A Mãe de Deus nos visitou, vamos à sua casa para agradecer!

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No próximo dia 6 de maio, nossas comunidades irão ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Seremos milhares de irmãos reunidos na casa da Mãe de Deus e Mãe de todos os brasileiros, a Virgem Aparecida Mãe de Deus.

Exatamente há um ano, na romaria do ano passado, recebemos a imagem peregrina de Maria. Ela ganhou um lindo andor de madeira. Passou por todas as nossas paróquias e comunidades, andou pelas ruas, escutou nossas preces, nossos cânticos, visitou enfermos, despertou no coração de todos um amor muito grande, fez crescer o desejo de servir melhor a seu Filho. Foram muitos quilômetros de estrada, procissões, lágrimas sofridas, e sorrisos de alegria. Agora nos preparamos para retorná-la ao Santuário Nacional, com mais de 20 mil peregrinos da diocese de Osasco, e outros tantos ficarão acompanhando pela TV, agradecendo por este ano todo de festas, pelos 300 anos da Mãe Aparecida, pelas graças recebidas, pelas bençãos derramadas. E sabemos que ela não se afastará mais de nós, e sempre estaremos com ela e com seu Filho divino.

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Romaria Diocesana ao Santuário de Aparecida / maio 2016.

Maria ama os pobres
Quem conhece o início desta história tem dificuldade para explicar: como é que aconteceu que aqueles pescadores pobres, ao encontrar uma imagem quebrada, suja da lama do rio, transformassem suas pobres orações nesse imenso movimento com mais de duzentos, trezentos mil romeiros todas as semanas, na imensa Basílica Nacional, ainda inacabada, e tantas histórias de milagres, de conversões, de superação e de graças? Como explicar a paixão do brasileiro, que vêm dos recantos mais distantes, lá onde nem a Santa Missa é celebrada com frequência, mas onde a imagem de Aparecida é venerada e garante a fidelidade ao Evangelho de Cristo e à doutrina da Igreja Católica, guardando as famílias na sua fé simples e santa? São perguntas que embaraçam os sociólogos e os cientistas da religião, mas são de fácil resposta por parte de um povo que enfrenta o peso da vida, da pobreza, da enfermidade, da sobrevivência, sem ter muitas vezes outro recurso senão a fé simples, a confiança na intercessão da Mãe do Divino Amor. A Senhora Aparecida, desde o início, mostrou seu amor aos mais pobres e sofredores. Foram eles que a recolheram e agasalharam; ela se deixou amar por eles, abriu-lhes os segredos do coração de seu Filho, aquele que louva o Pai, por revelar seus segredos aos pequenos, aos humildes (Lc 10,21).

Maria nos acompanha em toda a nossa vida de fé

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Aparição de Nossa Senhora de Guadalupe a Juan Diego, no México.

Não é mera coincidência que todos os países da Nossa América Latina tenham Nossa Senhora por padroeira, com os mais diversos títulos. Na história desses países sempre encontramos a devoção a Maria ligada a acontecimentos da vida dos indígenas, dos negros, dos pobres. Histórias de gente humilde como índio Juan Diego, no México, como o mestiço Plácido em Belém do Pará, ou os três pescadores de Aparecida, que passaram toda a noite sem nada pescar, e ao encontrar a pequena imagem nas águas do Rio Paraíba, tiveram uma pesca abundante. Significativo é o relato do milagre do negro Zacarias, escravo fugitivo que foi recapturado e estava sendo arrastado de volta para a fazenda com muitas chicotadas. Ao passar pela pequena ermida de Nossa Senhora, pediu ele ao Capitão que o trazia preso em grossas correntes: queria parar em frente à Santa para rezar. Durante a oração, suas correntes milagrosamente caíram e ele saiu em liberdade. Maria não se colocou ao lado dos fazendeiros do Café, donos de escravos, mas ao lado de Zacarias, pondo em prática a sua afirmação de que Deus “derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes” (Lc 1,52).

Nosso socorro para além de toda esperança

A predileção de Maria pelos pobres não tem nada de exclusão. Mãe não exclui nenhum de seus filhos. A sua atenção pelos pobres também não tem nenhum viés ideológico de esquerda política. Estamos todos incluídos no amor de Maria, porque somos todos pobres e carentes da graça divina. Só não sabem disso os orgulhosos, os prepotentes, os que escravizam os outros ou cultuam a si mesmos. Nós, ao contrário, estamos em situação semelhante à do escravo Zacarias: ele tinha grossas correntes, seu único recurso era chorar, ou recorrer à Mãe de Deus. Nós também temos correntes grossas assim: é como se sente um pai desempregado, é a dor que experimenta uma família quando assolada pela violência. A quem recorrer quando não existe atendimento mínimo à saúde? A quem recorrer quando a corrupção das empresas e dos políticos suga os recursos que deveriam ser empregados para diminuir o sofrimento dos pobres? Riem-se, como faziam os senhores de escravos, aqueles que aumentam os seu próprios salários, aqueles que vendem mercadoria estragada para lucrar mais, aqueles que mudam as leis  da aposentadoria relegando os idosos ao abandono, deixando os trabalhadores rurais e outros grupos vulneráveis sem o menor socorro, enquanto suas próprias aposentadorias são de marajás. Como nos precaver dos que fazem o tráfico de pessoas, o tráfico de armas, o tráfico de drogas, ou que ensinam imoralidades nas escolas, os que danificam a natureza? Mãe querida, precisamos parar diante de vossa ermida, com toda a fé, para aprendermos a ser unidos na esperança, solidários na carência, ativos na defesa da vida mais frágil, dispostos a cooperar com o Reino de vosso Filho amado.

Vamos à casa da Mãe Aparecida

A diocese de Osasco completa em maio 28 anos. É nessa ocasião que iremos em romaria ao Santuário Nacional de Aparecida. Temos muitos pedidos a fazer. Mas temos muito mais que agradecer. Durante este último ano, de maio a maio, ela veio à nossa casa, ouviu nossas preces, enxugou nossas lágrimas, passou pelos leitos dos hospitais, pelos presídios, pelas escolas, pelas repartições públicas, pelos campos e pelas ruas das cidades. Não foram poucos os relatos de graças recebidas. Iremos dizer a ela que fique conosco para sempre. Que nos ensine a ouvir seu Filho, que nos ajude a manter nossa fé e nossos valores da vida familiar. Em casa, teremos sempre um lugar especial para ela. Com seu amor, seguiremos mais firmes no caminho do Evangelho, na construção de um mundo novo de paz.

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Dom João recebendo a Imagem Peregrina durante Romaria em Aparecida / mai 2016

 

 

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano de Osasco

 

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