Uma alegoria de Natal – Uma casa para Jesus nascer!

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Maria e José caminham pelas ruas de Belém. Está chegando a hora de nascer o Filho de Deus.

Haverá alguém de bom coração que consiga um quarto, nada de luxo, mas um quarto digno, limpo, um espaço minimamente adequado para nascer aquele por quem todas as coisas foram feitas? Não… aqui não há lugar. Não há lugar. Aqui, não!

“Não, não há espaço aqui.” Esta será a resposta que ouviremos no relato do Natal.

Não havendo espaço no conforto das casas, o Verbo de Deus feito carne, vai nascer numa casa improvisada, na companhia dos pobres, será motivo de alegria para os anjos e para aqueles poucos que, amorosamente, o acolheram e viram nele o Salvador do mundo.

Tal nascimento, assim improvisado, teria sido um erro de cálculo da parte de Deus? Não preparou delicadamente uma mãe que fosse digna de ser mãe de seu amado Filho?  E esqueceu-Se de reservar uma vaga numa hospedaria, de preferência a mais digna? Aquele que previu o curso de cada uma das estrelas, que mediu as gotas de água do mar, que dividiu exatamente os dias de cada uma das estações, e não deixa os passarinhos sem alimento… iria fazer um erro de cálculo assim tão grosseiro?

Ou seria esse nascimento uma expressão igualmente perfeita da forma simples e despojada de Deus de se aproximar da nossa pobreza e enfermidade, vir, assim mesmo, ao encontro da nossa humildade, fazer-se verdadeiramente humano, companheiro nosso? Então, nem fez caso da recusa, pois continuaria sendo recusado por Herodes, pelos doutores, pelos fariseus, até ser condenado à morte? O fato é que não teve casa para nascer, nasceu num abrigo improvisado. No decorrer da história, ele ganhou muitas casas, até basílicas e catedrais. Mas não perdeu o costume de nascer em locais improvisados e pobremente arrumados.

Um lugar para Jesus nascer hoje

Improvisados, temos dois locais hoje, na nossa diocese, lugares feitos para Jesus ali nascer. Duas de nossas igrejas estão fechadas e o povo irá celebrar o Natal no salão paroquial. Um é em Antônio Olinto, onde a Igreja Matriz de São José foi interditada já em outubro de 2010. Houve um deslocamento do solo, e uma grande rachadura se formou de alto a baixo. Um laudo técnico aconselhou a não mais utilizar a matriz, para não correr o risco de um desabamento em horário de celebração. O outro caso, mais recente é o da catedral de União da Vitória. As paredes estão bem, mas o telhado está bem comprometido. A Catedral Sagrado Coração de Jesus também está interditada por razões de segurança. Em ambos os casos, os cupins agiram com grande eficiência, e produziram danos irreparáveis em todo o telhado.

As comunidades que frequentam essas duas igrejas sentem um certo desalento. Sabem que o templo precisa ser reerguido, sabem que isso demanda muito esforço de todos, pois os recursos são escassos, se movimentam para conseguir doações, arquitetam promoções, irão bater de porta em porta, e perguntarão certamente a você: tem um lugarzinho para Jesus nascer aí, em seu coração? Quantas portas se abrirão? Quanto tempo levarão para terem o templo em condições de acolher o povo para as orações, casamentos, batizados, catequeses, pregações?

Se você quiser ajudar com uma doação diretamente a essas duas igrejas, aqui vai uma dica: A conta corrente da matriz de Antonio Olinto é da caixa Econômica Federal, agência 2152, conta 98-5, operação 022.

Para ajudar a Catedral, a conta é da Caixa Econômica Federal, agência 0407, conta 2600-7, operação 003.

Você pode ajudar?

Os piores cupins são aqueles da alma

Na história de São Francisco de Assis se conta que, estando ele numa igrejinha toda destruída, destelhada, em completo abandono, olhou para um grande crucifixo que havia ali, e lhe pareceu ouvir o Cristo falar, do alto da cruz: «Francisco, restaura a minha igreja, você como ela está em ruínas, não vê?» O Santo ficou tocado por aquelas palavras e, de imediato, começou a juntar pedras e outros materiais para reconstruir a igrejinha. Mais tarde entendeu que Cristo lhe pedia outra coisa: a Igreja que carecia ser restaurada era outra: as pessoas haviam enfraquecido na fé, abandonavam a religião, viviam na imoralidade, o evangelho era esquecido, os pobres, preferidos de Cristo, ficavam no abandono. Essa era a Igreja que São Francisco e seus irmãos se colocariam a restaurar.

Da mesma forma, nos dias de hoje, quando consideramos que Jesus não teve um lugar para nascer, ou observamos que essas nossas igrejas estão danificadas, não nos devemos prender apenas nos cupins que devoram as vigas e os caibros. Podemos dizer que a nossa Igreja (aqui estão incluídas todas, não só as duas citadas), precisa igualmente de reparação, e os seus males mais evidentes podem ser estes:

1. O deslocamento do solo – Vivemos um tempo de muitas e grandes mudanças, uma mudança de época: não são apenas alguns costumes ou ideias novas, mas um novo modo de pensar que desloca todo o edifício da Igreja. Antes ficávamos à espera que as pessoas viessem à Igreja. Agora temos que nos colocar a caminho e ir onde as pessoas estão, para apresentar-lhes a beleza da fé. Isto significa sair em missão (DA 347). Pior, é que há uma vasta oferta de ideias, de filosofias, de religiões. Jesus tem que disputar espaço com outros mestres que procuram oferecer seus ensinamentos. Os mais afetados por esse terremoto cultural são as famílias que desmoronam; as novas gerações que se afastam da vida comunitária, os que se tornam vítimas da solidão, do vício, da miséria moral e material. Nesse novo solo, é preciso edificar uma Igreja missionária.

2. Os cupins atacam as estruturas – Os piores cupins são aqueles que atacam a nossa fé. Sem muita instrução religiosa, muitos foram vivendo a sua fé apenas como tradição e não como convicção. Os cupins de hoje – o consumismo, o egoísmo, a busca do bem estar material – vai roendo as estruturas religiosas. O mais insidioso é que o pecado, como os cupins, age por dentro. Por fora permanece o verniz religioso. Quando se toca com os dedos, a madeira comida pelos cupins se esfarela. Quando um sofrimento chega, ou há uma proposta atraente de outra religião, a estrutura quebra. Assim as estatísticas retratam que diminui o número de cristãos. Aumenta o número dos “sem religião”, embora ainda tenham uma ideia vaga de Deus. É preciso promover urgentemente uma formação mais abrangente na fé. É o que chamamos de “iniciação à vida cristã”(DA278), tanto para os que estão afastados, quanto para os que estão dentro da comunidade, mas tiveram pouca chance de aprofundar sua fé.

3. Vamos reformar, mas onde está a planta, o projeto? – Quando se faz uma reforma, as plantas amareladas pouco informam sobre a construção que já foi modificada, reconstruída. Ou não se acha planta nenhuma. Na religião também acontece assim: muita coisa foi mudando, práticas religiosas se tornam costume, qual era o projeto original? Onde vamos encontrar a “planta”? É urgente voltar para a Palavra de Deus, que é o início de tudo. Nos últimos tempos, temos redescoberto a importância da Bíblia na mão dos cristãos. Mas ainda é muito pouco.  Seu conhecimento ainda é precário e só atinge os que estão mais próximos. A Bíblia ainda é um livro misterioso e difícil ou simplesmente desconhecido para a maioria dos cristãos. Para reformar a Igreja teremos de tornar a Bíblia presente em todas as atividades pastorais (DA 247), fazer dela o nosso Livro de Oração, levá-la nas frentes missionárias. Certeza: onde chega a Bíblia, ali se encontram portas abertas.

4. Contratar um construtor ou construir em mutirão? – Um empreendimento assim só acontece quando todos se dão as mãos. Uma Igreja-edifício só pode ser construída quando ao mesmo tempo se constrói uma Igreja-comunidade, quando todos participam, quando todos são responsáveis. É comum encontrarmos pessoas que dizem: “O telhado da catedral é problema deles… A Matriz de Antonio Olinto é assunto da Matriz. Eu me preocupo com a pintura da minha capela. Eu ajudo a vender o churrasco do meu movimento”. É triste, mas muitas vezes nos falta uma ideia de que somos uma família só. Quando cada grupo, cada movimento, cada capela cuida só de si, a construção do Reino de Deus empaca. A nossa Igreja é uma “comunidade de comunidades”(cf. DA 172). Cada grupo tem sua identidade, sua particularidade, a diversidade que o Espírito Santo inspira. Os pequenos grupos de reflexão, tomando a Palavra de Deus encontram alimento e ambiente para a vida fraterna. Mas todos são uma só Igreja. Ciúmes entre grupos, divisão entre as comunidades são piores que os cupins do telhado. No grande mutirão do Reino de Deus todos somos chamados a participar.

5. Reformar para quê e para quem? – Uma casa grande e envelhecida corre o risco de ficar entulhada de coisas que não se usam mais. Os espaços vão ficando pequenos, nos acomodamos e nos encolhemos no mínimo. Abrir espaços, na Igreja é fazer o que pede o Documento de Aparecida: “superar uma pastoral de mera conservação” (DA 370). E abrir espaço para quem? Se Jesus Cristo veio para trazer vida plena para todos (cf. DA 358) o espaço a ser aberto na Igreja deve ser dedicado especialmente àqueles que carecem de vida plena, os pobres, os excluídos, os que são jogados à margem da vida. É preciso, então, não somente proclamar o valor da vida, mas também, através de práticas que ajudem a vida a desabrochar em sua plenitude. Aqui, novamente voltamos os olhos para aquele Jesus do Natal, a família pobre de Nazaré que não encontrou lugar nas casas de Belém. Estaremos dispostos a acolher em nossas Igrejas, com a articulação de todos os grupos, movimentos e associações, através de projetos e programas sociais bem planejados e executados com amor, aqueles que mais necessitam de vida?

Caminhando para a nossa Assembleia Diocesana

Esses cinco pontos para uma “reforma” da nossa Igreja coincidem com as cinco urgências apontadas pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da nossa igreja. Vão além da construção de um edifício ou o conserto de um telhado. Essas as urgências que serão o assunto do nosso planejamento diocesano que já começamos a preparar. Para que esse planejamento seja bom é preciso que todos participem, nas paróquias, nos movimentos, e isso se dará em três etapas, assim :

No tempo do Advento – 2011

Nas paróquias

Os párocos e os assessores dos Movimentos e Pastorais já têm em mãos as questões que devem ser levadas à Assembleia Diocesana. Devem encontrar-se com as coordenações e responder às questões. Devem escolher quem serão os representantes das Paróquias e dos movimentos eclesiais.

Dia 23 de fevereiro – 2012

Nos setores

As respostas que vierem das paróquias deverão ser refletidas numa pré-assembleia setorial. Ali serão selecionadas as propostas a ser encaminhadas à Assembleia Diocesana para compor o Plano Diocesano de Ação Evangelizadora

Dia 3 de março – 2012

Na casa de Formação Cristã:

Serão conhecidas as propostas que vierem das pré-assembleias dos setores. E feita a escolha final.

Também serão escolhidos os que devem acompanhar o andamento do Plano diocesano nos próximos anos, para que aquilo que for acolhido seja, de fato, colocado em prática.

Cada CPAE com seu pároco, cada movimento ou pastoral com seu assessor, procure, durante o tempo do Advento refletir e responder as questões que nos conduzirão à Asssembleia Diocesana, no início do próximo ano. Os grupos de Novena e de reflexão permanente considerem esse caminho iremos trilhar. O Advento nos envolverá a todos nesse processo de busca e aprimoramento da nossa vida eclesial. Tenhamos assim um Feliz e Santo Natal, acolhendo do melhor modo possível, a Jesus que nasce entre nós.

 

Dom João Bosco Barbosa de Sousa

Bispo diocesano

dbosco@dbosco.org

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