ELEIÇÕES 2016: Candidatos, Partidos e Programas visitam as nossas comunidades

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Novembro 2015

Prezados irmãos do clero e fiéis de Osasco,
Paz e Comunhão em Cristo!

Embora falte ainda quase um ano, todos estamos sentindo crescer a movimentação em torno das eleições de 2016. Por serem municipais e, portanto, mais próximas dos eleitores, ela se torna mais aguerrida. Em nossas comunidades há pré-candidatos que se apresentam, muitos estão entre as nossas lideranças, mostram os seus propósitos e esperam que a comunidade os apoie. A pedido de muitos padres, o Colégio de Consultores refletiu sobre o assunto. Com simplicidade partilho com todos a nossa reflexão. Pensamos que haverá, como todos os anos, uma cartilha de conscientização para o trabalho com o povo. No entanto, alguns pontos precisam ficar claros entre nós, pois já estão movimentando as nossas comunidades.

1. A política partidária em tempos de crise – Estamos vivendo uma crise político-institucional e uma crise econômica que afetam muito a vida de todos nós e tudo indica que são de longo prazo. As investigações e notícias sobre corrupção geram descredito quanto aos atores da vida pública e partidos. Nesse contexto, o embate eleitoral se torna mais acentuado e o tom da disputa muitas vezes se torna ácido. As contradições e jogo bruto do plano nacional acaba se reproduzindo no plano municipal. O risco é sempre de divisões e confrontos que deixam fortes sequelas na vida comunitária e, por isso, devem ser objeto de cuidadosa atenção.

2. A posição da Igreja – Enquanto instituição, a Igreja católica valoriza a atividade política e tudo o que diz respeito à cidadania. Ela não foge da política, porém, não se filia a partidos nem adota candidatos. O clero não se candidata a cargos políticos por entender que um padre ou diácono é muito mais necessário à comunidade no seu ministério, para promover a comunhão, mais do que se defendesse uma parte, um partido. Entende a Igreja, no entanto, que a política partidária é campo dos leigos que se sentem vocacionados para esta missão. E é um fato: nas nossas comunidades estão presentes pré-candidatos que são catequistas, ministros, membros dos conselhos e outras lideranças. Os movimentos se articulam em torno deste ou daquele nome. O modo como outras religiões apoiam os seus candidatos nos faz entender que é necessário e vantajoso fazer o mesmo, caso contrário perdemos espaço na vida pública e ganhamos consequências péssimas para a nossa igreja. Somos mais numerosos estatisticamente, mas, temos a impressão de ser um gigante adormecido, apanhamos feio no resultado final das urnas, com relação outros grupos de interesse. Existe a bancada da bola, do boi, da bíblia, da bala, e até do gênero. Não poderíamos ter uma bancada católica mais visível e atuante?eleicao-2016

3. Então, por que não? – Nós sabemos, sim, o porquê, mas vamos reafirmá-lo, para termos a mesma linguagem entre nós, clero e fiéis leigos:
a) O motivo para um leigo cristão se candidatar não pode ser o interesse pelo poder ou o ganho pessoal, a vocação à política não pode estar nem mesmo atrelada aos interesses da Igreja. Se o bem comum, a caridade social, o horizonte amplo do serviço a todos não for o objetivo de um candidato cristão, não vai se diferenciar daqueles que se deixam corromper por vantagens de qualquer natureza. Será que os candidatos que se apresentam nas nossas comunidades passariam por esse primeiro critério da vocação à política?
b) O presbítero, o ministro, o catequista, em sua função ministerial, falam sempre aquilo que Deus quer que se fale a todas as pessoas. Isso tem uma força de convicção muito grande. Não se usa o microfone, reuniões da comunidade, dependências da Igreja, condição de presbítero, diácono, ministro, o que quer que seja, para privilegiar uma parte (partido) ou pessoa, em detrimento de outra. Isso cria divisão. Isso põe em risco a credibilidade da Palavra a quem servimos. As consciências mais débeis não distinguem o que é uma opinião pessoal do padre, daquilo que é verdade a ser acreditada. Ou dá motivos para duvidar ou não aceitar o que deve ser tido como verdade. Como pode o padre ser sinal de unidade se é ele mesmo quem divide?
c) Mas, então, o padre, o ministro, o catequista, como cidadãos, não pode ter sua opinião, não pode manifestá-la? Claro, como cidadão deve ter sua opinião bem formada. Pode manifestar aos amigos, sem problema. Mas não pode usar a função, o ministério. E um leigo, caso seja candidato, é bom que não fique em evidência. Que seja orientado para não ultrapassar esse limite.
d) As redes sociais merecem um cuidado especial, hoje em dia. Especialmente no caso dos padres, é bom lembrar: redes sociais são espaços públicos. Um simples banner postado, ou uma opinião ou crítica, logo suscita resposta, quando não, conflitos e divisões. Evitar fotos com candidatos, discussões públicas, identificação nos veículos, são sinais dessa postura construtiva e de respeito ao dom da unidade eclesial. Todo cuidado é pouco. A experiência mostra que as campanhas passam. As mágoas ficam por muitos anos, por vezes de forma irremediável.
e) Outro cuidado: as doações, favores e benefícios. Há comunidades que prometem votos a um candidato, em troca de alguma doação ou influência. Cuidado com a lei 9840, que foi uma conquista da nossa Igreja: a compra de voto não se caracteriza apenas pela distribuição de dinheiro ou cesta básica. Qualquer bem, ou favor, ou promessa pode ser objeto de punição.
f) Neste tempo de pré-candidatos, é bom alertar para o que significam as eleições proporcionais: há sempre o risco de se promover um candidato da comunidade e ver depois os votos migrarem para outros que não são próximos nem comprometidos com a Igreja, ou até contrários a ela.
g) E os debates, e reuniões com partidos no espaço da Igreja, isso pode? Ainda é cedo para essas atividades. Porém mais próximo das eleições é comum acontecer. As regras devem ser de comum acordo entre todos os partidos e em iguais condições, é o que diz a lei.

4. O respeito à consciência de cada eleitor, o cultivo da comunhão na comunidade eclesial, a conscientização para a liberdade e a democracia, o respeito às leis e à igualdade de direitos, são valores que não podem ser negociados. Outros o fazem, por certo, mas isso não libera a nossa consciência para fazer o mesmo. Positivamente, defender valores, apresentar critérios, comparar propostas com a verdade do evangelho, lançar sementes do Reino é tudo o que queremos.

Que Deus nos ajude a ter prudência e amor.
Dom João Bosco, ofm e Colégio de Consultores Diocesanos

 

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