Semana Nacional da Vida e Dia do Nascituro

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Uma brincadeira muito sem graça, mas que se ouve vez por outra, diz que quando se comemora o dia de alguma coisa, como o dia da Paz, o dia da árvore, o dia dos Direitos Humanos, é sinal de que todos os outros dias do ano são dias de guerra, ou dias de destruir as florestas, ou dias em que os Direitos são desrespeitados. Brincadeira de mau gosto, mas tem um fundo de verdade, pois é a falta de consciência dessas grandes causas que leva à necessidade de proclamá-las num dia especial. Nessa mesma linha de reflexão, deveríamos lutar para que houvesse um “dia da honestidade”, um “dia dos pobres”, um “dia do preço justo”, e outros assim, tão necessários.

Sem brincadeira, quando a CNBB propôs que celebrássemos a Semana da Vida – de 1° a 7 de outubro – e também o “Dia do Nascituro”, no dia 8 de outubro, encarregou a Comissão Episcopal para a Vida e a Família de, a cada ano, preparar o material para as nossas comunidades levarem, a toda a sociedade, uma reflexão profunda sobre as inúmeras formas de atentados à vida, especialmente àquela que ainda está para nascer. Assim vem crescendo, ano a ano, a movimentação das comunidades em torno da Semana da Vida. Nós já conseguimos, depois de vários anos, fazer crescer a Semana da Família, celebrada por quase todas as paróquias do Brasil, na segunda semana de agosto. Agora temos que dar toda a atenção à Semana da Vida e ao dia do Nascituro que não são datas tão conhecidas.

 

O Evangelho da Vida

Um primeiro grande grito contra todas as formas de promover a morte, em tempos recentes, veio do bem-aventurado papa João Paulo II, na Encíclica “Evangelium Vitae”, de março de 1995. O papa, então, traduziu nesse documento o mandamento de Deus, que já vem lá do tempo de Moisés: “Não matarás!”. Mostrou que o Evangelho da Vida está no centro da mensagem de Jesus, que veio para que todos tenham vida em plenitude. E que o mundo atual, além das antigas e dolorosas chagas da fome, das epidemias e das guerras, soma hoje novas e inquietantes formas de matar, sobretudo, os mais frágeis e indefesos. Num pequeno resumo, o Santo Padre cita como expressões da cultura da morte: o homicídio, o genocídio, o aborto, a eutanásia, o suicídio, as mutilações, os tormentos corporais e mentais, a violação das consciências, as condições de vida infra-humanas, prisões arbitrárias, deportações, a escravidão, a prostituição, a droga, o comércio de armas, o comércio de mulheres e jovens, as condições degradantes de trabalho, entre outras. Como novas formas de promover a morte, João Paulo II denuncia as possibilidades abertas pela ciência e pela técnica, como a manipulação genética, e os crimes cometidos em nome dos direitos da liberdade individual. Práticas como o aborto e a eutanásia, antes, tidas solidamente como crime nas Constituições dos países, passaram a ser, não só, aceitas como uso da liberdade, mas contam com autorização da parte do Estado, e são até realizadas pelos serviços públicos de saúde. A medicina, que devia orientar-se no sentido de proteger a vida, em alguns setores contradiz a si mesma, e se presta a matar. O mais grave, além das vidas que se perdem, é que a própria consciência humana passa a não distinguir mais o bem e o mal, justamente numa questão tão importante como é o direito fundamental à vida.

 

O Nascituro

Essa palavra – nascituro – não é muito corrente na nossa linguagem: nascituro é aquele que ainda está para nascer. É o embrião, o feto, o bebê que a mãe traz no ventre. E o nascituro merece um dia especial, ao lado da Semana da Vida porque, hoje, ele está no centro da cultura da morte. Para a Igreja Católica o nascituro é um ser humano, e tem o direito de viver como qualquer outro ser humano. Hoje se ouve com frequência afirmações como estas: “É um direito da mãe decidir se quer ou não ter um filho”. Ou então: aprovar o aborto é uma questão de saúde pública”. E ainda: “quando uma adolescente engravida, não é justo que estrague toda a sua vida por um filho que ela não está pronta para ter”. Mas há outras afirmações piores: “as classes pobres têm muitos filhos e, então, legalizando o aborto, teríamos menos pobres”. Ou ainda: “quando se sabe que uma criança será portadora de deficiência, por que fazê-la sofrer, e também a seus pais? É melhor que não venha a nascer…”

Será, meu Deus, que as pessoas não percebem mais a monstruosidade que está por trás desses argumentos? Independente da situação dolorosa e difícil em que se encontra, muitas vezes, uma mãe sem apoio, ou diante de uma situação concreta de um diagnóstico de deficiência, como pode a morte do mais indefeso, do mais frágil ser solução? É humano uma mãe querer matar um filho? Por trás desse desejo de matar o indesejado estão duas outras distorções graves: a primeira é o sexo irresponsável, que gera filhos indesejados e inoportunos; a segunda é a compreensão de que «eu tenho o direito de ser feliz, mesmo que seja negando ao outro o direito de viver».

 

O embrião

O embrião é um nascituro nas primeiras semanas de vida. Ele entrou na conversa, nos últimos anos, porque uma parte dos pesquisadores e cientistas descobriu que ele tem células que dão origem a diversos tecidos, e órgãos diferentes. Daí nasceu a esperança de usar células embrionárias para desenvolver tratamentos de doenças degenerativas, hoje incuráveis. Mas era preciso matar os embriões para a retirada dessas células. Outro fato a considerar: o tratamento feito por mães que não conseguem engravidar, muitas vezes exige que se faça a fecundação de muitos óvulos que, depois, não são aproveitados, ficando congelados por vários anos, com alto custo. Por isso, muitos países, inclusive o Brasil, começaram a permitir que se usassem esses embriões em experiências e pesquisas. A nossa Igreja sempre se colocou contra as duas coisas: a “sobra” de embriões no processo de fecundação assistida, e o “descarte” de muitos deles; a Igreja não aceita também as pesquisas que matam seres humanos, no estágio embrionário. Mesmo que fosse para conseguir uma cura, não é moralmente correto fazer isso, pois os fins não justificam os meios. A ciência sempre deve procurar meios que respeitem a vida, que sejam eticamente corretos. Todos sabem que essas pesquisas envolvem muito investimento e grandes interesses. Não é por nada que a Igreja Católica sofre muitas vezes violentas críticas, acusada de ser contra a ciência, de não querer o progresso, de ser fundamentalista e atrasada. É o preço que a Igreja paga por ser fiel à sua doutrina. Enquanto isso, os dedicados legisladores fazem tramitar os Projetos de Leis que autorizam a morte dos embriões, logo mais o aborto, as políticas públicas que atropelam a ética, e daqui a pouco pode estar simplesmente a Corte Suprema a aprovar mudanças de costumes que o Legislativo não aprovou.

 

A vida humana no Planeta

A Semana Nacional da Vida, de 1° a 7 de outubro, e o dia do Nascituro, dia 8, trazem como tema “A Vida Humana no Planeta”, tema ligado à Campanha da Fraternidade deste ano de 2011, de que todos se lembram muito bem. O pensamento bíblico de São Paulo Apóstolo dizia que “a criação geme em dores de parto”, e o hino da Campanha nos perguntava: esse gemido é mesmo o parto de um mundo novo, com mais vida? Ou será um gemido de agonia, de um mundo que morre um pouco cada dia? O refrão do canto de entrada respondia com esperança: “vai depender só de nós”.

Vai de fato, depender de nós, agora na Semana Nacional da Vida, continuar o grito do Papa João Paulo II, “Não Matarás!”. Vai depender de nós, tomar os textos propostos na publicação “A Hora da Vida” da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, distribuída às paróquias para conduzir a reflexão. Ou podemos ficar quietos, de cabeça baixa nos bancos da igreja, enquanto a morte ganha a batalha. Vai depender só de nós!

A Pastoral Familiar do Regional sul II preparou um material simples e prático, por meio da Comissão de Defesa da Vida, grupo sediado em Londrina. Esse material está disponível no site www.defesadavidalondrina.org.br. Vamos colocar o link também no site da Diocese de União da Vitória. A partir desse material, faço aos Conselhos Paroquiais, aos Movimentos e Pastorais algumas sugestões. Claro que tudo depende das possibilidades e costumes locais e, quem sabe, o Conselho Paroquial da Ação Evangelizadora possa arrolar outras iniciativas.

 

De 1° a 8 de outubro – Semana Nacional da Vida e Dia do Nascituro

1. Missas: Podem ser preparadas nos setores, com rodízio dos sacerdotes, entre as paróquias dos setores. Na medida do possível, envolver ao menos as comunidades maiores. Os temas de reflexão podem ser encontrados na “Hora da Vida”, da comissão Episcopal para a Vida e a Família.

2. Terço pela Vida: de preferência em locais públicos onde se possa meditar sobre o tema da Semana Nacional da Vida.

3. Escolas, Jovens, Catequese: Caminhadas pela Vida e Pelo Nascituro, celebrações da Palavra. Disponibilizar o cartaz e material para os professores

 

4. Hora Santa nas Comunidades: o dia 7 é primeira sexta-feira do mês, dia em que muitas comunidades fazem a adoração ao Santíssimo.

5. No nosso site: estão disponíveis pequenos textos sobre os temas: Vida Humana no Planeta; Vida Humana e Ameaças; A vida Enferma; A vida Idosa, Sexualidade e Afetividade Humana; Vida Planejada Naturalmente; A Vida Não-Nascida. Podem ser baixados e lidos nos Grupos de Reflexão.

6. Dia 8 – Dia do Nascituro – Dar especial destaque às gestantes. O Regional Sul 2 escolheu, como gesto de unidade do Regional, recitar em todas as missas, a Oração pela Vida, escrita por Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Londrina, que está no quadro abaixo.

7. Prazo: A vida é um assunto importante sempre. Caso não seja possível promover ações durante a Semana da Vida, podem ser realizada depois. Eventos que mereçam destaque podem ser enviados para o nosso site e para o Estrela Matutina.

 

Espero que a Vida não seja objeto de nossas preocupações só durante a primeira semana de outubro. Mas que a celebração dessa Semana nos desperte para permanecermos atentos e servidores da vida em todas as semanas e circunstâncias. É uma missão a nós confiada pelo próprio Cristo, aquele que veio para que todos tenham vida em abundância (Jo 10, 10).

Dom João Bosco Barbosa de Sousa

Bispo diocesano – dbosco@dbosco.org

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