Conselho Diocesano inicia o planejamento da Ação Evangelizadora com vistas a 2014

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ENCONTRO DO CDAE

Quando o Pe. Joviano Salvatti, Coordenador Diocesano da Ação Evangelizadora, fez a acolhida dos representantes das Paróquias junto ao CDAE, no último dia 8 de setembro, na Casa de Formação Cristã, pudemos ver que os quase cem leigos, membros dos Conselhos Paroquiais, ali estavam, de fato, empenhados no processo de iniciar a revisão e planejamento da ação evangelizadora da Diocese e caminhar em comunhão. Apenas três paróquias não estavam representadas e logo comunicaram as circunstâncias que as impediram de estar presentes. O eixo da reflexão deste ano, proposto pela Igreja, é este: “Comunidade de Comunidades, uma Nova Paróquia”. (CNBB, doc. 104).

Lembrei-me da palavra do papa Francisco, no Rio de Janeiro, descrevendo o que é a “conversão pastoral” proposta por Aparecida: entre outros pontos, ele insistia na “valorização dos leigos e sua participação nas decisões e nos caminhos da Igreja”. Pois foi o que aconteceu neste último dia 8 de setembro.

O tema “Comunidade de Comunidades” já esteve presente na Assembleia Diocesana de 2013, antecipando a publicação do documento 104, e abrindo o debate sobre a 4ª urgência das Diretrizes Gerais. Durante este ano, o documento foi entregue ao clero e estudado nas Paróquias e Movimentos. A próxima etapa é concretizar na vida paroquial as inspirações do documento.

E qual a proposta para renovar a vida paroquial?

A paróquia envelheceu, nesses quase 20 séculos, na medida em que foi perdendo a sua origem “caseira”, familiar, construtora de relações de proximidade. Foi-se tornando, para a maioria, apenas um lugar de culto e de sacramentos, ou encontro de multidões anônimas, sem vida comunitária. A Paróquia, em sua versão original, garantia ao cristão:

a) a vida comunitária, com fortes laços afetivos, entreajuda na caridade;

b) a instrução de qualidade, com um conhecimento profundo da Palavra de Deus e da doutrina, principalmente, junto aos mais jovens e crianças;

c) o testemunho de fé, que servia de estímulo aos novos cristãos; alimentava a missão e a profecia, preparava os cristãos até para o martírio.

d) a solidariedade para com os necessitados – o serviço a esses irmãos consumia o melhor dos esforços e recursos da comunidade, para que todos tivessem vida.

e) uma liturgia festiva e envolvente – proporcionava ao cristão uma verdadeira experiência da presença de Cristo ressuscitado na comunidade.

É fácil perceber que houve uma certa redução da vida Paroquial, quase somente à última dimensão, a liturgia. Muitos cristãos, hoje, assim se contentam em participar da liturgia, e dão por completa a sua vida religiosa. Se acham que isso é suficiente, não se admira que muitos prefiram “assistir” à missa na TV, mesmo sem eucaristia, ou viajar de vez em quando para os grandes santuários, sem assumir compromissos com a comunidade local. Estes procuram a Paróquia só na ocasião em que precisam dos sacramentos e, claro, reclamam dos cursinhos, da falta de atendimento, das muitas ocupações do padre, responsável último por todos os serviços, pela administração, pela multiplicidade de celebrações, sem tempo para mais nada.

Progressos foram feitos, o que falta?

Os participantes do Encontro com o CDAE, após uma breve memória da 4ª urgência do Plano Diocesano, dedicaram-se em responder, por setores, que perfil de paróquia emerge dessas reflexões e o que ainda existe nas nossas paróquias que não corresponde à paróquia renovada.

O quadro apontado refletiu bastante a Leitura Orante, que foi feita no início, a partir dos Atos dos Apóstolos (At 2, 42-47). Queremos uma paróquia acolhedora, centrada na pessoa de Jesus Cristo e na Escritura, na Eucaristia, nos pequenos grupos de vivência, uma Paróquia preocupada com os necessitados, com os mais afastados, e com o crescimento na fé.

O que não corresponde são os grupos fechados: conselhos, movimentos e pastorais que não se renovam. Ainda há medo do novo, preocupação apenas com estruturas, falta de acolhida e pouca preocupação com os afastados e excluídos. Foram essas algumas expressões dos grupos.

Assembleia Paroquial, para partilha e planejamento

Os participantes do encontro do CDAE levaram para suas paróquias a tarefa de preparar, juntamente com o Pároco e Conselho Paroquial, um encontro com todas as lideranças da Paróquia. Algumas paróquias já têm o costume de fazer uma assembleia antes do final do ano, ou uma reunião do CPAE, com a finalidade de planejar as datas de festas e eventos paroquiais. Pode ser aproveitado esse momento, sim, para formar o calendário paroquial, mas o pedido é um pouco mais amplo, e para todas as paróquias.

a) O Pároco e os participantes deste encontro do CDAE preparem uma assembleia paroquial, bem avisada, representativa, e motivada para o trabalho em comunhão.

b) Sejam convidadas para esta assembleia os membros do CPAE e outras lideranças (ministros, catequistas, zeladores de Capelinhas, coordenações de movimentos, Conselhos das capelas.)

c) Reservar tempo suficiente para um bom momento de oração em torno da Palavra.

d) Fazer cópia do cap. IV do documento “Comunidade de Comunidades: Uma nova Paróquia” para ser estudado de forma conveniente.

e) Responder com ampla participação a seguinte questão: A partir deste capítulo, que caminhos a sua paróquia sugere para que toda a Diocese possa assumir?

f) As respostas deverão ser entregues à Coordenação da Ação Evangelizadora até a reunião do Clero do mês de novembro – (28/11) – impreterivelmente.

Quero lembrar, ainda, neste contexto de assembleia paroquial e diocesana, que no final deste mês de setembro acontece, em Maringá, o encontro de todas as dioceses do Paraná. A Assembleia do povo de Deus, como é chamada, terá cinco participantes de cada Diocese. Também lá, a reflexão será a partir do texto da CNBB, Comunidade de Comunidades. Renovar as paróquias, embora seja uma tarefa urgente, não é exatamente uma tarefa fácil. Muitas tentativas foram feitas no decorrer dos séculos, e sempre houve grande resistência. A esperança que se configura agora não vem da teimosia, mas da necessidade. O papa Francisco fala num de seus discursos no Rio de Janeiro, de algumas “tentações” que precisam ser vencidas nos dias de hoje. Quem sabe, essa tão antiga resistência à Renovação Paroquial, seja uma daquelas tentações que só serão vencidas, como diz Jesus no Evangelho (Mt 17,21), com muito jejum e oração. Façamo-lo, então.

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