A XI Assembleia Diocesana define os caminhos da renovação paroquial

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Trazer para a realidade nossa de cada dia, para o dia-a-dia das comunidades, as orientações da Igreja, essa é a meta do planejamento diocesano. O Espírito Santo vem conduzindo a Igreja, abrindo novos caminhos próprios para os tempos de hoje. A renovação paroquial tem sido a grande bandeira da Igreja do Paraná nos últimos anos. E assim será ao menos até 2015. Nossa Assembleia Diocesana do último dia 3 de março, na Casa de Formação Cristã, também abraçou esta causa. O tema escolhido: “Paróquia discípula, missionária e profética” abre muitos caminhos. Você pode ver o quadro das propostas para o Planejamento Diocesano página 2. Neste e nos próximos números do Estrela Matutina estaremos desdobrando as propostas da XI Assembleia.

Por onde começar?

São cinco as urgências apontadas pelas Diretrizes Gerais, as mesmas acolhidas pelo Plano Diocesano. Começamos por aquela que já vem sendo estudada e preparada pela Coordenação Diocesana da Catequese e que tem o nome de “Iniciação à vida Cristã”.

Entrei numa sala de catequese, onde estavam umas quinze crianças. A catequista estava desanimada. As crianças, dispersas, não colaboravam. Não queriam nada de sério. Muitas não estavam vindo à missa. As famílias não tinham interesse. A catequista, quase chorando dizia “a catequese, hoje em dia, está muito difícil”.

O Coordenador disse à catequista: não é apenas a catequese que está mudando. É o mundo que está em grande mudança e isso é visível na catequese, na escola, na paróquia, na vida profissional, em tudo. É preciso, então, encontrar uma nova linguagem, novos métodos, e uma nova preparação para os catequistas. Não podemos mais fingir que evangelizamos através da catequese, sabendo que após receber os sacramentos, os catequizandos não permanecem na Igreja. Uma renovação na Catequese deve começar oferecendo aos catequistas uma nova visão: o que seria uma catequese adequada á realidade do mundo de hoje?

Escolas Paroquiais

A equipe responsável pela Catequese no Paraná, tendo à frente o bispo Dom José Antonio Peruzzo (de Palmas-Francisco Beltrão) vem preparando um projeto de formação de evangelizadores que parte do seguinte fato: não basta transmitir informações, ensinar  doutrinas em sala de aula. É preciso que o catequista mergulhe fundo no mistério de Cristo. Conheça e experimente a presença viva de Cristo em sua vida, e se torne testemunha, capaz de contagiar pelo entusiasmo, pela paixão. Então a grande renovação começa por aqueles que evangelizam, para que eles, em primeiro lugar, sejam preparados. E foi assim que, já no ano passado, alguns dos nossos catequistas começaram a participar em Curitiba, da preparação desse projeto. Também foi iniciada no ano passado a preparação de formadores. Algumas paróquias até deram início a um programa paroquial de preparação de evangelizadores. Mas é neste ano que acontece em 15 núcleos, em nossa Diocese, a fase paroquial da formação. É por isso que o Plano de Evangelização, aprovado em 3 de março, propõe: “Repensar a Catequese” e ainda “Implantar e fortalecer as escolas paroquiais”.

Não só catequistas

A formação que será colocada à disposição das paróquias não é exclusiva dos catequistas das crianças e adolescentes da primeira comunhão e da crisma. Seria um desperdício não aproveitar esse grande esforço de melhorar a qualidade da nossa vida cristã de evangelizadores somente para os que são catequistas das crianças. Claro que isso já seria uma grande meta. Mas podemos, com facilidade abranger a todos os que quiserem participar: ministros, coordenadores de grupos, movimentos, gente da pastoral dos noivos, do batismo, equipes de liturgia, grupo de jovens, agentes de todas as pastorais, equipe missionária, pastoral familiar, membros dos conselhos paroquiais. Todos poderão aproveitar esse grande esforço de formação. Cada um dos 15 núcleos fará a sua programação e divulgará nas paróquias envolvidas. Começaremos assim a mudar de conversa:

em vez de “encolhidos fiéis, resistentes, diante de um mundo secularizado avassalador e contrário à fé”, seremos os “escolhidos para proclamar corajosamente e amorosamente aquilo que experimentamos em nossa vida e nos comprometemos em testemunhar diante de um mundo que já não conhece a beleza da vida cristã”.

A transformação não é pequena. E essa transformação acontece por etapas. Desde os primeiros cristãos, esse modelo de imersão progressiva, marcada por celebrações de passagem teve o nome de “iniciação catecumenal”. Era assim que alguém, depois de receber o primeiro anúncio da fé ia, progressivamente, passo por passo, abrindo o coração para Jesus Cristo ressuscitado, numa verdadeira e profunda experiência de fé. Cristãos assim iniciados eram capazes de testemunhar Jesus Cristo e dar a vida por ele. A mesma formação, de modelo catecumenal”, é que será proposta nas Escolas Paroquiais bíblico-catequéticas.

Teremos algumas dificuldades

Quando se fala em “formação”, já observamos isso, há muito entusiasmo. Mas diante de uma proposta concreta, poucos se apresentam. Por isso devemos estar preparados para desfazer algumas armadilhas: a primeira se chama:

“Eu já sei, não preciso disso!” – Se lhe ocorreu esse pensamento, cuidado: desarme essa armadilha que é perigosa. O mundo mudou, mas há gente que usa a mesma linguagem, a mesma catequese, a mesma palestra que fazia quando estudava à luz do lampião, usava ferro de brasa e decorava o catecismo. Quem diz que não precisa de formação, na verdade precisa muito, e urgente. A segunda armadilha se chama:

“Não tenho tempo.” – Essa é muito frequente e quase sempre verdadeira. Às vezes essa armadilha vem revestida de um sentimento de que “agora não é possível, mas assim que passar tal compromisso eu vou ter tempo” para a formação. Esse caso se parece com as promessas (de emagrecer, de rezar mais, etc) sempre vai ficando pra depois. Melhor é ser claro: Só quem não tem tempo é que realmente se mexe e faz as coisas acontecerem.  A terceira armadilha se chama:

“A comunidade não apoia.” – Isso acontece quando o aprendizado tem custos de deslocamento, de lanche, de material, e acaba ficando caro para a comunidade apoiar financeiramente. Claro que existem situações variadas e nem todos têm como investir na própria formação. Mas a atitude cômoda de esperar tudo da comunidade também não é saudável. O amor pela causa do Reino exige sacrifício pessoal e comprometimento. Há ainda uma outra armadilha que se chama:

“Não vai dar certo!” – Há quem já profetize de antemão, diante de uma novidade, uma iniciativa, algo que exige esforço: “Não vai funcionar!”. São capazes de se lembrar de outras ocasiões que foi tentado alguma coisa parecida e que não resultou em nada. Os desanimados contaminam os outros. Vale lembrar que um time que entra em campo achando que vai perder, perde mesmo.

Tirando essas, e outras, pequenas dificuldades, temos diante de nós a grande chance de uma ampla renovação da força evangelizadora das paróquias através das Escolas Paroquiais Bíblico-Catequéticas. Algumas paróquias, que já começaram a fazer esse caminho, o chamaram de “Formação de Lideranças” ou “Escola de Evangelizadores”, para ficar bem evidente que elas se destinam não só à catequese eucarística e crismal, mas a todo o itinerário de iniciação e formação permanente que deve envolver não só os que estão sendo preparados para os sacramentos, mas também a toda a comunidade que necessita sempre de reforço, de re-iniciação e reencontro com a pessoa de Jesus Cristo vivo, pois, só Ele, sendo encontrado e vivido em cada etapa da nossa vida, pode fazer-nos aptos a fazer ecoar a sua Palavra nas ações evangelizadoras da Igreja.

Você, leitor do Estrela, troque ideias com seus irmãos de comunidade. Busque informação na sua paróquia, convide a outros para se encantar com essa proposta. Mas também reze, que Deus nos dê a clareza e a dimensão da ousadia de abrir novas veredas na consolidação do Reino.

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano de União da Vitória

dbosco@dbosco.org

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