Amoris Laetitia

Durante o encontro, foi apresentado o novo assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, irmão Fernando Vieira, jesuíta de Belo Horizonte (MG)

Os assessores das Comissões Episcopais Pastorais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão cnbb-dom-joaoreunidos nesta segunda-feira, 19, para aprofundar os estudos sobre a Exortação Apostólica Pós-sinodal Amoris Laetitia. O encontro faz parte de um processo de reflexão que vem sendo realizado desde o mês de agosto, sob a coordenação da Subsecretaria de Pastoral, orientado pelo bispo de Osasco (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Vida e Família, dom João Bosco Barbosa de Sousa.

 

A tarefa dada aos assessores no último encontro com dom João Bosco, de que cada comissão expusesse uma reflexão de aplicação da Exortação Amores Laetitia segundo a perspectiva de cada área da evangelização da Igreja, está sendo apresentada. A partir dessa apresentação, os assessores poderão reforçar o trabalho de assimilação do conteúdo do Documento dentro da missão específica de cada comissão. A missionariedade, o ecumenismo e o diálogo religioso na vida das famílias e na pastoral familiar, além de outras perspectivas da aplicação da Exortação fazem parte do objetivo da reunião.

Durante o encontro, foi apresentado o novo assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, irmão Fernando Vieira, jesuíta de Belo Horizonte (MG). Ele é especialista na área, formado em piano pelo Conservatório de Música de Minas Gerais e tem especialização em regência em Viena (Áustria), além de ter feito cursos na Alemanha, Espanha, Estados Unidos e França.

O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, também participa do encontro.

 

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Encontro teve a presença dos bispos e assessor da Comissão

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Foto: Diocese de Santo André

A Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) encontrou-se nos dias 8 e 9 de agosto em Santo André (SP). Os bispos e o assessor da Comissão dialogaram sobre a exortação apostólica pós-sinodal do papa Francisco Amoris Laetitia, sobre o amor na família. Também estiveram na pauta a edição e tradução da Bíblia da CNBB e o início de um “tópico de estudo” sobre exorcismos. O grupo ainda tratou da confecção de dois subsídios com os temas “Igreja e laicismo” e “Kerigma e Reino de Deus”.

Durante o diálogo sobre a exortação Amoris Laetitia, a Comissão contou com a presença do bispo de Osasco (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, dom João Bosco Barbosa de Sousa.

O bispo de Santo André e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé, dom Pedro Carlos Cipollini, foi o anfitrião da reunião, que teve a participação do bispo coadjutor de Luziânia (GO), dom Waldemar Passini Dalbello; do bispo auxiliar de Porto Alegre (RS), dom Leomar Brustolin; do bispo de Coari (AM), dom Marcos Piatek; do bispo de Bom Jesus da Lapa (BA), dom João Cardoso; e do assessor da Comissão, monsenhor Antônio Luiz Catelan Ferreira.

Nos dois dias de encontro, os membros da Comissão rezaram as missas na Catedral de Santo André e seguiram com o dia inteiro de reuniões. A próxima reunião da Comissão será em janeiro de 2017, em Goiânia (GO). Na ocasião, estarão presentes, além dos bispos e do assessor, o grupo interdisciplinar de peritos.

 

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Imagem Internet

O mundo se prepara para assistir novamente o grande espetáculo da Jornada Mundial da Juventude, o encontro do Papa com os jovens do mundo inteiro. No último desses encontros, que se deu em 2013, no Rio de Janeiro, mais de quatro milhões  de jovens se reuniram na praia de Copacabana, ao redor do Papa Francisco, que ainda tinha poucos meses de pontificado, para ouvir a sua palavra. E ouviram Francisco dizer: “Ide, sem medo, evangelizar!”. Desta vez vai ser na Polônia, na cidade de Cracóvia, cidade de São João Paulo II. Muitos jovens brasileiros estarão lá, apesar da distância, da língua difícil, da crise econômica. Aqui entre nós, os jovens estarão reunidos em Ibiúna, também terão catequeses e visitas missionárias, e acompanharão pelo telão os encontros com o Papa.

O papa fala ao coração, isso toca os jovens.

A maneira cordial de falar, os gestos de carinho com os doentes, com as crianças, com os pobres, sua figura simples e humana, acertam em cheio o coração dos jovens. Mesmo aqueles que não tem muita participação nas coisas da Igreja acabam cativados por ele. Prova está nos milhões de seguidores que o Papa tem nas redes sociais, especialmente o Twitter e Instagram.

E o Papa corresponde, mostrando um interesse muito grande por falar aos jovens. Dou um exemplo: em sua última Exortação Apostólica, a Amoris Laetitia, sobre a família, o Papa mais de quarenta vezes se refere aos jovens, fala diretamente a eles, justifica até suas dificuldades em seguir as normas da Igreja por terem contra si uma cultura que não lhes facilita o cultivo da esperança. Fica claro que o Santo Padre conta especialmente com eles como uma grande força na nova evangelização. Separei aqui algumas frases, na Exortação Amoris Laetitia, em que fala sobre os jovens ou aos jovens mas, na verdade,  se dirige  a toda a Igreja.

  1. Boa notícia – Apesar dos numerosos sinais de crise no matrimônio, o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens, e isto incentiva a Igreja.”(AL,1) Uma preocupação do Papa é com um grande número de jovens que não mais se identificam com a vocação matrimonial. Seus planos estão voltados para a carreira, para o consumo, para o conforto e o prazer sem compromisso, para a cultura do imediato. Fala daqueles que recusam o caminho do matrimônio em função dos maus exemplos em suas próprias famílias, ou pela insistente mensagem da mídia, contrária ao matrimônio. Felizmente não são todos assim. Pelo contrário, é crescente o número de jovens que querem e lutam por ter uma família bem constituída. A isso o Papa chama de “boa notícia” que anima a Igreja. O papa pede que toda a comunidade eclesial se preocupe com os jovens. E ele próprio, colocando este nome no documento, A Alegria do Amor, quer apresentar a família não como um problema, uma instituição em crise ou um ideal ultrapassado, mas sim, como um caminho feliz, de alegria e realização.
  1. Acompanhar os jovens – “Devemos ser humildes e realistas: a nossa maneira de apresentar as convicções cristãs ajudaram a provocar o que estamos a lamentar” (AL,36). Antes de buscar as causas do afastamento do matrimônio nas razões externas, o Papa convida a todos a bater no peito. Não apresentamos as verdades da fé de forma atraente, alegre, vibrante, como são as coisas de Deus. No caso dos jovens casais, não fazemos um bom acompanhamento do seu amor. Apresentamos, por vezes, um ideal teológico do matrimônio demasiado abstrato, distante da situação concreta das famílias. Essa excessiva idealização, principalmente quando não se desperta a confiança na graça de Deus, produz um efeito contrário: não faz com que o matrimônio se torne desejável e atraente, antes o contrário. 
  1. A cultura atual – “Podemos dizer que vivemos em uma cultura que impele os jovens a não formarem uma família, porque privam-nos de possibilidades para o futuro” (AL,40). Vivemos numa cultura de desperdício por parte de alguns e carência de uma grande maioria. O papa cita a realidade de muitos países onde os jovens adiam o casamento em função da pobreza, das dificuldades de emprego, das ideologias contrárias ao casamento e também pela experiência do fracasso. Precisamos encontrar palavras, motivações e testemunhos que toquem o íntimo dos jovens, onde são mais capazes de generosidade, de compromisso, de amor, e até mesmo de heroísmo, para convidá-los a aceitar com entusiasmo e coragem, o desafio do matrimônio. 
  1. O Estado e as políticas públicas – “O Estado tem a responsabilidade de criar as condições legislativas e laborais para garantir o futuro dos jovens e ajudá-los a realizar o seu projeto de formar uma família” (AL,43). O papa chama as atenções para o sério problema das leis e das políticas públicas que vão se introduzindo na sociedade e que destroem e desfiguram a família. Quando a economia é regida unicamente pelo lucro, o progresso se torna destrutivo para a natureza, e a dignidade da pessoa humana é aviltada. O Estado, quando não permite que as religiões se manifestem, faz com que os valores mais nobres do ser humano fiquem esquecidos, a convivência se degrada, a competição sem ética torna-se lei. A família é um grande remédio para todos esses males. Investindo no bem estar da família, o Estado estaria cumprindo melhor o seu papel, com grande lucro para a humanidade. 
  1. Pais e mães ausentes – “O sentimento de ser órfãos, que hoje experimentam muitas crianças e jovens é mais profundo do que pensamos” (AL,173) Francisco contempla bem os dois aspectos: muitos filhos longe das mães, em razão da necessidade do trabalho e, mais ainda, em função de um feminismo que por vezes se fecha ao exercício da maternidade. Também fala dos pais que em razão do trabalho demasiado, ou mesmo pelas separações e novas uniões, se tornam distantes dos filhos. Mãe é o melhor antídoto para o individualismo egoísta. Pai é sinal de segurança, de generoso impulso, de largo horizonte. Pais e mães podem hoje ajudar-se indistintamente em muitas tarefas, porém, a presença clara e bem definida das duas figuras, masculina e feminina, cria o ambiente mais adequado para o amadurecimento dos filhos. 

 

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Papa arranca risos de jovem brasileira durante encontro do Movimento Eucarístico Jovem (MEJ) no Vaticano
  1. Papel passado, pra quê? – “Quero dizer aos jovens que… o amor é de fato muito mais do que um consentimento externo ou uma forma de contrato matrimonial, mas é igualmente certo que a decisão de dar ao matrimônio uma configuração visível na sociedade mostra a seriedade da identificação com o outro” (131). Para muitos jovens, o importante é amar. Não há necessidade de formalizar um contrato, realizar um rito, assinar um papel. Muitos assim se esquivam de um compromisso definitivo e assim disfarçam o medo do futuro. O papa fala ternamente aos jovens que a formalização de um compromisso definitivo é a maneira de alguém exprimir que realmente abandonou o ninho materno para estabelecer novos laços, é uma afirmação de que o amor verdadeiro comporta riscos e que a pessoa escolhida merece ser amada incondicionalmente. A recusa de assumir tal compromisso é egoísta, interesseira e mesquinha, sinal de um amor enfermiço e vazio. O amor concretizado no matrimônio, contraído diante dos outros é um “sim” sem reservas nem restrições, capaz de durar para sempre.  
  1. Menos teoria e mais prática – “Aprender a amar alguém não é algo que se improvisa nem pode ser o objetivo de um breve curso antes da celebração do matrimônio” (AL, 208). A preparação para formar uma família acontece desde o nascimento. Deveria ser assim, que a própria vivência familiar ensinasse a criança, o adolescente e o jovem em suas escolhas e seus caminhos. No entanto, hoje em dia, isso não acontece assim. A tarefa de ensinar a amar é de toda a comunidade, através de um acompanhamento rico de proximidade e testemunho. Com antecedência, esse acompanhamento desde o tempo do namoro deverá mostrar os riscos das incompatibilidades, tratar as divergências para não empurra-las pra depois. Esses contatos deverão mostrar que a mera atração mútua não será suficiente para sustentar a união. O simples desejo é volúvel, precário e imprevisível. Uma união duradoura só acontece quando se descobrem outras motivações que conferem a este pacto reais condições de estabilidade. 
  1. Até que a morte separe – “Os futuros esposos, muito concentrados com o dia do casamento, esquecem que estão se preparando para um compromisso que dura a vida inteira” (AL, 215). O Papa Francisco assustou todo mundo com uma afirmação um pouco exagerada. Disse que, hoje em dia, a maioria dos casamentos eram nulos. Os jovens dizem sim para toda a vida, mas muitos não sabem o que isso significa. Tem boa vontade, porém a cultura de hoje valoriza o momento presente, não o futuro. E com isso, o consentimento, que é uma condição essencial para que o matrimônio seja válido, fica prejudicado. O próprio papa amenizou depois essa afirmação dizendo que não se trata da maioria, mas um grande número de casamentos. Esta afirmação do Papa, no entanto, nos deve por em alerta, tanto os jovens como os pastores e toda a comunidade da Igreja, chamada a se interessar pelo futuro das famílias. Formar as consciências tanto é uma tarefa pessoal de quem constrói sua vida, quanto um cuidado daqueles que devem acompanhar os jovens no caminho da construção de sua vida familiar. 
  1. Matrimônio e virgindade – “A virgindade tem um valor simbólico do amor que não necessita possuir o outro, refletindo assim a liberdade do Reino dos Céus.” (AL, 158). O papa Francisco se volta, num momento de sua reflexão sobre a família, para muitos que não se casaram, por circunstâncias ou por decisão. Dedicam-se ao cuidado da família, ou por vezes estão concentrados na vida profissional, ou mesmo não se casaram em vista de uma consagração religiosa. A Igreja, a sociedade e a família se sentem enriquecidas por essa dedicação. A virgindade, aquela buscada como forma de realizar plenamente a união com Cristo, é preciosa e é bela, pois é uma forma de amar. Não é mais sublime que o casamento, nem é inferior ou incompleta. São formas diferentes de realização de uma vida de amor. Podemos dizer que vida celibatária, consagrada à Deus é um serviço, uma ajuda ao matrimônio, na medida em que encarna uma fidelidade, talvez difícil, mas que é um valor para todas as vidas. Também o matrimônio fiel presta um serviço à vida consagrada quando enfrenta os desafios com coragem e lucidez. Ambos se completam, são formas de amar que engrandecem àqueles que escolhem, ou são escolhidos por Cristo, para viver este ou aquele dom, com integridade de coração. 
  1. Jovens e idosos – “Como eu gostaria de ver uma Igreja que desafia a cultura do descarte com a alegria transbordante de um novo abraço entre jovens e idosos” (AL, 191). Francisco muitas vezes se refere ao abandono que a cultura atual dedica aos idosos. Esse abandono nem sempre se traduz em maus tratos, mas é antes uma desimportância clara ao que dizem, à sua história, à sua sabedoria acumulada. Dá-se importância ao que é novo, ao inusitado, ao ainda não experimentado. Com essa mentalidade o mundo atual perde a grande chance de descobrir como se faz para permanecer unidos e amorosos os casais que convivem por quatro, cinco ou seis décadas. O papa quer aproximar jovens e idosos para que as novas gerações conheçam a beleza de um amor que venceu barreiras, amadureceu, deu frutos. Citando um versículo do profeta Joel (Jl, 3,1) o Papa afirma que “os idosos têm sonhos proféticos, eles podem fazer com que os jovens voltem a ter uma visão positiva do futuro”.

Ofereço ao BIO, e especialmente aos jovens, algumas das afirmações do Papa Francisco. São apenas 10 pensamentos colhidos no vasto jardim da Exortação do Papa Francisco sobre o Amor na Família. Eu gostaria muito que estas palavras despertassem nos jovens, nos casais, na igreja toda, o desejo de ler mais e conhecer mais este documento, a Amoris Laetitia, cujo conteúdo é tão atraente para todas as idades. Neste momento, em razão da Jornada Mundial da Juventude, nossa atenção está voltada ao que o Papa dirá aos jovens de todo o mundo, com sua habitual coragem e profetismo. Mas a Igreja do mundo inteiro, confiada por Cristo aos cuidados desse grande pastor, se sente de fato agraciada por sopro tão forte do Espírito, por um dom de Deus de valor incalculável, uma expressão tão concreta da misericórdia divina, que é o nosso Papa.  Seria bem verdade dizer que Deus tomou no colo a sua Igreja para protegê-la, nestes tempos de grandes convulsões no mundo, para recoloca-la no chão, mais adiante, com mais firmeza, com mais consciência, com mais amor.
Dom João Bosco, ofm
Bispo da Diocese de Osasco

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Coletânea pode ser acessada no youtube

 

O regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança, em formato digital, o conteúdo central da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, do papa Francisco.

O material está organizado em duas partes. A primeira delas aborda a visão pastoral e é apresentada, em 18 vídeos, pelo presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, dom João Bosco Barbosa de Sousa. Já a outra parte traz a visão jurídica, em 17 vídeos, com o canonista e secretário do regional Sul 2, dom Francisco Carlos Bach.

A coletânea é uma chave de leitura da Amoris Laetitia e foi preparada para ser compartilhada nas redes sociais e também para servir de apoio nos momentos de estudo em comunidades, paróquias e movimentos. Os vídeos podem ser assistidos em sequência ou individualmente.

O material é resultado do encontro com membros da Pastoral Familiar paranaense e padres coordenadores da Ação Evangelizadora, ocorrido em março, em Curitiba. Na ocasião, constatou-se a necessidade de traduzir em formato digital o conteúdo central da Amoris Laetitia.

A playlist está disponível no youtube e pode ser acessada e compartilhada pelo seguinte link:https://www.youtube.com/playlist?list=PLotYrxGR4ETky1OgScpp6-uWAotp-PBCz

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” Especial para Revista de Nossa Senhora do Sagrado Coração”

Quem não percebeu, e não se encantou com o sorriso simples e franco do Papa Francisco. Sua alegria tem uma fonte segura, a alegria do Evangelho: foi Jesus quem disse que veio ao mundo para nos trazer a alegria, e que seja uma alegria completa (Jo 15,11). O Papa Francisco quando escreveu sua primeira Exortação Apostólica, deu-lhe o nome de “A Alegria do Evangelho”. Agora, quando escreveu a segunda Exortação, sobre a Família, deu o nome de “A Alegria do Amor”. Amoris Laetitia é o nome em latim, para a gente guardar na memória, e no coração.

Amoris Laetitia é um documento diferente dos demais documentos da Igreja: a linguagem é leve e fluente como uma conversa de pai. Seu estilo não é aquele dos doutores que desenvolvem conceitos de forma estruturada e fria. Ele escreve com o coração. Os temas mais importantes vão e voltam, parece que o papa quer vencer as resistências, insistindo nos pontos principais. Torna-se assim um documento leve e solto, de agradável leitura. Como num espelho, vão passando diante dos nossos olhos as situações cotidianas, as alegrias e também os desafios da vida familiar.

Não se engane o leitor, não se trata de uma conversa simplória e superficial. Ao contrário, sob a linguagem leve e mansa, o Papa desenha claramente o desejo de Deus sobre a família, compara com a realidade dolorosa de muitas famílias, convoca toda a Igreja diante da exigente tarefa de reconstruir as famílias desfeitas e as vidas feridas, como um serviço à humanidade.

Uma especial atenção o Papa dedica aos casais marcados pela fragilidade, os casais que se encontram em situação irregular perante as normas da Igreja, aqueles que fracassaram no matrimônio e buscaram uma nova união, aos pais e aos filhos que carregam marcas visíveis de sofrimento e de abandono. Até se esperava que o Papa, diante dessas situações tão frequentes hoje, trouxesse alguma mudança nas normas da Igreja. Isso ele não fez, em perfeita fidelidade ao Evangelho e ao magistério perene da Igreja. Mas escancarou as portas da misericórdia: ninguém pode ser excluído do amor maternal da Igreja, ninguém pode ser condenado ou discriminado, mas deve se sentir acolhido, respeitado, acompanhado para que possa crescer no amor e na vida com Deus que é Pai de toda a família humana.

É assim com misericórdia que devem agir todos os discípulos de Cristo.  Convido o leitor a percorrer as páginas da Exortação Apostólica, com o coração jubiloso, caso tenha uma família feliz, carregado de esperança, se a família estiver atravessando um momento difícil, com um desejo intenso de sair à procura de quem necessita de uma palavra de fé, caso tenha um coração missionário. Para todos nós, pastores, casais, cristãos atuantes ou afastados, o Papa tem, nesta palavra de Pai e Pastor de toda a Igreja, um ensinamento sólido, que vale a pena ser conhecido sem pressa, página por página, que vem trazer aos corações a alegria plena que Cristo entregou aos seus primeiros discípulos e a nós.

Dom João Bosco, ofm
Bispo de Osasco e Presidente da Comissão Vida e Família da CNBB

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Foto: CNBB

Na última sexta-feira, dia 08, a Igreja Católica apresentou a Exortação Apostólica “Amoris laetitia” (AL), traduzida como “A alegria do amor”. Aonde o Papa Francisco apresenta sínteses e resultados dos dois Sínodos convocados por ele, em 2014 e 2015, cujo tema central era a Família.

Dom João Bosco, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, concedeu entrevista ao jornalista Rômullo Dawid da Pascom Pedro e Paulo da Diocese de Osasco.  O bispo falou um pouco sobre o documento, que contém nove capítulos e mais de 300 parágrafos.

[Pascom] Como a igreja do Brasil,  através dos seus bispos reunidos na AG, receberam a Exortação “A alegria do amor”?

Dom João: A acolhida foi muito boa, pois já tínhamos uma ideia do que seria o documento. Embora o tempo da Assembléia seja muito escasso, tivemos oportunidade de comentar entre nós bispos e está previsto um momento para que a Comissão de Doutrina da CNBB possa fazer uma apresentação do conteúdo teológico do texto para todos os bispos. Houve uma coletiva de imprensa, onde dom Odilo foi encarregado de explicar para os meios de comunicação o conteúdo básico da Exortação, sua novidade, e temas mais abrangentes.

[Pascom] O Brasil é um país de uma cultura diversificada. De que forma tal cultura pode ajudar e influenciar na busca de soluções para questões problemáticas do tema?

Dom João: O Papa faz uma boa reflexão sobre a inculturação, ou seja, a busca de soluções adequadas a cada realidade e à diversidade de características de cada país. Problemas tão complexos e diversos não podem ser resolvidos com uma só medida ou um ensinamento do magistério da Igreja. É preciso acompanhar, respeitar as diferentes situações, ouvir, aproximar-se das pessoas, fazer um caminho gradual, integrar. Penso que a diversidade de culturas, dentro do nosso país pode ajudar a encontrar soluções realistas, como o Papa deseja, para cada situação.

[Pascom] No número 202 da AL o Papa aponta a necessidade de formação dos padres em lidar com problemas atuais da família. Quais formações são necessárias?

Dom João: Uma das novidades desta Exortação é que o papa não quer resolver sozinho todas as questões, como se tivesse solução pra tudo. Ele com humildade e confiança, deixa muitas questões em aberto, e confia nos bispos e nos sacerdotes para que busquem essas soluções, com misericórdia. Ele dá as linhas gerais: acolher a todos, não excluir, ir ao extremo do cuidado e do amor. Mas as soluções concretas, o padre, o bispo, as famílias, devem procurar no diálogo, no respeito e na oração. Corre-se o risco de permanecer na superfície, banalizar, tomar atalhos fáceis. Por isso a necessidade da formação, da unidade nos critérios, do aprofundamento no confronto com a Palavra de Deus também por parte dos padres e bispos.

[Pascom] O papa escreve por diversas vezes que a família não é uma realidade perfeita, mas em construção. De que a forma a igreja pode ajudar no “progressivo amadurecimento” da família?

Dom João: Dizer que nenhuma família é perfeita, é um ponto de partida interessante. Ninguém se sinta excluído por ter dificuldades familiares. Ele completa que essa constatação não deve tirar a nossa esperança. A Igreja pode mostrar-se misericordiosa com quem não vive completamente regular.
Porém a Igreja sempre irá apresentar como caminho a medida alta da santidade. Não vai apresentar um ideal diminuído pela nossa incapacidade de realizar tudo. Em alguns momentos ele fala de gradualidade: se não é possível o ótimo, vamos nos alegrar com o bom, porém sem acomodar, sempre buscando o mais perfeito.

[Pascom] Como a família pode ser um sujeito da evangelização?

Dom João: Quanto a família ser sujeito da evangelização, essa expressão é bonita: Ela não apenas recebe a instrução da Igreja. Ela é Igreja doméstica. Ela aprende e ensina. Ela está presente no quotidiano do mundo que só será transformado num mundo de amor, a partir do amor, do cuidado, da misericórdia.