Comunicação e Missão: Encontros nacionais motivam a Igreja a usar todos os meios disponíveis para realizar a missão de Evangelizar

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O mês de julho é ocasião de muitos encontros, de âmbito nacional, com objetivo de trocar experiências, abrir horizontes, motivar os agentes de pastoral da Igreja, de todo o país, para uma ação evangelizadora mais comprometida e eficaz. Tive oportunidade de participar de dois desses grandes encontros, e partilho com os leitores alguns questionamentos, descobertas e propostas. O primeiro foi no calor de Palmas, no Estado de Tocantins: foi o 3º Congresso Missionário Nacional, entre os dias 12 e 15 de julho. O segundo foi na Basílica Nacional de Aparecida: o 3º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação, entre os dias 19 e 22 de julho.

O que esses dois encontros tiveram em comum? Muita coisa. Os dois eventos se realizavam pela “terceira” vez, o que – além de lembrar a perfeição da Trindade – mostra uma caminhada que vem sendo feita nos últimos anos, por uma Igreja viva, que quer estar a par das grandes mudanças do tempo presente. Também o número de participantes era parecido: em torno de 600 participantes de todo o Brasil. Neste país tão grande, as viagens são caras e muito penosas. O nosso grupo do Paraná, que foi a Palmas, para o Congresso Missionário, viajou de ônibus por 4000 km, de ida e volta. Imaginem os que vieram do norte e nordeste, ou do extremo sul, com despesas, cansaço, ausência do lar e do trabalho. No entanto, em ambos os encontros, que alegria! Quanta riqueza de testemunhos, além de aprendizado. Mas a ligação mais importante entre os dois encontros é maior que tudo isso. O objetivo é que é o mesmo: Evangelizar, com todas as forças, com todos os recursos. Tornar visível Jesus Cristo, fazer ouvir a sua voz, chegar a todos os lares, seja pelas antenas das comunicações, seja gastando a sola das sandálias. Esse é o desejo da Igreja, é missão de todos nós.

Nos caminhos da Missão

O 3º Congresso Nacional Missionário teve como tema: “Discípulo Missionário: do Brasil para um mundo secularizado e pluricultural, à luz do Vaticano II. Como lema, a afirmação de Cristo: “Como o Pai me enviou, eu também vos envio”(Jo 20,21). Os mais de 600 participantes eram leigos das Comissões Missionárias Regionais (COMIREs) e Diocesanas (COMIDIs), Seminaristas, Religiosos e Padres, Bispos referenciais da Missão, além de missionários que atuam em áreas de fronteira. Há entre eles dois sentimentos básicos: o primeiro é uma profunda alegria pelo verdadeiro “levante” missionário da nossa Igreja atual. O segundo é uma atenção bastante realista com relação ao ambiente do mundo de hoje, nem sempre favorável à atuação missionária da Igreja. Esta realidade foi retratada no tema do encontro, e nas conferências dos especialistas, o Irmão lassalista Israel Nery e o Pe. Paulo Suess. O assunto das conferências foi o mundo “pluricultural”, quer dizer, onde o cristianismo não é mais predominante, mas está no meio de muitas culturas; mundo “secularizado”, quer dizer, onde a religião, a fé, e até mesmo Deus, não contam mais no dia-a-dia das pessoas. Fala-se em “pós-cristianismo”. Nos países de antiga tradição cristã, as novas gerações recusam a religião, não querem nem conhece-la. Nos países de minoria cristã, a Igreja é perseguida e o martírio acontece como nos primeiros séculos. Sem perder o ânimo, os missionários reunidos no 3º Congresso, e já em preparação do Congresso Latino-americano que acontecerá na Venezuela, em janeiro de 2013 querem uma Igreja sempre mais voltada para a evangelização. A prioridade da Missão Continental, assinada em Aparecida, já há cinco anos, vai dando seus frutos.

Pelas antenas da Comunicação

Já no 3º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação, o tema foi a “Identidade e Missão da Pastoral da Comunicação”. A palavra “missão” aqui não tem exatamente o mesmo significado, mas é possível fazer uma aproximação: também aqui se pensa em levar a fé cristã, a mensagem do Evangelho, o ensinamento da Igreja, a um mundo fervilhante de novidades, encantado com novas tecnologias, e onde a fé e o evangelho têm que competir com uma avalanche de informações, entretenimentos, negócios, mensagens em vertiginosa profusão. Parece bem aquele campo da Parábola do Semeador, cheio de pedras e espinhos, onde a semente da Palavra tem pouco espaço para crescer. A Igreja tem crescido no difícil campo da comunicação, através das chamadas “mídias” católicas: são diversos canais de TV de âmbito nacional, centenas de emissoras de rádio, jornais impressos, boletins e formas diversas de comunicar. Temos um desafio novo: o mundo dos computadores, com uma fabulosa rede de intercomunicação, onde estão presentes especialmente os mais jovens. Sites, blogs e redes sociais interferem na vida das pessoas, mudam comportamentos, fazem surgir um novo modo de pensar e viver. Existe ali na rede da internet um lugar para Cristo e o Evangelho?

Assim como os outros missionários que gastam sola de sapato pelos caminhos, também os comunicadores são missionários carregados de esperança e de zelo, e querem estar presentes no mundo pluricultural e secularizado, e para isso precisam de formação especializada, domínio da linguagem, fidelidade ao evangelho e à Igreja, investimento e muita coragem.

Diante desses dois horizontes apresentados pelos encontros nacionais das Missões e das Comunicações, gostaria de propor alguns pontos de reflexão para as nossas comunidades:

Pastoral da Comunicação:

  1. A Pastoral da Comunicação não é feita apenas de grandes meios, como TV, Jornais e rádios. Ela abrange também a vida da paróquia e das comunidades, em coisas simples, como os equipamentos da liturgia, o mural de avisos, os cartazes da Festa do Padroeiro , o material didático da catequese, dos encontros de preparação para os sacramentos, tudo é comunicação. A pergunta é: como podemos nos comunicar mais e melhor, na vida paroquial e comunitária?
  2. Temos na Diocese a Rádio Educadora e o Jornal Estrela Matutina. A Rádio chega só aos municípios próximos de União da Vitória. Mas ela agora está mais voltada para a Evangelização. Como podemos torna-la mais ouvida, mais nossa, mas evangelizadora?
  3. Há possibilidade de estar presente, em algum horário, nas rádios comunitárias e comerciais, com a voz do Evangelho, com avisos e mensagens?
  4. O Estrela Matutina chega a todas as comunidades. Ele é bem aproveitado? É distribuído também em ambientes públicos para atingir também os que não vêm na Igreja? Como pode ser melhor aproveitado?
  5. O som da Igreja é suficiente, adequado? A liturgia é comunicativa? Precisa de investimentos?
  6. Poderia a Paróquia contar com uma equipe de Pastoral da Comunicação para organizar um mural de fotos, mensagens, boletim paroquial, cartazes, divulgação de festas, vigílias e eventos das Pastorais e Movimentos?
  7. A paróquia está presente no mundo da Internet através de um site, blog, ou rede social? Os jovens da Paróquia não poderiam se encarregar dessa tarefa aberta ao futuro?
  8. A paróquia poderia convidar os comunicadores (jornalistas, radialistas, escritores) da cidade para um diálogo sobre a presença da Igreja nas comunicações?
  9. Teremos no dia 25 de agosto um encontro Regional de Comunicadores. Será em Guarapuava e terá como objetivo organizar a Pastoral da Comunicação no Regional e nas Dioceses e Paróquias. Como podemos aproveitar melhor essa oportunidade levar Jesus Cristo aos Meios de Comunicação?

Missões:

  1. O Fórum das Missões traçou um caminho para a formação das Equipes Missionárias Paroquiais, para concretizar o que foi estabelecido em nossa Assembleia Diocesana deste ano. A equipe paroquial está formada, e tem já um programa de ação missionária paroquial?
  2. O Conselho Missionário Diocesano estará divulgando um programa de formação e ação para os missionários paroquiais.
  3. Quais as iniciativas missionárias da Paróquia que merecem ser mais apoiadas, incentivadas e divulgadas?
  4. O que significa para nós ser “uma Igreja em permanente estado de missão”, como pedem as diretrizes da Igreja?
  5. A missão não é uma pastoral a mais, ao lado das outras pastorais. É um espírito e um programa que deve ser abraçado por todos. Como podemos oferecer a todos os fiéis cristãos uma formação missionária atual e adequada para atingirmos esse objetivo?
  6. A Semana Nacional da Família se apresenta como oportunidade missionária de aprofundar os conteúdos propostos pela Pastoral Familiar. Esse assunto não deve ficar restrito a uma semana apenas. Que projeto tem a comunidade para atingir todas as famílias, sobretudo as que enfrentam dificuldades?
  7. O Sínodo da Nova Evangelização para a Transmissão da Fé acontece em outubro, quanto também se inicia o Ano da Fé. A comunidade conhece os subsídios de preparação para esses eventos e tem alguma perspectiva de celebração?
  8. O Catecismo da Igreja Católica é outra ferramenta missionária que completa agora 20 anos. O Santo Padre insiste que seja conhecido, e trabalhados os seus conteúdos. A comunidade tem acesso e utiliza o CIC na evangelização?
  9. Estamos a um ano da Jornada Mundial da Juventude, que envolve os grupos de jovens de todo o Brasil em sua preparação. Mas a vinda do Papa ao nosso país e o cuidado da juventude deve envolver não só os jovens, mas todos. Como a comunidade pode apoiar os jovens em suas atividades de preparação?
  10. Uma Igreja em estado permanente de missão é uma Igreja voltada para os mais necessitados. Eles são , para nós, a face sofredora de Cristo. Quem são os mais necessitados da comunidade? Quais as suas necessidades? Como a comunidade responde a esse apelo de Cristo?

“Como o Pai me enviou, assim eu vos envio” lembrava o 3º Congresso Missionário Nacional, citando o evangelista João. Missionários e Comunicadores, todos nós somos enviados, a exemplo do Missionário e Comunicador do Pai, Jesus Cristo. Os questionamentos acima não esgotam esses temas tão atuais, mas sugerem pistas para o nosso ser cristão hoje. Em todos os tempos o Evangelho encontra resistências, oposições e recusas, e hoje não é diferente. Cristo também encontrou. Que isso essa lembrança nos faça permanentemente animados na comunicação e missão.

Dom João Bosco, ofm
Bispo diocesano de União da Vitória
dbosco@dbosco.org

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