Onde estamos?

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A pergunta “Onde estamos?” cabe bem naqueles filmes de ficção, em que a nave espacial, depois de ter sofrido alguma pane, consegue aterrissar nalgum planeta exótico, e a tripulação consulta então seus aparelhos, testam os sensores, olham os mapas celestes, buscando responder a essa pergunta básica, nem sempre fácil de responder: “Onde viemos parar?” Depois de estudar a posição dos astros, já refeitos do susto, reparado o defeito da nave, estão os astronautas prontos para zarpar. Mas aí vem a segunda pergunta importante: “Para que lado devemos ir? Onde queremos chegar?”

Onde precisamos estar?

A comparação com os astronautas não é assim tão absurda: nós também viajamos pelo tempo, no percurso da nossa vida. E embora não estejamos fora do nosso velho e bom planeta Terra, vivemos em vertiginosa velocidade. A tecnologia, as comunicações, o conhecimento, os costumes, os valores e a própria consciência, fazem mudar a nossa vida em poucos anos, coisa que, antes, levava vários séculos para mudar. Numa casa onde se encontram pessoas de três gerações  (avós, pais e filhos) a linguagem e as ideias são tão diferentes que os mais velhos podem bem se perguntar: “que mundo é esse em que nós estamos?” Uma empresa, sólida hoje, pode amanhã estar falindo se não responder bem a essa pergunta. Uma família hoje feliz, unida, pode amanhã estar se desfazendo, se não der uma resposta adequada a essas perguntas: “onde estamos?” “Onde precisamos estar?”

A Igreja faz a mesma pergunta:

No último mês de maio, os bispos do Brasil reunidos em Aparecida, buscaram apontar um caminho para a nossa Igreja, através das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE). Pastores, preocupados com o rebanho de Cristo, percebem que também as nossas comunidades eclesiais podem estar perplexas diante das mudanças que acontecem nesse nosso mundo. Qual o caminho a seguir? O que sugerem para nós essas grandes transformações na sociedade e nos costumes? Essas mudanças são boas ou ruins para a vida da gente? O que devemos renovar e o que devemos conservar do passado? As Diretrizes Gerais da nossa Igreja, nesses tempos de incertezas, nos convidam a olhar fixamente para Jesus. Voltar a ele, partir dele, encontrá-lo vivo e presente na Escritura, na Liturgia, na comunidade, essa é a receita para não se perder no caminho. As maiores dificuldades que a nossa Igreja vem enfrentando nos dias de hoje, podemos resumir assim, são duas: a primeira é que todos esses abalos, ideias diversas, convites sedutores de outras religiões, exigem de nossos católicos uma sólida formação religiosa, que muitos já não têm mais, e por isso se afastam da Igreja. A outra dificuldade é que já não se consegue mais transmitir a fé integralmente para as novas gerações, mesmo nas famílias católicas. É preciso então tomar algumas medidas urgentes para que o estrago não seja ainda maior.

Urgências na evangelização

Em nossa Diocese de União da Vitória, se comparamos as cinco urgências das Diretrizes Gerais com as propostas que aprovamos na última Assembleia Diocesana, vamos ver que há uma identidade muito grande. Penso que isso nos ajudará a avançar mais rapidamente nesta nova etapa da caminhada pastoral.

Espero que você, leitor, não tenha jogado fora o número de junho, do Estrela Matutina. Ali eu fiz um resumo das cinco maiores urgências, segundo as Diretrizes Gerais da CNBB, para que a evangelização aconteça, segundo a orientação dos nossos bispos. As cinco urgências são os indicadores do caminho, são as trilhas que devemos seguir nesta grande floresta, para caminharmos juntos. Como os nossos astronautas lá do começo da página, se cada um sair para um lado, há perigo de não se chegar a lugar nenhum. Se permanecermos unidos, a chance é maior de atravessarmos a salvo. As cinco urgências na evangelização, conforme as Diretrizes Gerais são estas: 1) partir em missão com toda a coragem; 2) Iniciação à vida cristã, mergulhar com profundidade no conhecimento e vivência da fé; 3) ter a Bíblia nas mãos e no coração, em todas as atividades da Igreja; 4) reforçar os laços entre os diversos grupos e pequenas comunidades, formando uma rede forte e viva; 5) estar a serviço da vida, dos necessitados, da caridade e do amor.

 

O Regional Sul 2 também pergunta:

Tomando nas mãos as novas Diretrizes Gerais, e com o objetivo de preparar a Assembleia do Povo de Deus do Paraná (final de setembro), o Regional Sul 2 tomou estas duas perguntas, sugeridas como primeiros passos metodológicos para um planejamento pastoral (DGAE 5.2) e pediu que as nossas 18 dioceses, e também a eparquia ucraniana,  respondam diante de cada urgência: onde estamos? onde precisamos estar?

No mesmo sentido, quero pedir a você, leitor do Estrela Matutina, que encontre aquela página do mês de junho, onde estão as cinco urgências para então, olhando para cada uma delas, responder corajosamente às duas perguntas:

1. Diante do convite à missão: — Onde estamos? Como está nossa paróquia enquanto consciência missionária? O que já fizemos? Que frutos colhemos?

— Onde precisamos estar? Quais são os grupos, categorias sociais, que mais necessitam? Quais estão mais afastados? Vamos esperar que venham ou vamos sair ao encontro deles?

2. Diante da Iniciação à vida cristã: — Onde estamos? Que avanços nossa paróquia já fez? Os movimentos e pastorais tomaram consciência da necessidade de oferecer formação reforçada aos seus participantes? Há melhor preparação para a vida sacramental?

— Onde precisamos estar? Quem são os que mais necessitam da iniciação? É oportuno fazê-lo de forma personalizada? Retiros, encontros, cursos, podem ajudar? Onde é preciso melhorar, na catequese, na liturgia, na formação?

3. Diante da iluminação bíblica da pastoral: — Onde estamos? Nossos fiéis leigos têm acesso à Bíblia? Sabem usá-la? Que passos foram dados na paróquia, no incentivo aos grupos bíblicos? Há informação e motivação para a leitura orante da Bíblia? Que avanços fizemos na Pastoral Bíblica?

— Onde precisamos estar? Possibilitar o acesso aos mais pobres? Formação? Grupos de reflexão? Dia da Palavra? Subsídios?

4. Diante da Igreja – comunidade de comunidades: — Onde estamos? Somos cristãos anônimos que usam os serviços paroquiais, ou formamos pequenas comunidades vivas e dinâmicas de discípulos missionários? Há integração entre os diversos grupos, ou permanecem como ilhas? Há divisões, competições, ciúmes entre os grupos?  — Onde precisamos estar? Famílias, grupos profissionais, faixas etárias, vizinhança, escolas,  empresas, prédios, onde vamos investir? Que recursos disponibilizar?

5. Diante da promoção da vida digna e plena: — Onde estamos? O que já conseguimos mobilizar, implantar, promover? Os projetos que vão alicerçar a Cáritas Diocesana avançaram? — Onde precisamos estar? Quem são os mais necessitados de vida, no nosso local?  Idosos, portadores de deficiência, enfermos, desempregados, crianças, jovens, excluídos, não nascidos? Que grupos priorizar?

Este pequeno quadro é apenas um roteiro de trabalho para percorrermos o caminho de preparação para a Assembleia do Povo de Deus e para a nossa próxima Assembleia Diocesana, dentro do espírito das Diretrizes Gerais. Proponho que atendamos ao pedido do Regional Sul 2 respondendo a estas perguntas em três níveis, e com prazos diversos:

a)      O clero: já recebeu o texto das Diretrizes, fez um estudo na Reunião Mensal e deverá formular respostas, a partir da realidade paroquial, nos encontros de setor, que se farão no mês de agosto.

b)      Os Conselhos Paroquiais e as Coordenações dos Movimentos: procurem responder a estas questões em suas reuniões periódicas. Será pedido um resumo desses estudos na preparação do nosso Planejamento Diocesano, depois da assembleia do Povo de Deus.

c)      Todas as nossas lideranças, ministros, catequistas, pastorais e movimentos, grupos de oração, grupos bíblicos, todos os que participam das comunidades, procurem inteirar-se destes questionamentos contribuindo para o seu aprofundamento.

Esses são os primeiros passos de um longo percurso, proposto para os próximos quatro anos. Em comunhão com toda a Igreja Diocesana, com o Regional Sul 2 e com todo o Brasil, estaremos construindo, a partir de Jesus Cristo, e com a força dele,  uma nova fisionomia do povo de Deus, sem temer as provocações que o mundo atual nos oferece, mas em diálogo aberto e esperançoso com a página da História que nos é dada viver.

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