetitia, considerando os principais pontos do documento como os desafios da família no mundo de hoje e a necessidade de prover uma educação adequada aos filhos, a fim de construir uma sociedade coesa e alinhada ao Evangelho de Jesus Cristo.

Diante da realidade das famílias nos dias atuais, Dom João ressaltou a importância de sermos uma Igreja em saída e missionária para acompanhar as famílias em suas particularidades e, por meio delas, chegar à humanidade ferida levando o remédio do Evangelho.

0 615

Após a breve exposição que tivemos em nossa Assembleia  diocesana de novembro, a partir da Exortação Apostólica do Papa Francisco, Amoris Laetitia, Sobre o Amor na Família, espero que todos tenham tido oportunidade de ler ou reler o próprio documento, estudá-lo nos diversos grupos e ambientes de nossa diocese. Há ali, de fato, um amplo horizonte evangelizador, tendo a família como caminho e oportunidade de realizar a sonhada conversão missionária que o Papa pede a toda a Igreja.

amoris-laetitia

Por graça da providência divina, o nosso 8º Plano Diocesano, em vigor, contempla bem a prioridade da família. Não será necessário modificá-lo para colocarmos em prática o apelo do Papa Francisco. As nossas assembleias recentes acompanharam o amplo debate dos Sínodos, de modo que abrem caminho para que todas as pastorais descubram e se envolvam com o cuidado das famílias.

Mesmo estando assim bem planejada a Ação Evangelizadora, restam algumas dificuldades muito grande: para que o plano escrito e aprovado na assembleia diocesana chegue aos lares, à prática das comunidades, há um árduo caminho a ser feito. E o mais demorado não é ler ou estudar, ou planejar estratégias. Demorado é o caminho da consciência para passar de uma igreja que espera os fiéis chegarem, para uma igreja missionária, que sai para encontrar os que não vêm; passar de uma igreja de  sócios remidos, para uma igreja solidária que busca e oferece amor e salvação a quem necessita.

Esta mudança de direção se chama “conversão pastoral”, e é essa a chave geral que liga e ilumina todo o edifício da Igreja que está no pensamento do Papa Francisco.

Para conhecer o pensamento e a proposta da Amoris Laetitia, insisto, devemos ler e reler o próprio texto, que é belo e envolvente. Mesmo depois de lido e relido sobram pérolas de grande valor a serem descobertas. É preciso estudar o documento em todos os grupos.

Por isso, mais uma vez eu retorno ao tema da família, numa perspectiva de ação pastoral. Tomo como ponto de partida quatro palavras, quatro verbos (verbos são palavras que nos colocam em ação). Esses quatro verbos, muito enfatizados pelo Papa Francisco são: acolher, acompanhar, discernir e integrar. Podemos dizer que esses verbos são o que há de mais original no caminho pastoral do pontificado do Papa Francisco e seus desdobramentos atingem toda a ação evangelizadora.

Vamos ter presente que a nossa Diocese caminhou muito à luz do 8º Plano, cresceram os grupos de Pastoral Familiar nas Paróquias, os movimentos familiares se envolveram, mas ao apresentar essas quatro palavras, gostaria que todos, todas as pastorais e movimentos, todos os serviços eclesiais se sentissem convocados a refletir e agir.

The Brooks family -- Joe, Desiree, Gabrielle and Alyssa -- pray after arriving for Sunday Mass at St. Joseph's Catholic Church in Alexandria, Va., Nov. 27. According to the first study of its kind, Black Catholics in the U.S. are highly engaged with their religion and parish life, more so than white Catholics. (CNS photo/Nancy Phelan Wiechec) (Nov. 29, 2011) See BLACK CATHOLICS Nov. 29, 2011.

Acolher: ninguém pode ser excluído do amor de Deus

É bonito observar nas nossas igrejas a alegria daqueles que fazem a Pastoral da Acolhida. Sorriso nos lábios, palavras de saudação, informações e outros cuidados. É como fazemos quando chega visita em casa, a acolhida é fundamental. A acolhida vai além do sorriso dirigido aos que já são da comunidade. Uma atenção especial deve ser dada a quem vem pela primeira vez, aos que vêm na ocasião dos sacramentos, ou porque perderam um ente querido. Lugar especial no coração da comunidade merecem aqueles que não são bem aceitos em outros ambientes, os que incomodam, sobretudo os mais pobres, os que se sentem rejeitados. Bem se vê que a Pastoral da Acolhida não deve ser feita só por um grupo uniformizado e sorridente. Deve ser feita por todos.

Dando um passo a mais: entendemos que a acolhida não é só esperar. É ir em busca, e quando se trata das famílias, é muito comum que nas horas de maior sofrimento (luto, conflitos, desemprego, filhos difíceis) a família de fecha, se afasta.. Aqui entra a pastoral missionária. É nas visitas missionárias que se vai em busca da ovelha perdida.

E ao encontrar quem está afastado, quem errou, quem está só, quem mudou de religião, quem criticou… não importa, acolher bem é não excluir ninguém. Todos devem ser acolhidos e amados.

Mas, e os divorciados, os recusados, os de comportamento errático, os maldizentes, os criminosos… até os criminosos? Sim, devem ser acolhidos porque para Deus, todos são filhos. Ele não exclui ninguém. Nós também não podemos excluir.

Acompanhar: juntos caminhamos mais longe

Claro que, ao acolher a todos, devemos apresentar-lhes o amor de Cristo de forma a que se aproximem da verdade, do ensinamento do Evangelho, inicia-se um processo de conversão. Quando se trata de famílias, nem sempre é fácil. Imaginem os jovens que estão há tempos afastados. Imaginem os que só querem batizar, mas não querem participação na igreja. Imaginem os casais fracassados que sentem vergonha ou mesmo foram ofendidos algum dia na igreja. Imaginem aqueles que estão presos no vício, na droga. Imaginem aqueles que nunca tiveram chance de aprender algo de religião. Não é de repente que encontram o caminho. Devem ser acompanhados, com delicadeza e persistência. O papa recomenda um acompanhamento “corpo a corpo”, com amizade e testemunho, investindo tempo e atenção, compartilhando a alegria do retorno à casa. Acompanhar os jovens em sua preparação para a futura vida familiar, acompanhar os casais nos primeiros anos de casamento, acompanhar as inevitáveis crises e dramas familiares, acompanhar os momentos de luto, de perda, e também os sucessos e alegrias. Ninguém cresce na vida cristã sozinho. Quando oferecemos nossa companhia, recebemos mais do que doamos.

Discernir: cada um tem uma história única

Ao acolher na Igreja e acompanhar as famílias em sua situação real, nem sempre encontramos famílias onde pai e mãe vivem pleno amor, na graça do sacramento, acolhendo os filhos com responsabilidade, numa verdadeira “igreja doméstica”. Por vezes falta algum desses elementos. Outras vezes a realidade das famílias contraria esse ideal proposto pela Igreja. A tarefa de quem acompanha a família se torna mais complexa: as situações são muito diversas. Nem tudo se resolve através das normas e princípios gerais. É preciso estudar caso a caso. No caso de haver conflito, ou mesmo uma separação, como acolher, como orientar? Que dizer aos filhos?

O Papa Francisco fala em discernimento. Esta palavra quer dizer ponderação, reflexão, procura do caminho mais adequado. Discernir não é julgar. Isso só Deus pode fazer. Quem acompanha uma família pode ajudá-la a questionar, se houve negligência, erros repetidos, se faltou esclarecimento, maturidade, se o caminho de Deus foi abandonado. Discernir é considerar todos os aspectos, levando em consideração o bem de cada um. Por vezes é necessário recorrer ao padre, para que ele oriente. Outras vezes há necessidade de profissionais para orientar a família. Para por em prática isso que pede o Papa será necessário formar melhor os casais da comunidade nessa arte do discernimento. As paróquias deverão ter um centro de atendimento às famílias que ajudem a discernir, nas possíveis emergências: a pastoral da escuta, a mediação de conflitos, atendimento psicológico, médico, jurídico, pedagógico. Há casos em que é possível a declaração de nulidade de um casamento que realmente não foi válido. Antes de fazer um processo de nulidade há todo um trabalho pastoral a ser feito, por pessoas que saibam orientar.  Há os casos mais tristes de violência doméstica, a dependência química, o cuidado dos doentes. Nossas comunidades têm profissionais dispostos a ajudar, ou orientar pessoas que se disponham a ajudar.  Que bom se pudessem contar com um centro de atendimento desses, para colocar seu saber a serviço dos irmãos que necessitam. Novamente, esse atendimento às famílias supõe competência, tempo e doação pessoal. O próximo Sínodo terá como tema “O jovem, a Fé e o discernimento Vocacional”. O Papa quer que Igreja ajude e ensine os jovens a escolher seu caminho. Estaria o Papa sonhando demais ao pedir isso das nossas igrejas?

Integrar: há um lugar destinado por Deus para cada um

O discernimento das múltiplas situações, o acompanhamento cuidadoso das famílias deve levar, gradualmente, a essa última etapa que é a integração da família na vida da comunidade. Se a Igreja é uma família de famílias, cada uma delas deve se sentir participante. Nem sempre é possível integrar de imediato, mas mesmo às famílias em segunda união deverão se sentir participantes. Se não podem participar ainda dos sacramentos, podem participar dos benefícios da oração, da partilha da Palavra de Deus, os filhos podem integrar-se na liturgia, nos grupos de jovens, podem ser acolhidos na catequese, podem ajudar nos trabalhos comunitários, podem, sobretudo, dar o seu testemunho diante de tantas famílias que ainda não encontraram o caminho da participação na Igreja.

amoris-laetitiaNão há espaço para listar tudo o que se pode fazer para colocar em prática a Exortação Apostólica sobre o Amor na Família. Porém, tendo em vista o nosso 8º Plano Diocesano, apenas deixo algumas perguntas para os Conselhos de Pastoral, para os movimentos e para cada família:

– Nossas paróquias se sentem realmente convocadas a sair ao encontro das famílias? Há real acompanhamento das famílias dos catequizandos, das famílias que se preparam para o casamento, dos casais que vivem os primeiros anos de vida matrimonial, dos casais em crise, das famílias pobres? As famílias se sentem acolhidas e acompanhadas sem exclusão?

– Os movimentos e pastorais se unem em ações de conjunto em favor das famílias, ou só se ligam nas ações do seu próprio grupo, ou da sua espiritualidade?

– O cuidado das famílias não pode ficar restrito a um grupo de casais ou a um movimento. É tarefa de todos. Qual o papel da Pastoral Familiar nesse contexto de uma ação evangelizadora de toda a Igreja voltada para a família?

Se respondermos bem a estas questões, estaremos vivendo a sonhada “conversão pastoral”.

Dom João Bosco, ofm
Bispo de Osasco – SP

A Igreja celebra no mês de agosto o mês das vocações. A vocação para a família é uma das preocupações da Igreja que discutiu em dois sínodos as questões da vida familiar.

O bispo da diocese de Osasco (SP), Dom João Bosco Barbosa, Ofm, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Família da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) falou sobre a instituição familiar como importante núcleo de formação humana.

“O futuro da humanidade passa pela família, […] nesse sentido que a família recebe esse carinho todo da Igreja”, colocou.

 

0 637

O Brasil vai se encontrar ao redor da mesa, nos dias 15 a 21 de agosto, quando acontece o XVII Congresso Eucarístico Nacional, em Belém do Pará. Os olhos se voltam para esta região do Brasil, a Amazônia, para percebermos a sua beleza, sua gente corajosa e sofrida, sua fé e suas carências. No centro da mesa, no altar de Belém, estará o alimento forte e verdadeiro da Eucaristia, o corpo do Senhor e o seu precioso sangue. Consagrado e partilhado, este alimento deve comprometer-nos com a causa da evangelização. Vamos, todas as famílias do Brasil, onde quer que estejamos, viver esse acontecimento de graça e comunhão.

Os Congressos Eucarísticos acontecem periodicamente, em nível internacional, nacional ou nas Igrejas locais com a finalidade de celebrar publicamente o dom da Eucaristia, adorar e glorificar o Santíssimo Sacramento, e também para aprofundar o conhecimento, o estudo e a reflexão teológica sobre o mistério da Eucaristia, tão central na vida da Igreja.

Bispo congresso eucaristico

A Eucaristia contém, em síntese, ensinava o santo papa João Paulo II, o próprio núcleo do mistério da Igreja, pois o corpo e o sangue do Senhor, celebrado e consagrado em cada altar do mundo, realiza, de forma intensa e plena, a promessa de Cristo: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

A Igreja vê na Eucaristia não apenas um dom precioso dado por Cristo, entre tantos outros dons, mas vê nela o grande dom, o dom d’Ele mesmo, Cristo, em sua humanidade sagrada. É o próprio dom da salvação que acontece, não como lembrança de um fato passado, mas como presente vivo e atual da Redenção. Mistério de fé e de comunhão que acolhemos com todo o vigor do nosso entendimento e do nosso coração exclamando: “Todas as vezes que comemos e bebemos o Corpo e Sangue do Senhor, anunciamos sua morte, enquanto esperamos sua vinda!”.

A Eucaristia faz a Igreja, cria comunhão e educa para a comunhão. Celebrar, estudar, propor e propagar, fazer crescer a vida eucarística, aparar as deformações que vão se formando ao longo do tempo, nunca é sem propósito. Há muitos recantos por onde essa luz intensa ainda não passou, ou se apagou o seu brilho. Há famílias, mesmo entre os que fazem parte do corpo de Cristo pelo batismo, que não mais dão importância à participação eucarística. No mundo de hoje que oferece tantos atrativos, não poucos trocam a riqueza da Eucaristia por algum brilho efêmero e vazio. O trabalho estafante da semana empurra as pessoas ao refúgio dos sítios e locais de descanso: basta ver como ficam as nossas estradas na ida e na volta dos finais de semana. Pior ainda, quando mesmo estando presentes nas celebrações, uma compreensão reduzida e mal evangelizada do sacramento o faz banalizar como mera devoção, sem a percepção de que o mistério da Cruz e da Ressurreição está ali presente, sem compromisso nem consequências na vida dos que comungam, sem saber bem com que e por quê.

Há também que se buscar uma unidade e uma dignidade sóbria na celebração eucarística que, muitas vezes, vemos comprometida em situações nas quais a própria norma litúrgica é mal compreendida ou modificada por vaidades pessoais, extravagâncias e mutilações dos ritos prescritos a pretexto de atraente inovação. E sobre a instrumentalização do Santíssimo em sessões de cura, nem é bom falar. É certo que a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II trouxe grandes vantagens para uma participação mais frutuosa dos fiéis no santo sacrifício do altar, já dizia o santo papa João Paulo II, mas também é certo que há grupos que não a entenderam e não a aceitaram e querem a todo custo retornar ao passado privatizando, ao gosto de um grupo restrito, o dom que é de todos. São sombras que precisam ser dissipadas e o Congresso Eucarístico ajuda a esclarecer e iluminar.

corpus christiConvocando os fiéis a partilhar a Eucaristia em tão grande evento, a Igreja manifesta a sua unidade em Cristo, e ao mesmo tempo a rica diversidade de seus muitos rostos, provenientes de todas as realidades humanas do país, formando uma só família. O rosto da Igreja amazônica se fará brilhante, por ocasião deste Congresso Eucarístico. Serão lembrados os 400 anos da Evangelização da Amazônia, uma igreja heroica, pelas grandes dificuldades enfrentadas desde o início até o presente momento, por missionários que ali investiram toda a sua vida. Igreja de pobres a serviço dos pobres, pontilhada de mártires, que não tiveram medo de enfrentar poderosos interesses econômicos, nem um pouco preocupados por destruir o patrimônio natural da humanidade, nem a vida de povos indígenas e outros pobres, para arrancar seus lucros. O Evangelho ali formou nesses 400 anos um povo corajoso, fiel e santo, que agora nos convida, a todos os brasileiros, a se aproximar de Belém, nome doce do berço natal do Senhor, mas que por etimologia significa “casa do pão”.

A casa do pão, Belém, se faz então mesa Eucarística de toda a família brasileira. Eu estarei presente no Congresso Eucarístico, levando aos presentes uma reflexão sobre a Família e Eucaristia, especialmente com atenção à Exortação Apostólica Amoris Laetitia, onde o Santo Padre chama as famílias a conhecer e a viver a alegria do amor e da comunhão familiar e, explicitamente, menciona a eucaristia vivida em família como centro e fundamento da Igreja doméstica. A propósito da Família, muito se discutiu nos dois últimos anos, com dois Sínodos abrangendo um leque muito amplo de situações aflitivas e conflitivas, carentes de misericórdia e acolhida por parte da Igreja. Para muita gente, a questão principal tratada nos Sínodos foi a possibilidade de a comunhão eucarística ser permitida ou não aos casais em união irregular. Em pleno Ano da Misericórdia, um Congresso que quer viver e mostrar o indispensável vigor da Eucaristia, como remédio especialmente aos feridos e enfermos necessitados da força de Cristo, parece inevitável tratar dessa questão. E será tratada, por certo, em conformidade com os ensinamentos da Igreja, porém, como pede o Papa Francisco, com discernimento, delicadeza e paciência. De fato, a Eucaristia tem tudo em comum com o tema da Misericórdia, celebrada neste ano Jubilar. E a Misericórdia tem caminho amplo e necessário no âmbito da família, portadora de um sonho de Deus a ser realizado com paixão, amor e dor.

Convido a nossa família diocesana a sentar-se à mesa, nos dias do Congresso, e mesmo depois de realizado o Congresso, contemplando as luzes que dali virão a iluminar o nosso caminho de fé e de comunhão.

 

Dom João Bosco, ofm
Bispo Diocesano de Osasco

0 509

Aconteceu no Santuário de Aparecida, nos dias 21 e 22 de maio, a 8ª Peregrinação e 6º Simpósio Nacional da Família. O evento teve como tema: “Família e Misericórdia: se encontram no coração da Mãe”.

simposio peregrinação familias (1)A abertura foi feita por Dom João Bosco Barbosa de Sousa, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família (CEPVF), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Foram discutidos diversos assuntos como: o aborto, a promoção e defesa da vida, a situação de famílias feridas e fragilizadas e o acompanhamento de adolescentes e jovens. Outro tema abordado foi o Projeto Raquel – Um abraço da Misericórdia diante da experiência do aborto.

O projeto consiste em ajudar mulheres, independentemente de sua crença, a redescobrirem a esperança após o aborto, propondo um caminho de fé, compaixão e perdão. Mais informações podem ser obtidas no site www.projetoraquel.org.br ou pelo tel (11) 2579-4175.

As conferências foram ministradas por Dom João Bosco, Pe. Hélio Luciano (Arquidiocese de Florianópolis, Assessor Regional da PF – Sul 4 e coordenador da Comissão Nacional de Bioética) e Dom Wilson Tadeu Jönck (Arcebispo de Florianópolis/ SC, membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB).

O evento foi organizado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF).

A mesa foi composta por Dom João Bosco Barbosa, Dom Wilson Tadeu Jönck, Dom Emílio Pignolli – bispo emérito de Campo Limpo, Pe. Hélio Luciano, Roque Rhoden e Verônica Melz – casal coordenador nacional da Pastoral Familiar e Osmarina Baldon da Diocese de Santo André – coordenadora da Pastoral Familiar do Regional Sul 1.
O encerramento aconteceu no domingo com a Santa Missa no Santuário Nacional.

0 706

AMORIS LAETITIA“Gaudium” ou “Laetitia”, mais uma vez o Papa Francisco nos presenteia com uma visão positiva da vida cristã, seja na missão de evangelizar seja, agora, no cultivo da vida familiar.  A alegria condiz com o seu sorriso franco, com o louvor a Deus pelas maravilhas da criação, com a leveza com que se move diante das câmeras e dos microfones dos jornalistas que insistem em perguntar sobre crises, problemas, situações espinhosas e polêmicas. O tom alegre da Amoris Laetitia facilita a leitura, acende o diálogo, abre portas onde não havia, muda a própria imagem da Igreja, descartada pela cultura do mundo, porém agora recuperada com o prestígio do Papa, que agrada a todo o mundo.

Não vamos nos enganar, a linguagem simples e direta, típica do Papa Francisco, vem carregada de um sentido, novo e arejado. Trouxe surpresas? Sim, foi fiel às reflexões dos dois Sínodos, mas foi além. Sua abordagem pastoral é o mais surpreendente. Mas não trouxe surpresas para quem acompanhou as catequeses de quarta feira, as homilias e discursos que fez sobre o tema, no decorrer dos dois anos. Nenhuma novidade doutrinal, e até insistência na fidelidade ao ensino anterior da Igreja, com inúmeras citações. Sem surpresa para a grande imprensa que só identificou, sem novidade, “a tolerância do Papa com gays e divorciados”, e era o que queriam ver.

As lições de amor, do Papa Francisco, são o que há de melhor na exortação. Mas, sem dúvida, o que mais nos vai ocupar é o cuidado pelos que estão feridos, as fragilidades, os que estão em situação irregular. Podem comungar, ou não? O Papa responde com um convite ao acompanhamento pastoral, caso a caso, dizendo que ninguém pode ser excluído do amor maternal da Igreja. Acolher, tratar as feridas, usar o discernimento, integrar, prosseguir até o extremo da misericórdia, é essa a tarefa que vai pesar nos ombros dos pastores. É bem extenso e pormenorizado o capítulo do discernimento (a partir do n. 296) para que se evite a concessão de exceções e privilégios sacramentais, como também se evite a negligência e a recusa. “Os sacerdotes têm o dever de acompanhar as pessoas interessadas pelo caminho do discernimento, segundo a doutrina da Igreja e as orientações do bispo” (n. 300)

Os bispos, em Aparecida, trocaram ideias sobre a Amoris Letícia e até pediram que se definisse melhor essas questões, para evitar uma multiplicidade de interpretações subjetivas. Por outro lado, se o Papa mesmo não pensou em definir, por que o fariam os bispos? Observe-se, por exemplo, a sua expressão: “Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos” (nota 351). Que casos seriam esses?

Podemos supor, pelo claro propósito de fidelidade à disciplina da Igreja, que esses casos se referem àquilo que já a Familiaris Consortio, de S. João Paulo previu. No entanto, a Amoris Laetitia vai além, abre um horizonte novo e prático, justamente aí, para uma verdadeira ação pastoral que não aconteceu com a Familiaris Consortio que, pra muitos de nós, ficou só na estante ou na gaveta. Um grande e novo horizonte se abre para o cultivo do amor familiar. Estamos só começando a conhecer.

Dom João Bosco, ofm
Bispo Diocesano de Osasco