CNBB

O bispo de Osasco (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom João Bosco Barbosa de Sousa, apresentou ao Conselho Permanente, na manhã desta quinta-feira, 21, a proposta de texto sobre a Ideologia de Gênero.

A Ideologia de Gênero foi tema de debate entre os bispos do Conselho.

O documento, preparado pela Comissão com o apoio de estudiosos da área de Bioética e professores, apresentará citações do papa Francisco sobre o tema, considerações de documentos da Congregações para a educação católica e do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

Na primeira parte do texto em debate pelos bispos, dom Bosco ressalta o desejo de a Igreja “não abrir mão de defender os mais frágeis”. Na sequência, é proposta uma leitura acadêmica sobre os conceitos que estão por trás da chamada ideologia de gênero, além das consequências da disseminação desses conceitos. Ainda há sugestões de ações da Igreja diante dessa realidade em várias frentes, como a família, educação, juventude, comunicação e no campo político.De acordo com dom João Bosco Barbosa de Sousa, o texto terá um sentido pastoral e deverá ser oferecido nos moldes do subsídio sobre a recepção da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia, lançado no ano passado pela Conferência.

Dom João Bosco destacou a intenção de oferecer o documento às pessoas que “estão com a mão na massa”, como agentes de Pastoral Familiar que apontaram para a necessidade compreender a questão dessa ideologia.

O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, lembrou que o conselho havia apontado a necessidade de um pronunciamento da Conferência Episcopal a respeito do tema. E dedicou parte da segunda sessão da manhã desta quarta-feira para receber as contribuições dos membros do conselho. A votação do texto final deve ficar para a próxima reunião do Conselho Permanente.

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Reunidos durante a tarde da terça-feira, 20/02, os bispos que integram o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), atualmente formado pela presidência da entidade, presidentes das Comissões Episcopais Pastorais e presidentes dos regionais deram contribuições ao subsídio que está sendo preparado para ajudar as reflexões de grupos de base sobre as eleições 2018. A proposta do material segundo dom Leonardo, secretário-geral da CNBB é contribuir para a formação política das pessoas, assim como motivá-las a participar do processo político.

O material foi apresentado aos bispos nesta terça-feira (20/02)

A cartilha apresentada pelo secretário do regional Sul buscará na parte 1, no âmbito das preocupações, abordar a crise ética pela qual passa o sistema político brasileiro, corrupção, ameaças à democracia e os sinais de esperança. Na parte 2, a Igreja e as Eleições, serão abordados a contribuição da Igreja Católica na aprovação da Lei da Ficha Limpa (nº 135/2010) e o incentivo da participação dos cristãos leigas/as na vida pública e ainda a Lei 9.840/1999 contra a corrupção eleitoral.O subsídio, que está em fase de elaboração toma como exemplo a cartilha já confeccionada pelo regional Sul 2 da CNBB, que atualmente tem uma tiragem de cerca de 300 mil exemplares. De acordo com o secretário-executivo do regional, padre Mário Spaki, o subsídio do regional é elaborado numa linguagem simples, bem diagramado e conta com indicações básicas sobre o universo da política a partir do olhar da Igreja. O padre foi convidado a apresentar a cartilha aos bispos.

Na parte 3 do material, o regional Sul 2 trabalhará as Eleições 2018 e as alterações na lei eleitoral, bem como a definição da boa política e as principais funções de quem será eleito. Um outro aspecto a ser abordado neste material são as “Fake news”, falsas notícias, disseminadas no processo eleitoral.

Avaliação dos bispos

Na plenária, os prelados se reuniram para dar contribuições ao material que deverá ter abrangência nacional. Dom Valério Breda, bispo de Penedo, disse que o subsídio deveria colocar não só a política em evidência, mas a vida, a família e ter um olhar mais atento aos pobres. Dom João Carlos Petrini, bispo de Camaçari deu a ideia de o material conter relações com a Campanha da Fraternidade 2018, que tem como tema “Fraternidade e Superação da Violência” e busca promover entre outros aspectos, a paz.

O arcebispo de Diamantina e presidente da Comissão para a Comunicação, dom Darci Nicioli atentou para o fato de que todos estão dando visibilidade às eleições do executivo e esquecendo do legislativo que, segundo ele, é fundamental. Já o bispo auxiliar de Belo Horizonte, dom Joaquim Mol disse que é preciso que o material revalorize o papel da política. “Esse subsídio tem que ajudar as pessoas a reaver a esperança na política”, disse.

Após as contribuições feitas pelos bispos, o próximo passo é partir para a elaboração do texto, que deverá ficar pronto após a 56ª Assembleia Geral da CNBB, a ser realizada em abril. Além desse tema, os bispos discutiram ao longo do dia o cronograma da Assembleia, a realização do Ano Vocacional e a promoção de um debate com os presidenciáveis.

Arquivo CNBB

Entre os dias 28 e 29 de novembro, os bispos que atuam como presidentes das comissões pastorais da CNBB estarão reunidos em Brasília (DF) com a presidência da Conferência para mais um encontro ordinário do Conselho de Pastoral. Essas comissões cobrem as áreas principais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil: animação missionária, liturgia, bíblia e catequese, cultura e educação, ecumenismo, doutrina, comunicação, juventude, ministérios e vocações, ação social transformadora, vida e família e a do Laicato.

O Ano Nacional do Laicato, inclusive, será lançado pelo Consep no início do encontro esta semana. Pastoralmente iniciado na Solenidade do Cristo Rei, no domingo, 26 de novembro, os bispos farão um lançamento oficial na reunião desta semana. O Ano do Laicato  serrá celebrado até a Solenidade de Cristo Rei do ano que vem, à 25 de novembro de 2018. O tema escolhido para animar a mística do Ano do Laicato foi: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”, Mt 5,13-14.

Outros temas importantes da evangelização terão destaque no encontro do Consep. A reunião é realizada em rodízio com os encontros do Conselho Permanente da CNBB. Trata-se da última reunião do ano e os bispos só voltam ao ritmo normal de reuniões em fevereiro de 2018.

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Serão enviados os primeiros missionários para a Missão Pemba, na África. Na região amazônica darão continuidade ao trabalho, abrindo novas frentes de missão e sucedendo os que retornam.

«Todos são chamados a contribuir, cada um segundo as suas possibilidades e seus dons, para que o Evangelho seja anunciado por toda a parte e a formação missionária ocupe lugar na vida cristã». (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil,102, RM 83), Com este objetivo, a sede do Regional Sul 1 da CNBB, em São Paulo, acolheu na manhã desta segunda-feira, 06 de novembro, os interessados no Projeto de Ação Missionária e Cooperação Intereclesial que vão colaborar na missão evangelizadora na Amazônia e na África.

A reunião foi conduzida pelo Conselho Missionário Regional (COMIRE), em São Paulo (SP), que contou com a presença de dom José Luiz Bertanha, bispo da Diocese de Registro e referencial da Ação Missionária do Regional Sul 1 da CNBB; da equipe do Comire padre Everton Aparecido, Maria de Fátima da Silva, entre outros; pelo Regional Sul 1, o diácono Domingues ligado à área administrativa do Regional Sul 1 da CNBB.

Dentre os temas abordados foi dado destaque ao planejamento do Projeto para Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, preparo e envio de missionários para a Amazônia e além-fronteiras, divulgação de folder, vídeos, além de reflexão e partilhas sobre o trabalho que vem sendo realizado pelo Regional e equipe missionária e encaminhamentos.

Pe. Everton Aparecido, que acompanha os Projetos, ajudou com a reflexão destacando que esta ação missionária tem como objetivo sensibilizar, despertar a consciência missionária na Igreja do estado de São Paulo e mobilizar as diversas dioceses de todo o Estado e membros das Pastorais, Movimentos e Organismos presentes no Regional. “A presença missionária na Amazônia e na África, não é apenas de uma pessoa, de uma diocese ou de uma congregação religiosa, mas de toda a Igreja do Estado de São Paulo”.

Nesse sentido, o diácono Domingues, orientou os missionários, dando as devidas informações práticas e conhecendo melhor o local onde eles atuarão. Os candidatos presentes ao encontro ainda preencheram uma ficha cadastral.

O grupo de missionários, entre padres, diáconos, religiosos/as, leigas e leigos, serão enviados no início  do próximo ano para a Diocese de Pemba, em Moçambique, na África, nas cidades de Nangade, Metoro e Chiure, e Amazônia brasileira.  Na região amazônica darão continuidade ao trabalho, abrindo novas frentes de missão e sucedendo os que retornam.

A próxima Assembleia Anual do Comire será no dia 18 de novembro, na sede da Obra do Cenáculo Missionário em São Paulo.

Dentre os missionários selecionados que irão assumir um trabalho pastoral na diocese de Pemba, está Fernanda de Cássia Leal, da diocese de Mogi das Cruzes (SP). Ao final do encontro conversamos com ela.

Para ela, o intercâmbio que essa Missão oferece é enriquecedor. “ A transformação que sofremos no encontro com o outro e a mão amiga do missionário que se estende a quem clama por amor, faz com que como irmão vivamos o Reino de Deus que começa aqui”.  A jovem completa “ser missionário não se trata de possuir uma espiritualidade mais elevada, nem tão pouco, de ser salvador ou herói, mas de saber colocar-se à disposição, oferecer a vida em oferta, para que sejamos alento e sinal da esperança que vem Cristo, na vida de quem passa por nós”, conta Fernanda da Comunidade Nossa Senhora Rosa Mística da Paróquia São Maximiliano Kolbe na Diocese de Mogi das Cruzes.

O padre Adriano Ferreira Rodrigues, da diocese de Jundiaí, interior de São Paulo, que irá em missão para a África, em Metoro, conversou também conosco. Ele falou da alegria de receber esta nova missão.

“Estou bastante feliz e ansioso, sabendo que há um povo tão necessitado da Palavra de Deus e da vida do Evangelho. Já tive uma experiência na Amazônia e fiquei por cinco anos naquela região e agora enfrento mais este novo desafio, que não é um peso, mas realmente um convite de Deus, para experimentar a graça Dele, de uma maneira nova. Bastante feliz e contando com a oração de toda a Igreja para que isso possa ser feito segundo a vontade do Senhor e a luz do Espírito Santo”.

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Foto: CNBB

Formar leigos e leigas para ser sal e luz na Igreja e no mundo

O Ano do Laicato tem início na Festa de Cristo Rei, dia 26 de novembro, e a nossa Diocese prepara-se para uma solene e festiva celebração com todas as paróquias, no Ginásio de Esportes José Liberati, em Osasco, com missa, apresentações musicais e um ambiente bom de convivência e comemoração. Teremos durante todo o ano que se segue oportunidade de compreender o papel essencial dos leigos, a maior parcela da Igreja, encontrar caminhos para o crescimento e a ação consciente dos leigos na própria vida da Igreja e sobretudo na transformação do mundo. Leigos e leigas atuando na Igreja, tornam-na viva e participativa. Leigos e leigas com espírito missionário levam o Evangelho a todos os recantos da sociedade e do mundo. Leigos e leigas, maduros e bem formados transformam a vida familiar, a economia, a política, as artes, o lazer e o trabalho, enriquecendo essas realidades com os valores do Evangelho. Fazem do mundo o lugar do Reinado de Cristo. Tem sentido, portanto que este ano especial comece na Festa de Cristo Rei.

Um ano não é só um ano

A escolha de um tema e a proposta de um ano comemorativo não deve ser acolhido como algo passageiro. Tivemos há pouco o Ano Mariano, antes o Ano da Misericórdia, mais para trás o ano sacerdotal, o ano paulino, o ano da vida consagrada, e outros. Tudo passa e parece que pouco adianta dar importância a essas motivações. Não é bem assim. Essas ocasiões deixam marcas profundas. São como o nosso alimento: podemos esquecer o que comemos ontem, na semana passada ou há anos atrás. Porém isso nos alimentou e nos fortaleceu para o que somos hoje. Os leigos sempre tiveram importância na Igreja, porém, a partir do Concílio Vaticano II, ganharam visibilidade e força eclesial, surgiram as pastorais sociais, as comunidades de base, as pastorais da juventude e outras expressões importantes. Um Sínodo sobre a missão dos Leigos, teve como conclusão a Chirstifideles laici, exortação de São João Paulo II, da qual comemoramos 30 anos. Um Ano do Laicato deve dar continuidade a este grande caminho, e mesmo atualizar as propostas da Igreja para o Laicato para que seja mais efetiva a sua presença na Igreja e no mundo. Os frutos, portanto, não deverão se restringir a este ano, mas abrir-se para o futuro.

Mais que oportuno, essencial

O Ano do Laicato acontece em boa hora. Na Igreja atual, do Papa Francisco, recebemos preciosos impulsos: ele quer uma Igreja missionária e isso só pode acontecer se houver um laicato ativo. Outro impulso vem da Amoris Laetitia, a Exortação do Papa Francisco sobre a Família, que fala ao coração dos leigos. Famílias bem constituídas são sinal de um laicato consciente e bem formado.  Uma proposta feita pela CNBB, refletindo sobre a Missão e ministérios dos leigos resultou no Documento 105, que fez uma nova e atualizada síntese, da participação dos leigos e leigas na Igreja e no mundo, conforme foi pedido pelo Concílio. Mais recentemente ainda, a CNBB se debruçou sobre o tema da Iniciação à Vida Cristã, entendendo que o caminho para formar os leigos como discípulos missionários, com condições de entrar no coração do mundo levando as propostas do Evangelho, deve ser semelhante àquele dos primeiros cristãos: eram minoria, viviam num mundo adverso, eram perseguidos, mas tinham uma vida com Cristo tão , na comunidade da Igreja, que seu testemunho encantava até os corações mais duros, chegando a mudar a face do violento Império Romano. Precisamos de leigos assim.

Leigos respondendo às provocações do mundo

Os leigos perguntam se os Bispos não vão fazer um pronunciamento, um protesto, uma manifestação contra as ofensas que apareceram na mídia nas últimas semanas: ofensas a Nossa Senhora Aparecida, à Eucaristia, ao Crucifixo. E ainda sobre as obras ditas “de arte” que mostram a sexualidade humana deformada pela ideologia de gênero, imoralidades bizarras e até grotescas. Mais ainda, se não cabe um pronunciamento da Igreja sobre os desmandos políticos, a volta do trabalho escravo, a desesperança do povo diante das malas de dinheiro e a falta de remédios nos postos de saúde. Claro, tudo isso merece a consideração dos bispos e até mesmo houve um pronunciamento oficial da Igreja diante desses fatos que deixam a nossa gente indignada. Um simples protesto, ainda que seja da CNBB ou do Papa, pode acabar colocando mais lenha na fogueira, fazendo propaganda do erro e da mentira. Por isso a Igreja reage sempre com a necessária prudência. Mas, não resta dúvida, o meio mais eficaz de combater tudo isso, sejam os vícios da política, sejam as ofensas aos símbolos religiosos, sejam as questões sociais, passa pela formação constante de um laicato maduro e atuante, comprometido com a fé e com o bem social.

Iniciação combina com Ano do Laicato

A recente Assembleia das Igrejas de todo o Estado de São Paulo (Sul 1) juntou os dois documentos da CNBB: A formação mais profunda e comprometida de Leigos e Leigas resultará em cristãos maduros para atuar na Igreja e na sociedade. Ou o inverso: um itinerário de Iniciação à Vida Cristã desde a infância, passando pela catequese de adultos e chegando a um aprofundamento para os já iniciados, resultará em um laicato capaz de enfrentar a realidade da evangelização no mundo de hoje. O resultado dessa equação aponta para uma tarefa que deveremos assumir em nosso planejamento diocesano: estabelecer e colocar em andamento um projeto diocesano de iniciação e formação dos leigos para que sejam presença cristã no mundo. Já temos atividades de formação que são bem conduzidas: as semanas temáticas para os catequistas, para os ministros, a semana social, a atividade da Pastoral Familiar, a escola de Emaús, o estudo promovido pelos Movimentos, o Curso de Teologia Pastoral e a própria catequese infantil e juvenil… tudo isso pode ser estendido num projeto mais amplo que contemple retiros, cursos, material didático, programas para todas as etapas da vida, e as necessidades específicas de cada grupo de cristãos. Não deverá ser um projeto de curto prazo, mas progressivo, enriquecido pela realização do Ano do Laicato. Vamos abraçar esse caminho com força e dedicação.

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano de Osasco

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Motivados por acontecimentos recentes envolvendo a utilização de símbolos religiosos da fé católica em manifestações isoladas e exposições “artísticas”, os bispos que integram o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), elaboraram a mensagem ao povo brasileiro, divulgada em Coletiva de Imprensa, realizada na sede da entidade, dia 26/10.

No documento, os bispos reconhecem que “em toda sua história, a Igreja sempre valorizou a cultura e a arte, por revelarem a grandeza da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, fazendo emergir a beleza que conduz ao divino”.

Contudo, recentemente, a mensagem destaca que “crescem em nosso meio o desrespeito e a intolerância que destroem esta harmonia, que deve marcar a relação da arte com a fé, da cultura com as religiões. Se, por um lado, a arte deve ser livre e criativa, por outro, os artistas e responsáveis pela promoção artística não podem desconsiderar os sentimentos de um povo ou de grupos que vivem valores, muitas vezes, revestidos de uma sacralidade inviolável”.

Integram o Conselho Permanente da CNBB, a presidência da entidade, os bispos presidentes das Comissões Episcopais Pastorais (Consep) e os bispos presidentes dos 18 regionais da CNBB.

Confira, abaixo, a íntegra do documento.

MENSAGEM DA CNBB MENSAGEM DA CNBB

Vencer a intolerância e o fundamentalismo

“E Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom”  (Gn 1,31)

Os bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunidos em Brasília de 24 a 26 de outubro de 2017, dirigem esta mensagem ao povo brasileiro, diante de recentes fatos que, em nome da arte e da cultura, desrespeitaram a sexualidade humana e vilipendiaram símbolos e sinais religiosos, dentre eles o crucifixo e a Eucaristia, tão caros à fé dos católicos.

Em toda sua história, a Igreja sempre valorizou a cultura e a arte, por revelarem a grandeza da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, fazendo emergir a beleza que conduz ao divino. “A arte é como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e para uma verdade que vão mais além da vida quotidiana” (Bento XVI – 2011). O mundo no qual vivemos, ensina Paulo VI, precisa de beleza para não cair no desespero (Cf. Mensagem aos Artistas – 1965).

Reconhecemos que “para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte” (São João Paulo II – Carta aos artistas 1999). Somos, por isso, agradecidos aos artistas pela infinidade de obras que enriquecem a cultura, animam o espírito e inspiram a fé. Merecem destaque a pintura, a música, a arquitetura, a escultura e tantas outras expressões artísticas que ressaltam a beleza da criação, do ser humano, da sexualidade, e o espírito religioso do povo brasileiro. Arte e fé, portanto, devem caminhar unidas, numa harmonia que respeita os valores e a sensibilidade de cada uma e de toda pessoa humana na sua cultura e nos seus valores.

Lamentavelmente, crescem em nosso meio o desrespeito e a intolerância que destroem esta harmonia, que deve marcar a relação da arte com a fé, da cultura com as religiões. Se, por um lado, a arte deve ser livre e criativa, por outro, os artistas e responsáveis pela promoção artística não podem desconsiderar os sentimentos de um povo ou de grupos que vivem valores, muitas vezes, revestidos de uma sacralidade inviolável. O desrespeito e a intolerância, por parte de artistas para com esses valores, fecham as portas ao diálogo, constroem muros e impedem a cultura do encontro. Preocupam, portanto, o nível e a abrangência destas intolerâncias que, demasiadamente alimentadas em redes sociais, têm levado pessoas e grupos a radicalismos que põem em risco o justo apreço pela arte, a autêntica liberdade, a sexualidade, os direitos humanos, a democracia do País.

Vivemos numa sociedade pluralista, por isto, precisamos saber conviver com os diferentes. Isso, contudo, não subtrai à Igreja o direito de anunciar o Evangelho e as verdades nele contidas, a respeito de Deus, do ser humano e da criação. Em desacordo com ideologias como a de gênero, é nosso dever ressaltar, sempre mais, a beleza do homem e da mulher, tais como Deus os criou, bem como os valores da fé, expressos também nos símbolos religiosos que, com sua arte e beleza, nos remetem a Deus. Desrespeitar estes símbolos é vilipendiar o coração de quem os considera instrumentos sagrados na sua relação com Deus, além de constituir crime previsto no Código Penal.

Animamos a sociedade brasileira a promover o diálogo e o encontro, por meio dos quais as pessoas, em suas diferenças, respeitam e exigem respeito, e permitem sentir a riqueza que cada um traz dentro de si.

Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira dos brasileiros, nos ensine o caminho da beleza e do amor, da fraternidade e da paz.

Brasília, 26 de outubro de 2017.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB