Para reavivar a fé e evangelizar com novo entusiasmo em um mundo em grandes mudanças

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Neste mês de outubro, nosso olhar se volta para Roma, onde o Papa reúne os bispos de todo o mundo escolhidos para o Sínodo, com uma tarefa imensamente grande: ouvir as sugestões que partem do mundo inteiro e apontar caminhos para uma retomada forte da evangelização, tarefa mais importante da Igreja. Este Sínodo, de 7 a 28 de outubro, tem como tema: “A Nova Evangelização para a Transmissão da Fé Cristã”.

Como acontece o Sínodo?

Um Sínodo, a própria palavra diz isso (do grego: “syn”= convergência e “odós”= caminho), é um momento de reflexão sobre um tema proposto pelo Papa. Mas esta reflexão começa em todos os países, nas Conferências Episcopais. Tudo isso é resumido num texto chamado “Instrumento de Trabalho”, que serve de base para o debate entre os cardeais e bispos. O Papa participa de todos esses momentos e, depois, escreve um documento chamado “Exortação Pós-Sinodal”, este sim, uma síntese, uma convergência de caminhos que tem um valor muito grande para iluminar os passos da Igreja, no mundo inteiro. É verdadeira obra do Espírito Santo, a unidade desse grande corpo, a Igreja. É fácil imaginar que sem a ação misteriosa do Espírito de Deus, a Igreja logo se repartiria em milhares de pedaços, e se tornaria logo uma grande “babel”. Com a ação do Espírito, a Igreja não só mantém a sua forte unidade, mas vai até mesmo atraindo e curando as feridas de antigas separações que geraram as muitas pequenas igrejas que conservam o nome cristão.

Os Sínodos após o Vaticano II

Os sínodos acontecem na Igreja desde os primeiros séculos, mas esta é a decima terceira edição do Sínodo Ordinário, desde que foi restaurado pelo Papa Paulo VI, após o Concílio Vaticano II. Desde 1967, os Sínodos ordinários acontecem a cada três ou quatro anos em média, sempre por iniciativa pessoal do Papa.  Os temas também são escolhidos pelo Santo Padre, e sempre de grande relevância para a ação pastoral da Igreja. Cito alguns, como exemplo:

– O 3º Sínodo, em 1974, foi o último do Papa Paulo VI, resultou na “Evangelii Nuntiandi”, exortação que deu novo impulso evangelizador à Igreja.

– O 5º Sínodo, em 1980, já com João Paulo II, foi sobre a Família, e resultou na “Familiaris Consortio”, que até agora é o documento mais completo para orientação da Pastoral Familiar.

– O 7º Sínodo, em 1987, tratou da missão dos Leigos, e teve como exortação final a “Christifidelis Laici”, de grande influência na vida e desenviolvimento do laicato.

– Já no tempo de Bento XVI, o 11º Sínodo, em 2005, foi sobre a Eucaristia, e o 12º Sínodo, em 2008, sobre a Palavra de Deus, que resultaram nas exortações “Sacramentum Caritatis” e Verbum Domini. Podemos sentir, por essas últimas, o quanto são importantes para a vida da Igreja esses grandes momentos de reflexão e aprofundamento da doutrina e da prática pastoral.

Convergência de Caminhos

O 13º Sínodo que acontece neste mês de outubro, a meu ver, mais que os anteriores, se apresenta como uma “convergência de caminhos”. De alguma forma ele é um grande resumo desses cinquenta anos e esta é a sua importância. Dou algumas razões para essa convergência:

– Estamos completando 50 anos e comemorando o jubileu áureo do Concílio. Foi o maior acontecimento da Igreja no século passado. Despertou a Igreja de um longo período de sonolência, colocou-a frente-a-frente com o mundo atual, trouxe percepções novas diante da reconfiguração do mundo, revolucionado por novas correntes de pensamento, a descristianização dos costumes, nova correlação de forças políticas, avanços na ciência, nas comunicações, gerando nova compreensão do ser humano.

– A própria compreensão do Concílio  não foi unívoca, despertou avanços e retrocessos, tendências progressistas e conservadoras, em meio a uma grande profusão de seitas e novas crenças, abandono de valores antes tidos como perenes, crescimento do ateísmo e de uma militância explícita contra a Igreja Católica e seus ensinamentos.

– o tema escolhido, a evangelização é bem central e, desde o Vaticano II, a Igreja deu passos firmes, como a Exortação de Paulo VI “Evangelii Nuntiandi” (A Evangelização no mundo contemporâneo), que já citei, a Encíclica “Redemptoris Missio”(Sobre a Validade Permanente do Mandato Missionário) e a Carta Apostólica “Novo Millenio Ineunte” (sobre o Grande Jubileu do Ano 2000), ambas de João Paulo II, que clareiam fortemente o caminho, em meio à complicada realidade religiosa e cultural do mundo de hoje.

– O Papa Bento XVI já deu início a essa grande síntese, adotando a expressão do Beato Papa João Paulo II, a “nova” evangelização, e criando um “Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização”. Citou como oportunidade para o novo Sínodo, a comemoração dos vinte anos do Catecismo da Igreja Católica, resumo atualizado de toda a tradição doutrinária da Igreja. Proclamou um “Ano da Fé” para que os fiéis de todo o mundo redescubram o sentido de “crer”.

– Relançar a Igreja num novo entusiasmo evangelizador, não é apenas um desejo do papa. Os pedidos que vieram de todas as conferências episcopais, de todos os cantos do mundo, mostram isso, e estão reunidos no Instrumento de Trabalho do Sínodo. Ali estão presentes os questionamentos das Igrejas diante do novo cenário cultural, social, econômico, político e científico da atualidade. Ali está o desafio das novas tecnologias de comunicação e o novo cenário do abandono da fé. É urgente responder, em conjunto, como viver a vida cristã nesses cenários, e como transmitir a fé para as gerações futuras.

Como Maria e os discípulos no Cenáculo

Ao redor de nossas mesas eucarísticas, na mesma expectativa em que estavam reunidos os discípulos, com Maria, no Cenáculo, olhamos para esta XIII Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, esperando um novo Pentecostes. Uma iluminação do Espírito Santo para nos indicar o caminho da evangelização. É com esta disposição que peço a todos os agentes da ação evangelizadora, conselhos, movimentos, grupos de reflexão bíblica e gente de todas as comunidades, que abracem com força o Ano da Fé, acompanhem as proposições do Sínodo, estejam dispostos a andar pelos caminhos da missão. Um novo brilho não tardará a chegar à nossa vida comunitária se atendermos ao apelo da Igreja rumo à Nova Evangelização.

A Semana Teológica e a Animação Bíblica de toda a Pastoral

Aguardando as proposições do Sínodo e também da Assembleia do Povo de Deus do Paraná (28 a 30 de setembro), as paróquias já estão em andamento com o Calendário paroquial do Ano da Fé, e com as ações das Equipes Missionárias Paroquiais. Uma nova reflexão foi aberta na diocese, a partir da Semana Teológica realizada nos primeiros dias de setembro, sob a orientação do Bispo de Palmas-Francisco Beltrão, Dom José Antônio Peruzzo: a reflexão foi em torno do Documento da CNBB nº 97, “Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja”. Desse estudo, surgiram motivações que deverão ser compartilhadas pelo clero, com as comunidades.

A proposta deste documento é tornar concreta uma das urgências da ação evangelizadora, que está também no nosso atual Plano Diocesano, que é a “animação bíblica de toda a Pastoral”. Como concretizá-la?

Os Conselhos e Movimentos podem responder a estas perguntas:

– Quais as iniciativas e experiências que estão em andamento na comunidade, para facilitar o acesso e a compreensão da Palavra de Deus pelos fiéis?

– Que passos devem ser dados para que toda a vida cristã e a evangelização tenham como “alma” a Palavra de Deus?

Os párocos deverão levar essas respostas para que sejam, depois, aprofundadas nos setores e no Conselho Diocesano de Pastoral.

 

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano de União da Vitória

dbosco@dbosco.org

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