CNBB

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Os peregrinos brasileiros que estavam em Dublin para o Encontro Mundial das Famílias participaram na sexta-feira (24/08) de uma missa com a comunidade brasileira que vive na capital da Irlanda. A celebração em intenção de todas as famílias e em ação de graças pela realização do Encontro foi na Igreja Santa Maria dos Anjos, dos padres capuchinhos, onde os brasileiros realizam suas atividades regularmente.

Bispos, padres e famílias brasileiras presentes na Irlanda foram recebidos pela comunidade de brasileiros que vivem no país

A missa foi presidida pelo bispo de Osasco (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e Família da CNBB, dom João Bosco Barbosa de Sousa, e concelebrada pelo bispo de Primavera do Leste-Paranatinga (MT), dom Derek Byrne e por padres de várias partes do país. Entre eles o assessor nacional da Pastoral Familiar, padre Jorge Filho.

“Que alegria poder estar aqui e ser acolhido com tanta simpatia. O grupo que veio para o encontro foi separado dos demais para receber uma benção especial. Acredito que a oração dos que estão em Dublin há mais tempo fortalece a nossa alegria. E nós vamos levar essa alegria de rezar por uma comunidade que está tão longe, mas que bate o coração no mesmo ritmo de todos nós”, disse dom João Bosco.

Em sua homilia na festa de São Bartolomeu Apóstolo, o bispo destacou a importância de testemunhar a fé e de ser uma família mesmo distante de casa e dos familiares.

Proximidade entre país sede e peregrinos

O bispo referencial para a Pastoral Familiar no Brasil enfatizou o bom acolhimento que os peregrinos receberam durante os três dias de Congresso Pastoral. “É a segunda vez que participo do Encontro Mundial das Famílias e aqui em Dublin a gente percebe uma familiaridade, uma proximidade com as pessoas, desde aqueles que organizam os eventos, os voluntários, o clero, aqueles que vieram de muitas partes. Esta semana foi muito rica de reflexões. São muitos temas que vamos levar para casa”, disse.

Sobre a missa com a comunidade brasileira:

“A gente percebe o mesmo sentimento, de família. E eu gostaria de transmitir a todos os ouvintes da Rádio Vaticano que precisamos nos unir em torno desse grande motivo que é a família, o dom da família. Porque o Evangelho da família é verdadeiramente alegria para o mundo”.

Amoris Laetitia no centro das atividades

Durante os três dias de Congresso Pastoral, mais de 60 palestras e debates foram ministrados no centro de convenções RDS, que teve ainda atividades específicas para crianças e jovens. Todas as exposições partiram do tema central do Encontro: Evangelho da Família, alegria para o mundo, com base na exortação apostólica pós-sinodal Amores Laetitia.

“Amores Laetitia é um marco, um fundamento geral para todas as reflexões que a gente faz hoje em torno da família. Na nossa comissão episcopal, em todos os trabalhos que fazemos no Brasil, a gente sente que ela trouxe grande revigoramento para s as famílias e para a pastoral familiar. Note que ela não está desligada de todo um passado muito forte, muito bonito. Basta lembrar a Familiaris Consorsio, de Joao Paulo II, por exemplo”, pondera dom João Bosco.

Comissão episcopal tem duas missões principais

De acordo com o bispo referencial, entre as atribuições da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e Família da CNBB estão a organização da Pastoral Familiar e a formação permanente. “O trabalho da comissão se divide em duas partes muito grandes. Por um lado a organização da Pastoral Familiar no Brasil inteiro, estamos numa batalha para formar e estruturar esses grupos paroquiais, diocesanos e regionais em todo o país. Também temos o trabalho de formação, que deve chegar a toda a nossa gente, não só aos membros da Pastoral, a todas as comunidades. A família deve ser o eixo de toda a evangelização”, concluiu.

Rafael Pierobon conversou para Vatican News com Dom João Bosco

O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, dom João Bosco Barbosa Sousa escreveu um artigo que mostra que vem sendo divulgados números falsos sobre as estatísticas de abortos provocados.

A descriminalização do aborto voltou a pauta nacional com a convocação de uma audiência pública pela ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, que analisa um pedido do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442.

A ação sustenta que dois dispositivos do Código Penal que instituem a criminalização da interrupção voluntária da gravidez afrontam a dignidade da pessoa humana, a cidadania, a não discriminação, a inviolabilidade da vida, a liberdade, a igualdade, a proibição de tortura ou o tratamento desumano e degradante, a saúde e o planejamento familiar das mulheres e os direitos sexuais e reprodutivos.

Diante dessa realidade, o bispo de Osasco (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, dom João Bosco Barbosa Sousa escreveu um artigo que mostra que vem sendo divulgados números hoje sabidamente falsos sobre as estatísticas de abortos provocados.

 

Leia o artigo de dom João Bosco Barbosa Sousa na íntegra: 

Desde os anos 60, têm sido divulgados números hoje sabidamente falsos sobre as estatísticas de abortos provocados.

Quando o Brasil contava com apenas 80 milhões de habitantes, a revista “Realidade” (maio de 1966) publicava que se realizavam no Brasil um milhão e quinhentos mil abortos por ano. Em setembro do mesmo ano, a mesma revista descia aos detalhes: seriam exatamente 1.488.000 de abortos por ano.

Na mesma época, quando os Estados Unidos contavam com 200 milhões de habitantes, o médico que coordenou a campanha pela legalização do aborto em Nova York divulgava que se realizavam ali 1 milhão e meio de abortos por ano. Mais tarde, após o aborto ter sido legalizado, ele declarou publicamente que sabia que não passavam de 100 mil e que ele havia mentido, mas afirmou também que ninguém lhe havia perguntado as razões do número apresentado.

Em 2003, o atual vice ministro da saúde do Uruguai declarou em audiência pública no Senado que se realizavam no país 150.000 abortos por ano. No ano seguinte, o número foi corrigido para 33.000 abortos por ano, mas em 2006 já se falava em 52.000 abortos por ano. Próximo à legalização do aborto, passou-se novamente a insistir na cifra de 33.000 abortos por ano. Mas, após a prática ter sido aprovada pelo Congresso e quando o governo já declarava que não mais se faziam abortos clandestinos no país, verificou-se que se realizavam apenas seis mil abortos por ano no Uruguai.

Esse modo de tentar comprovar a necessidade de aprovar o aborto tem sido recorrente quando da discussão sobre o aborto. Os promotores do aborto sempre multiplicaram os verdadeiros números por 10 ou 20 vezes. O ardil sempre funcionou porque ninguém foi conferir as razões dos números.

Ao tramitar no Supremo Tribunal Federal a ADPF 442, que pretende declarar o aborto como um direito fundamental, repete-se a mesma tática. Não podemos assistir o mesmo filme e repetir os mesmos erros. É importante desmascarar uma impostura já conhecida e estudada, mas principalmente afirmar que os verdadeiros números apontam para a necessidade de políticas públicas com as quais as mulheres não precisam do aborto para serem socorridas.

No dia 29 de junho de 2018, um Jornal publicou artigo em que afirma ter obtido em primeira mão um levantamento que “consta de um relatório do Ministério da Saúde que deve subsidiar o STF em ação que pede a descriminalização do aborto”.

A notícia assegura que, no Brasil, se provocam 1 milhão e 200 mil abortos por ano. Sustenta, com base nestes números, que, em uma década, o SUS gastou R$ 486 milhões com internações para tratar as complicações do aborto, sendo 75% deles provocados. De 2008 a 2017, 2,1 milhões de mulheres teriam sido internadas por este motivo. Este número inclui as internações por abortos naturais e provocados, o que daria cerca de 200.000 internações por ano por causa de abortos. É deste total que o Ministério da Saúde afirma que 75% são de abortos provocados, o que representaria, por ano, 150.000 internações por aborto provocado e apenas 50.000 por aborto natural.

Mas, como pode ser isto, se no Brasil nascem 2 milhões e 800 mil crianças por ano? Ora, os tratados de medicina afirmam que o número de abortos naturais, que ocorrem, em sua maioria, na segunda parte do primeiro trimestre, representam, em média, 10% do número das gestações. Neste caso, como a grande maioria dos abortos naturais passa por internações hospitalares, somos obrigados a afirmar que a grande maioria das 200.000 internações por aborto no Brasil se devem a abortos naturais, e não a abortos provocados. Ademais, confirma este número qualquer médico com experiência em pronto atendimento obstétrico, que dirá que os abortos provocados representam, no máximo, e possivelmente com exagero, 25% das internações por aborto. Assim, teríamos, no máximo, 50 mil internações por ano de mulheres que provocaram abortos.

No Brasil, em 2010 e 2016, foram realizadas duas pesquisas nacionais sobre o aborto, patrocinadas pelo Ministério da Saúde e premiadas pela Organização Panamericana de Saúde. Estes estudos, intitulados “Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna”, encontraram que, de cada 2 mulheres que praticam o aborto, uma tem de ser internada.

Ora, no Brasil, temos 200.000 internações por aborto a cada ano, incluídos aí os abortos provocados e os abortos espontâneos. Este número está em diminuição há alguns anos, cerca de 10% ao ano, segundo o DATA SUS.

Os obstetras que trabalham em atenção emergencial nos hospitais dizem, conforme já exposto, que a maioria dessas internações são de abortos naturais. No máximo 25% seriam de abortos provocados.

Portanto, haveria, por ano, 50.000 internações por abortos provocados, no Brasil. Então, como para cada dois abortos uma mulher é internada, teríamos um total 100 mil abortos provocados por ano no Brasil.

Este número é coerente com os dados dos livros de ginecologia e patologia, que dizem que cerca de 10% das gestações terminam em aborto espontâneo entre o segundo e o terceiro mês. Vejamos: como no Brasil temos 200 milhões de habitantes e 2.800.000 nascimentos por ano, o número de abortos naturais deveria ser de aproximadamente 280.000. Sabe-se que a maioria destes casos são atendidos em hospitais, para curetagem ou outros procedimentos. Este número é coerente com as 200.000 internações por aborto no sistema de saúde.

Assim, quando se estima que a maioria das internações por aborto se deve ao aborto espontâneo, além do testemunho dos médicos, temos uma fundamentação estatística para isso. A estimativa de, no máximo, 25% de abortos provocados nas internações por aborto, portanto, é provavelmente um número já superestimado.

Além disso, temos os números do IBGE, em cuja Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 se encontra a relação entre o número estimado de abortos espontâneos e de abortos provocados de 7,6 vezes mais abortos espontâneos que abortos provocados. Não há indicação de como estes dados foram calculados, mas é uma proporção de quase a metade do que supõem as estimativas aqui trabalhadas.

Portanto, já com possíveis superestimações, o número de abortos provocados deve ser estimado em metade das internações totais por aborto, ou seja, 100 mil abortos provocados por ano, já provavelmente superestimados.

Contudo, o IPAS, uma organização que promove o aborto internacionalmente, e o Instituto Allan Guttmacher, que pertence à IPPF, uma organização que é proprietária da maior rede de clínicas de abortos do mundo, dizem o contrário: que se deve multiplicar este número de internações por 5 ou por 6. Com isso, obtém-se as cifras de aborto para o Brasil entre 1 milhão e 1 milhão e meio de abortos por ano.

Este multiplicador é semelhante ao que o Dr. Bernard Nathanson, o articulador da legalização do aborto em Nova York em 1970, utilizou pela primeira vez, quando sabia que os abortos provocados nos Estados Unidos eram, no máximo, 100 mil, e disse para a imprensa, com a intenção de promover a legalização do aborto, que eram 1 milhão e meio, sem dar justificativas, cifras que, aliás, ninguém questionou. Naquela época a população americana era de 200 milhões, igual à do Brasil de hoje.

Mas no Brasil, desde os anos 60, quando nossa população era de 80 milhões, já se afirmava que se faziam 1 milhão e meio de abortos por ano. Quem divulgava estes números era a filial da IPPF no Brasil, chamada Benfam. O número nunca foi justificado.

Este número continuou a ser apresentado inalteravelmente até hoje, porém, as instituições que realizaram em 2010 o estudo “Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna”, ao repetirem seu estudo em 2016, diante do fato que os movimentos em favor da vida já estavam apresentando os dados corretos, encontraram um modo de calcular este número não mais em 1 milhão e meio, mas em 412 mil por ano.

O argumento utilizado para fundamentar este número, que agora seria de 412 mil abortos, foi que, em 2016, teriam sido entrevistadas um total de 2002 mulheres entre 18 e 39 anos, das quais 251 teriam dito ter feito um aborto e, entre estas 252 mulheres, 27 teriam dito ter feito aborto em 2015, ou seja, 1,35% do número total das 2002 mulheres. Portanto, como há cerca de 37 milhões de mulheres com idade entre 18 e 39 anos no Brasil, multiplicando este número por 1,35%, obteríamos um total, segundo o estudo, entre 400.000 a 500.000 abortos provocados por ano.

Porém, o que não se consegue explicar é: por que se dizia que este número era de 1 milhão e meio até a pouco tempo? E por que agora o Ministério da Saúde, que patrocinou estas duas pesquisas, volta aos mais de um milhão de abortos por ano, segundo as tabelas oferecidas ao STF, que a Folha de São Paulo afirma ter copiado em primeira mão?

Mas, mesmo se um número de 400.000 fosse verdadeiro, então, neste caso, como as duas pesquisas constataram que, de cada duas mulheres que provocam aborto, uma é internada, teríamos de ter 200.000 internações por ano somente por aborto provocado no sistema de saúde. Se o número de abortos naturais é bastante maior que o de abortos provocados, consequentemente, teríamos que ter um número total de internações por aborto em torno de 800.000 ao ano, um número que não se verifica. Além disso, se no Brasil tivéssemos 800.000 de internações por aborto por ano, deveríamos ter cerca de 7 ou 8 milhões de nascimentos por ano, o que também não se verifica.

Segundo os próprios dados oferecidos pelas pesquisas dos defensores do aborto, esses números são flagrantemente insuflados e não podem corresponder à realidade. Se o Ministério da Saúde ofereceu este relatório ao STF e ao Jornal, isso já não sabemos.

Contudo, poderia restar, ainda, uma dúvida. E se estes números apresentados pela Folha ou pelos movimentos a favor do aborto fossem verdadeiros, não deveríamos legalizar o aborto para solucionar o problema?

Ora, uma eventual pergunta como esta nos parece apenas fruto da incapacidade de entender a realidade das coisas e da própria obstinação em se legalizar o aborto. Números não são apenas números, números sempre são sintomas de alguma realidade que seria a sua causa. A própria pergunta mostraria a incapacidade do autor em compreender a irrealidade que estaria por detrás destes números. Se, de fato, as mulheres brasileiras praticassem estes milhões de abortos clandestinos por ano, mais do que um problema de saúde, isso seria sinal de uma desintegração social sem proporções, uma situação que exigiria reformas estruturais imediatas e profundas, semelhantes às que ocorreriam em uma situação de pós-guerra. Ninguém, a não ser um ativista que pensa apenas na causa e, por causa disso, sua paixão não lhe permite captar a realidade, pensaria em oferecer a legalização do aborto como solução para reconstruir um país socialmente desestruturado por uma calamidade. Ademais, dadas as consequências psiquiátricas traumáticas reconhecidamente causadas pelo aborto, a magnitude de um número como este, aumentando entre 10 a 20 vezes a realidade do país, significaria a existência uma realidade social tão nitidamente desumanizada e aterradora, que não haveria sentido em nos indagarmos sobre a legalização do aborto, e sim, ao contrário, em como deveríamos reconstruir positivamente o tecido social.

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MENSAGEM DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO DE DEUS 

O que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo (1Jo 1,3) Em comunhão com o Papa Francisco, nós, Bispos membros da CNBB, reunidos na 56ª Assembleia Geral, em Aparecida – SP, agradecemos a Deus pelos 65 anos da CNBB, dom de Deus para a Igreja e para a sociedade brasileira. Convidamos os membros de nossas comunidades e todas as pessoas de boa vontade a se associarem à reflexão que fazemos sobre nossa missão e assumirem conosco o compromisso de percorrer este caminho de comunhão e serviço. Vivemos um tempo de politização e polarizações que geram polêmicas pelas redes sociais e atingem a CNBB.

Queremos promover o diálogo respeitoso, que estimule e faça crescer a nossa comunhão na fé, pois, só permanecendo unidos em Cristo podemos experimentar a alegria de ser discípulos missionários. A Igreja fundada por Cristo é mistério de comunhão: “povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (São Cipriano). Como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela (cf. Ef 5,25), assim devemos amá-la e por ela nos doar. Por isso, não é possível compreender a Igreja simplesmente a partir de categorias sociológicas, políticas e ideológicas, pois ela é, na história, o povo de Deus, o corpo de Cristo, e o templo do Espírito Santo. Nós, Bispos da Igreja Católica, sucessores dos Apóstolos, estamos unidos entre nós por uma fraternidade sacramental e em comunhão com o sucessor de Pedro; isso nos constitui um colégio a serviço da Igreja (cf. Christus Dominus, 3). O nosso afeto colegial se concretiza também nas Conferências Episcopais, expressão da catolicidade e unidade da Igreja. O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium, 23, atribui o surgimento das Conferências à Divina Providência e, no decreto Christus Dominus, 37, determina que sejam estabelecidas em todos os países em que está presente a Igreja.

Em sua missão evangelizadora, a CNBB vem servindo à sociedade brasileira, pautando sua atuação pelo Evangelho e pelo Magistério, particularmente pela Doutrina Social da Igreja. “A fé age pela caridade” (Gl 5,6); por isso, a Igreja, a partir de Jesus Cristo, que revela o mistério do homem, promove o humanismo integral e solidário em defesa da vida, desde a concepção até o fim natural. Igualmente, a opção preferencial pelos pobres é uma marca distintiva da história desta Conferência. O Papa Bento XVI afirmou que “a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com a sua pobreza”. É a partir de Jesus Cristo que a Igreja se dedica aos pobres e marginalizados, pois neles ela toca a própria carne sofredora de Cristo, como exorta o Papa Francisco.

A CNBB não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político. As ideologias levam a dois erros nocivos: por um lado, transformar o cristianismo numa espécie de ONG, sem levar em conta a graça e a união interior com Cristo; por outro, viver entregue ao intimismo, suspeitando do compromisso social dos outros e considerando-o superficial e mundano (cf. Gaudete et Exsultate, n. 100-101). Ao assumir posicionamentos pastorais em questões sociais, econômicas e políticas, a CNBB o faz por exigência do Evangelho. A Igreja reivindica sempre a liberdade, a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76). Isso nos compromete profeticamente. Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada. Se, por este motivo, formos perseguidos, nos configuraremos a Jesus Cristo, vivendo a bem-aventurança da perseguição (Mt 5,11). A Conferência Episcopal, como instituição colegiada, não pode ser responsabilizada por palavras ou ações isoladas que não estejam em sintonia com a fé da Igreja, sua liturgia e doutrina social, mesmo quando realizadas por eclesiásticos.

Neste Ano Nacional do Laicato, conclamamos todos os fiéis a viverem a integralidade da fé, na comunhão eclesial, construindo uma sociedade impregnada dos valores do Reino de Deus. Para isso, a liberdade de expressão e o diálogo responsável são indispensáveis. Devem, porém, ser pautados pela verdade, fortaleza, prudência, reverência e amor “para com aqueles que, em razão do seu cargo, representam a pessoa de Cristo” (LG 37). “Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor” (Papa Francisco, Mensagem para o 52º dia Mundial das Comunicações de 2018). Deste Santuário de Nossa Senhora Aparecida, invocamos, por sua materna intercessão, abundantes bênçãos divinas sobre todos.

Aparecida – SP, 19 de abril de 2018.

Cardeal Sergio da Rocha Arcebispo de Brasília – DF Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ Arcebispo São Salvador da Bahia Vice-Presidente da CNBB

 

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Durante a primeira entrevista coletiva da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom João Bosco Barbosa de Sousa, bispo de Osasco (SP), falou à imprensa sobre as várias temáticas que serão abordadas no evento. Além do tema central: “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”, mais de trinta assuntos serão trabalhados no intuito de buscar a plena participação de todo o episcopado brasileiro nos dias de atividades.

Dom João lembrou que as decisões tomadas na Assembleia não se referem a uma determinada circunscrição ou Diocese. São assuntos que dizem respeito a todo o episcopado e assuntos relevantes para a Igreja e a sociedade brasileira. “A Assembleia Geral da CNBB é um evento eclesial que pretende buscar a unidade da Igreja. Nenhum assunto é decidido sem que se gaste bastante tempo ouvindo as opiniões dos irmãos bispos, contestando, se for o caso, estudando em grupos e retornando para a grande plenária. Os textos que são aprovados são revirados de todos os jeitos para que se chegue a uma unanimidade que é importante para que a Igreja caminhe”, declarou.

Ainda segundo o bispo, essa unidade acontece porque se tem essa convicção de que a Igreja é conduzida pelo Espírito Santo e há uma grande abertura  por parte do episcopado para se chegar naquilo que é o essencial para que a ação evangelizadora possa acontecer.

Temas prioritários

Dentre os temas que serão abordados durante a Assembleia, a evangelização nos centros urbanos ganhará destaque.  Dom João Bosco alertou que essa é uma questão de analise de conjuntura que interessa a Igreja.

Outro tema que também implicará a reflexão aprofundada do episcopado é a manutenção do estado laico. “Muitos entendem o estado laico como um estado contra as religiões ou um estado ateu. Um estado laico é aquele onde todas as religiões tem o seu espaço e onde a liberdade religiosa realmente existe. O estado laico não se compromete com nenhuma religião e favorece a todas. Se temos um estado laico, temos uma nação religiosa”, explicou.

A entrevista coletiva foi conduzida por dom dom Darci José Nicioli, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB e também contou com a participação do arcebispo de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha e o arcebispo de Porto Alegre, dom Jaime Spengler.

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Na manhã desta segunda-feira, 26, o cardeal Sergio da Rocha foi homenageado em Sessão Solene na Câmara Legislativa do Distrito Federal, recebendo o Título de Cidadão Honorário de Brasília. A cerimônia homenageou também a Campanha da Fraternidade 2018.

A autoria da homenagem foi requerida pelo deputado distrital Cláudio Abrantes (Sem Partido), com o objetivo de agradecer o trabalho prestado por dom Sergio, não só para Brasília, mas por sua atuação em diversas arquidioceses que dirigiu.

Os bispos auxiliares dom Valdir Mamede e dom Marcony Ferreira também estiveram presentes, além de padres e diáconos. A Sessão também contou com a presença de diversos fiéis leigos atuantes em pastorais, movimentos e comunidades.

Na ocasião, dom Sergio disse estar agradecido com a homenagem: “Fico feliz com esta homenagem, embora não me sinta merecedor desta honra, porque este gesto me faz sentir ainda mais participante desta grande família, de cidadãos brasilienses que compartilham desta Casa comum, desta família comum que é Brasília.”

Dom Sergio deu continuidade ressaltando não só a importância da cidade de Brasília mas, de forma geral, do povo que aqui vive: “Ao se referir a Brasília, as pessoas de modo geral, tendem a ressaltar a sua importância política e cultural enquanto Capital Federal, ou seu conjunto arquitetônico ou a originalidade de seu traçado urbanístico. De fato tudo isso é motivo de orgulho e também de responsabilidade. Mas eu quero aqui ressaltar outra característica muito importante de Brasília que é a convivência respeitosa e pacífica entre pessoas de tantas origens diferentes. E esse traço deveria ser muito mais reconhecido no mundo marcado com tantos conflitos, intolerâncias, por barreiras e rejeições a quem origem e cultura diferente.”

Dom Sergio é homenageado na Plenária da Câmara

Tomando como referência a Catedral Nossa Senhora Aparecida, dom Sergio falou um pouco sobre a fé do povo brasiliense: “A bela Catedral de Brasília tem a sua forma arquitetônica original representando mãos de se unem e se erguem para o céu. Posso dizer pelo que tenho experimentado que são as mãos e o coração do um povo brasiliense voltados pra Deus. E essas mesmas mãos  que se erguem para Deus em oração são também mão que se abrem, que acolhem quem chega como irmão e amigo.”O cardeal compartilhou a sua gratidão pela forma como foi acolhido pela cidade, na qual está a frente desde agosto de 2011: “Eu tenho experimentado o jeito fraterno e acolhedor do povo de Brasília, formado por candangos da primeira hora, mas também por gente de todas as regiões do Brasil, que como eu vai aos pouco assumindo sua condição de candango. Quem aqui chega vai logo se sentindo em casa e querendo aqui permanecer.”, disse.

O Cardeal também falou sobre as responsabilidades de quem recebe um Título como o que recebeu: “O Título de Cidadão de Brasília faz pensar no exercício da cidadania, no exercício consciente e responsável em nossa cidade. Somos estimulados a crescer na corresponsabilidade pela nossa cidade, pela nossa gente. Somo desafiados a cuidar dela com zelo e servir a nossa gente com amor sempre mais generoso, em atenção aos mais pobres e necessitados.”

“Nos diversos encontros e reuniões que participo no Brasil e no mundo, quantas vezes eu tenho dito, com orgulho, dentro do País ou fora dele, “sou de Brasília”. Mas a partir de agora posso dizer de coração “sou cidadão brasiliense, sou candango”, ainda que de última hora”, acrescentou dom Sergio.

Ao final da sessão, dom Sergio recebeu os cumprimentos dos presentes.

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Na foto, diácono Dênis , Dom João Bosco e diácono Rafael (da esquerda para a direita).

No dia 18 de março, às 17h, o Regional Sul 1 celebrou a missa de envio dos missionários para a Diocese de Pemba, em Moçambique, na África.

A celebração foi realizada na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, em Campinas – SP,  presidida por Dom Airton José dos Santos, arcebispo metropolitano de Campinas e presidente do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e concelebrada por Dom Pedro Luiz Stringhini – bispo da Diocese de Mogi das Cruzes e vice-presidente do Regional, Dom Júlio Endi Akami –secretário e arcebispo de Sorocaba, Dom João Bosco Barbosa de Sousa, ofm – bispo de Osasco e Dom José Luiz Bertanha – bispo da Diocese de Registro e bispo referencial do Conselho Missionário Regional (Comire), e diversos sacerdotes.

Bênção de envio aos missionários

Receberam a bênção de envio diáconos, religiosos, religiosas, e leigos e leigas da Fraternidade Pobre de Jesus, da Diocese de Mogi das Cruzes. Entre os missionários, estão os diáconos da Diocese de Osasco, Dênis Mendes e Rafael Santana. Os missionários integrarão a equipe, que já exerce a missão em Pemba, Pe. Adriano Ferreira Rodrigues da Diocese de Jundiaí, o Pe. Salvador Rodrigues de Brito e a leiga Helena Pereira, ambos da Diocese de Guarulhos.

Na sua homilia, Dom Airton falou da importância de solidarizar-se com a Diocese de Pemba e do propósito do envio de missionários para que anunciem o Evangelho, testemunhando a sua experiência com o Crucificado, pois “só podemos anunciar aquele que conhecemos. É preciso essa experiência profunda. Quem se encontra com o Senhor, não fica mais quieto ou parado, eles anunciam”, ressaltou o arcebispo.

A partida dos missionários para a África está prevista para abril de 2018.