Ano do Laicato

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Foto: CNBB

Formar leigos e leigas para ser sal e luz na Igreja e no mundo

O Ano do Laicato tem início na Festa de Cristo Rei, dia 26 de novembro, e a nossa Diocese prepara-se para uma solene e festiva celebração com todas as paróquias, no Ginásio de Esportes José Liberati, em Osasco, com missa, apresentações musicais e um ambiente bom de convivência e comemoração. Teremos durante todo o ano que se segue oportunidade de compreender o papel essencial dos leigos, a maior parcela da Igreja, encontrar caminhos para o crescimento e a ação consciente dos leigos na própria vida da Igreja e sobretudo na transformação do mundo. Leigos e leigas atuando na Igreja, tornam-na viva e participativa. Leigos e leigas com espírito missionário levam o Evangelho a todos os recantos da sociedade e do mundo. Leigos e leigas, maduros e bem formados transformam a vida familiar, a economia, a política, as artes, o lazer e o trabalho, enriquecendo essas realidades com os valores do Evangelho. Fazem do mundo o lugar do Reinado de Cristo. Tem sentido, portanto que este ano especial comece na Festa de Cristo Rei.

Um ano não é só um ano

A escolha de um tema e a proposta de um ano comemorativo não deve ser acolhido como algo passageiro. Tivemos há pouco o Ano Mariano, antes o Ano da Misericórdia, mais para trás o ano sacerdotal, o ano paulino, o ano da vida consagrada, e outros. Tudo passa e parece que pouco adianta dar importância a essas motivações. Não é bem assim. Essas ocasiões deixam marcas profundas. São como o nosso alimento: podemos esquecer o que comemos ontem, na semana passada ou há anos atrás. Porém isso nos alimentou e nos fortaleceu para o que somos hoje. Os leigos sempre tiveram importância na Igreja, porém, a partir do Concílio Vaticano II, ganharam visibilidade e força eclesial, surgiram as pastorais sociais, as comunidades de base, as pastorais da juventude e outras expressões importantes. Um Sínodo sobre a missão dos Leigos, teve como conclusão a Chirstifideles laici, exortação de São João Paulo II, da qual comemoramos 30 anos. Um Ano do Laicato deve dar continuidade a este grande caminho, e mesmo atualizar as propostas da Igreja para o Laicato para que seja mais efetiva a sua presença na Igreja e no mundo. Os frutos, portanto, não deverão se restringir a este ano, mas abrir-se para o futuro.

Mais que oportuno, essencial

O Ano do Laicato acontece em boa hora. Na Igreja atual, do Papa Francisco, recebemos preciosos impulsos: ele quer uma Igreja missionária e isso só pode acontecer se houver um laicato ativo. Outro impulso vem da Amoris Laetitia, a Exortação do Papa Francisco sobre a Família, que fala ao coração dos leigos. Famílias bem constituídas são sinal de um laicato consciente e bem formado.  Uma proposta feita pela CNBB, refletindo sobre a Missão e ministérios dos leigos resultou no Documento 105, que fez uma nova e atualizada síntese, da participação dos leigos e leigas na Igreja e no mundo, conforme foi pedido pelo Concílio. Mais recentemente ainda, a CNBB se debruçou sobre o tema da Iniciação à Vida Cristã, entendendo que o caminho para formar os leigos como discípulos missionários, com condições de entrar no coração do mundo levando as propostas do Evangelho, deve ser semelhante àquele dos primeiros cristãos: eram minoria, viviam num mundo adverso, eram perseguidos, mas tinham uma vida com Cristo tão , na comunidade da Igreja, que seu testemunho encantava até os corações mais duros, chegando a mudar a face do violento Império Romano. Precisamos de leigos assim.

Leigos respondendo às provocações do mundo

Os leigos perguntam se os Bispos não vão fazer um pronunciamento, um protesto, uma manifestação contra as ofensas que apareceram na mídia nas últimas semanas: ofensas a Nossa Senhora Aparecida, à Eucaristia, ao Crucifixo. E ainda sobre as obras ditas “de arte” que mostram a sexualidade humana deformada pela ideologia de gênero, imoralidades bizarras e até grotescas. Mais ainda, se não cabe um pronunciamento da Igreja sobre os desmandos políticos, a volta do trabalho escravo, a desesperança do povo diante das malas de dinheiro e a falta de remédios nos postos de saúde. Claro, tudo isso merece a consideração dos bispos e até mesmo houve um pronunciamento oficial da Igreja diante desses fatos que deixam a nossa gente indignada. Um simples protesto, ainda que seja da CNBB ou do Papa, pode acabar colocando mais lenha na fogueira, fazendo propaganda do erro e da mentira. Por isso a Igreja reage sempre com a necessária prudência. Mas, não resta dúvida, o meio mais eficaz de combater tudo isso, sejam os vícios da política, sejam as ofensas aos símbolos religiosos, sejam as questões sociais, passa pela formação constante de um laicato maduro e atuante, comprometido com a fé e com o bem social.

Iniciação combina com Ano do Laicato

A recente Assembleia das Igrejas de todo o Estado de São Paulo (Sul 1) juntou os dois documentos da CNBB: A formação mais profunda e comprometida de Leigos e Leigas resultará em cristãos maduros para atuar na Igreja e na sociedade. Ou o inverso: um itinerário de Iniciação à Vida Cristã desde a infância, passando pela catequese de adultos e chegando a um aprofundamento para os já iniciados, resultará em um laicato capaz de enfrentar a realidade da evangelização no mundo de hoje. O resultado dessa equação aponta para uma tarefa que deveremos assumir em nosso planejamento diocesano: estabelecer e colocar em andamento um projeto diocesano de iniciação e formação dos leigos para que sejam presença cristã no mundo. Já temos atividades de formação que são bem conduzidas: as semanas temáticas para os catequistas, para os ministros, a semana social, a atividade da Pastoral Familiar, a escola de Emaús, o estudo promovido pelos Movimentos, o Curso de Teologia Pastoral e a própria catequese infantil e juvenil… tudo isso pode ser estendido num projeto mais amplo que contemple retiros, cursos, material didático, programas para todas as etapas da vida, e as necessidades específicas de cada grupo de cristãos. Não deverá ser um projeto de curto prazo, mas progressivo, enriquecido pela realização do Ano do Laicato. Vamos abraçar esse caminho com força e dedicação.

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano de Osasco

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Um ano todo dedicado aos leigos e leigas

Esta é a proposta da CNBB, o Ano do Laicato terá início já no próximo dia 26 de novembro, Festa de Cristo Rei, estendendo-se até a mesma festa em 2018. Quem visitar uma de nossas comunidades vai perceber a vitalidade e o empenho dos nossos leigos, participando da liturgia, das atividades pastorais, dos movimentos e associações. Os mesmos leigos e leigas estão vivendo a sua fé cristã nas famílias, estão no mundo do trabalho, nas organizações da sociedade. Cristãos leigos e leigas testemunham os valores do Evangelho também no mundo econômico e político, trabalham para que Reino de Cristo aconteça no mundo, transformando as relações pessoais, semeando a justiça e, fazendo valer no mundo o mandamento do amor, assim, eles apontam para a esperança do Reino definitivo, o céu.

Leigos e leigas assumem esse compromisso no dia do batismo. São eles a maioria do povo de Deus. Sem os leigos, o evangelho não chega ao coração do mundo, Cristo não reina, a Vida perde espaço para o desespero e a morte. No anúncio e no testemunho do Evangelho, os leigos são sujeitos, capazes de levar Jesus Cristo a todos os recantos da terra.

doc 105 cnbbA missão dos leigos e leigas foi o tema da 80ª Assembleia dos Bispos de todo o Estado de São Paulo. O tema escolhido reflete o longo trajeto de estudos, realizado pela Igreja do Brasil, que teve como fruto o documento 105, “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade”, aprovado na 54ª Assembleia Geral da CNBB, no ano passado.. Ali se acentua que o leigo é membro do corpo de Cristo Jesus, responsável pela evangelização, sendo fermento, sal da terra e luz do mundo. Esse documento vem fazendo crescer a consciência da missão do Laicato em todo o Brasil e, sem duvida, o Ano do Laicato, proposto pela CNBB virá abrir ainda mais as mentes e os corações, na                                                                                        Igreja, para uma participação mais viva e consciente.

O leigo é um dom para a igreja

Foto: Aloisio Mauricio. Caminhada contra o aborto – Comissão Diocesana Bioética

Foi o Concílio Vaticano II quem trouxe para os dias de hoje esta nova visão do leigo, há pouco mais de cinquenta anos. Os leigos tiveram um papel essencial no crescimento da Igreja no início do cristianismo, saindo da periferia do mundo, a Judéia, e se espalhando por todo o Império Romano. Eram perseguidos, expulsos dos lugares públicos, martirizados, mas não deixavam de dar testemunho de sua fé, atraindo uma multidão de novos cristãos. Terminado esse período de perseguições, o cristianismo se torna religião oficial do Império, e o clero e os monges assumem todos os ministérios, sobrando aos leigos apenas o papel de ouvir e seguir passivamente a hierarquia. Essa situação perdurou, com algumas variações, até os dias do Vaticano II. O Concílio, através da Constituição Dogmática Lumen Gentium e um documento especial sobre o Laicato, chamado Apostolicam Actuositatem, devolveu ao leigo o papel de sujeito na Igreja. Unido ao Clero, o Laicato tem o seu lugar fundamental e decisivo, querido por Cristo desde o início, e desfigurado através da história. Vinte anos após o Concílio, um novo documento, escrito pelo Papa São João Paulo II, a Exortação Christifideles Laici, trouxe novamente à luz esse tema, firmando o passo nos avanços alcançados e possibilitando novas aberturas de consciência para que o Laicato se revele como verdadeiro dom de Deus para a Igreja. Justamente agora, na comemoração dos 30 anos da Christifideles laici, o Ano do Laicato nos possibilita viver intensamente essa conquista.

Os leigos na Diocese de Osasco

Antes de ser diocese, Osasco pertencia à Arquidiocese de São Paulo, que foi pioneira na aplicação das lições do Concílio. Destacou-se, sobretudo, nas ações do Laicato. E não é sem razão que Osasco, e os municípios que formaram a nova diocese, com a força e a tradição das famílias católicas de migrantes,  tivesse também muito vigoroso o braço leigo,  expresso na Pastoral Operária, na luta pelos direitos humanos, no espírito das Comunidades de Base, nos ministérios leigos que faziam face à escassez de sacerdotes, na Catequese que teve expressão nacional fortíssima. Tempos de estreita ligação entre fé e compromisso social. Vieram os novos movimentos, o crescimento do espírito missionário, o número de paróquias e comunidades cresceu, dobrou, como também o número de sacerdotes. O passar dos anos mostrou o vigor de algumas expressões laicais, bem como o declínio e o cansaço de outras. Vivemos hoje uma crise aguda e dolorosa das instituições e dos valores, como a família, a escola, o governo, a economia. A própria Igreja sofre com o abandono de muitos que se dizem sem religião, ou se encantam com outras propostas religiosas. Por isso é tempo oportuno de retomar a importância e a identidade dos leigos e leigas como sujeitos da ação evangelizadora e transformadora da sociedade. E isso vai acontecer no Ano do Laicato.

O Ano do Laicato em nossa diocese

pastoral carceraria
Missa de Natal nos presídios – Pastoral Carcerária – 2016

O documento 105, da CNBB, que tem como título “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do mundo” está aí para nos ajudar a viver bem o tempo presente.  É um documento extenso e muito rico de motivações e sugestões. Na última Assembleia dos Bispos do Regional Sul 1 esse documento serviu de guia para o tema central do encontro. Também a próxima Assembleia das Igrejas, no final de outubro servirá para aprofundar o tema e preparar o Ano do Laicato em todas as dioceses. Mas podemos começar desde agora: aqui em Osasco temos uma situação peculiar: as atividades dos leigos estão organizadas em três setores: a Pastoral Social, os Movimentos e Associações, e a Pastoral Paroquial e Missionária. A proposta é que cada setor escolha cinco leigos participantes para constituir um grupo de estudos e aprofundar o conhecimento do documento 105, esse é o primeiro passo. Cinco leigos dos Movimentos e Associações, outros cinco das Pastorais Paroquiais e Ação Missionária, outros cinco da Pastoral Social, juntamente com os padres desses setores, poderão formular um projeto para o Ano do Laicato que contenha eventos, seminários e conferências, datas especiais diocesanas, celebrações litúrgicas, material para catequese infantil, jovens, movimentos e pastorais.  Poderíamos, então, constituir um Conselho Diocesano de Leigos assim abrangente como fruto o Ano do Laicato? O conselho de Leigos, no passado, se tornou muitas vezes restrito aos aspectos sociais e, por vezes, até limitado em suas ações. Já um Conselho Diocesano de Leigos que contemple os três setores da Ação Evangelizadora, isto seria um avanço para ser comemorado. Vamos apostar? Que venha, e seja bem fecundo entre nós, o Ano do Laicato.

Dom João Bosco, ofm
Bispo Diocesano de Osasco