Leigos, discípulos missionários, a serviço do Reino

0 291

Um ano todo dedicado aos leigos e leigas

Esta é a proposta da CNBB, o Ano do Laicato terá início já no próximo dia 26 de novembro, Festa de Cristo Rei, estendendo-se até a mesma festa em 2018. Quem visitar uma de nossas comunidades vai perceber a vitalidade e o empenho dos nossos leigos, participando da liturgia, das atividades pastorais, dos movimentos e associações. Os mesmos leigos e leigas estão vivendo a sua fé cristã nas famílias, estão no mundo do trabalho, nas organizações da sociedade. Cristãos leigos e leigas testemunham os valores do Evangelho também no mundo econômico e político, trabalham para que Reino de Cristo aconteça no mundo, transformando as relações pessoais, semeando a justiça e, fazendo valer no mundo o mandamento do amor, assim, eles apontam para a esperança do Reino definitivo, o céu.

Leigos e leigas assumem esse compromisso no dia do batismo. São eles a maioria do povo de Deus. Sem os leigos, o evangelho não chega ao coração do mundo, Cristo não reina, a Vida perde espaço para o desespero e a morte. No anúncio e no testemunho do Evangelho, os leigos são sujeitos, capazes de levar Jesus Cristo a todos os recantos da terra.

doc 105 cnbbA missão dos leigos e leigas foi o tema da 80ª Assembleia dos Bispos de todo o Estado de São Paulo. O tema escolhido reflete o longo trajeto de estudos, realizado pela Igreja do Brasil, que teve como fruto o documento 105, “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade”, aprovado na 54ª Assembleia Geral da CNBB, no ano passado.. Ali se acentua que o leigo é membro do corpo de Cristo Jesus, responsável pela evangelização, sendo fermento, sal da terra e luz do mundo. Esse documento vem fazendo crescer a consciência da missão do Laicato em todo o Brasil e, sem duvida, o Ano do Laicato, proposto pela CNBB virá abrir ainda mais as mentes e os corações, na                                                                                        Igreja, para uma participação mais viva e consciente.

O leigo é um dom para a igreja

Foto: Aloisio Mauricio. Caminhada contra o aborto – Comissão Diocesana Bioética

Foi o Concílio Vaticano II quem trouxe para os dias de hoje esta nova visão do leigo, há pouco mais de cinquenta anos. Os leigos tiveram um papel essencial no crescimento da Igreja no início do cristianismo, saindo da periferia do mundo, a Judéia, e se espalhando por todo o Império Romano. Eram perseguidos, expulsos dos lugares públicos, martirizados, mas não deixavam de dar testemunho de sua fé, atraindo uma multidão de novos cristãos. Terminado esse período de perseguições, o cristianismo se torna religião oficial do Império, e o clero e os monges assumem todos os ministérios, sobrando aos leigos apenas o papel de ouvir e seguir passivamente a hierarquia. Essa situação perdurou, com algumas variações, até os dias do Vaticano II. O Concílio, através da Constituição Dogmática Lumen Gentium e um documento especial sobre o Laicato, chamado Apostolicam Actuositatem, devolveu ao leigo o papel de sujeito na Igreja. Unido ao Clero, o Laicato tem o seu lugar fundamental e decisivo, querido por Cristo desde o início, e desfigurado através da história. Vinte anos após o Concílio, um novo documento, escrito pelo Papa São João Paulo II, a Exortação Christifideles Laici, trouxe novamente à luz esse tema, firmando o passo nos avanços alcançados e possibilitando novas aberturas de consciência para que o Laicato se revele como verdadeiro dom de Deus para a Igreja. Justamente agora, na comemoração dos 30 anos da Christifideles laici, o Ano do Laicato nos possibilita viver intensamente essa conquista.

Os leigos na Diocese de Osasco

Antes de ser diocese, Osasco pertencia à Arquidiocese de São Paulo, que foi pioneira na aplicação das lições do Concílio. Destacou-se, sobretudo, nas ações do Laicato. E não é sem razão que Osasco, e os municípios que formaram a nova diocese, com a força e a tradição das famílias católicas de migrantes,  tivesse também muito vigoroso o braço leigo,  expresso na Pastoral Operária, na luta pelos direitos humanos, no espírito das Comunidades de Base, nos ministérios leigos que faziam face à escassez de sacerdotes, na Catequese que teve expressão nacional fortíssima. Tempos de estreita ligação entre fé e compromisso social. Vieram os novos movimentos, o crescimento do espírito missionário, o número de paróquias e comunidades cresceu, dobrou, como também o número de sacerdotes. O passar dos anos mostrou o vigor de algumas expressões laicais, bem como o declínio e o cansaço de outras. Vivemos hoje uma crise aguda e dolorosa das instituições e dos valores, como a família, a escola, o governo, a economia. A própria Igreja sofre com o abandono de muitos que se dizem sem religião, ou se encantam com outras propostas religiosas. Por isso é tempo oportuno de retomar a importância e a identidade dos leigos e leigas como sujeitos da ação evangelizadora e transformadora da sociedade. E isso vai acontecer no Ano do Laicato.

O Ano do Laicato em nossa diocese

pastoral carceraria
Missa de Natal nos presídios – Pastoral Carcerária – 2016

O documento 105, da CNBB, que tem como título “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do mundo” está aí para nos ajudar a viver bem o tempo presente.  É um documento extenso e muito rico de motivações e sugestões. Na última Assembleia dos Bispos do Regional Sul 1 esse documento serviu de guia para o tema central do encontro. Também a próxima Assembleia das Igrejas, no final de outubro servirá para aprofundar o tema e preparar o Ano do Laicato em todas as dioceses. Mas podemos começar desde agora: aqui em Osasco temos uma situação peculiar: as atividades dos leigos estão organizadas em três setores: a Pastoral Social, os Movimentos e Associações, e a Pastoral Paroquial e Missionária. A proposta é que cada setor escolha cinco leigos participantes para constituir um grupo de estudos e aprofundar o conhecimento do documento 105, esse é o primeiro passo. Cinco leigos dos Movimentos e Associações, outros cinco das Pastorais Paroquiais e Ação Missionária, outros cinco da Pastoral Social, juntamente com os padres desses setores, poderão formular um projeto para o Ano do Laicato que contenha eventos, seminários e conferências, datas especiais diocesanas, celebrações litúrgicas, material para catequese infantil, jovens, movimentos e pastorais.  Poderíamos, então, constituir um Conselho Diocesano de Leigos assim abrangente como fruto o Ano do Laicato? O conselho de Leigos, no passado, se tornou muitas vezes restrito aos aspectos sociais e, por vezes, até limitado em suas ações. Já um Conselho Diocesano de Leigos que contemple os três setores da Ação Evangelizadora, isto seria um avanço para ser comemorado. Vamos apostar? Que venha, e seja bem fecundo entre nós, o Ano do Laicato.

Dom João Bosco, ofm
Bispo Diocesano de Osasco

Sem comentários

Deixe um comentário

*