Diretrizes Gerais

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Jornal O Comércio – O olhar do Pastor

É complicado, porém eficiente, o modo como a CNBB faz o planejamento pastoral da Igreja para todo o Brasil. Podem imaginar a dificuldade: São 300 dioceses no Brasil. Os 300 bispos reunidos em Aparecida trabalham, por dez dias, numa ampla sala de convenções. A tarefa é juntar as ideias de todos, as sugestões, as propostas pastorais, para elaborar um só documento que tem o nome de Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, respeitando a diversidade das regiões do país, mas ao mesmo tempo apontando um caminho comum. Difícil? Se numa família de cinco ou seis pessoas já é uma tarefa difícil planejar juntos, o que se pode esperar de trezentas dioceses? E depois de realizado esse planejamento vem a segunda tarefa, não menos difícil, que é conduzir na mesma direção as mais de 200 mil comunidades (paróquias, capelas, instituições religiosas) espalhadas por todo o Brasil.

Sem dúvida, a nossa Igreja é um corpo bem articulado. Há tantas outras igrejas e seitas que não suportam a unidade e se dividem em muitas pequenas igrejas, cada uma por si. O milagre da unidade não acontece somente em razão de boas estratégias, mas sobretudo por estarem os pastores, da Igreja católica,  em comunhão com o único pastor, Jesus Cristo. E o esforço que fazemos não é de fazer predominar o que faz sucesso, mas sim, descobrir o que Ele, o Bom Pastor, espera de nós para este nosso tempo.

O nosso tempo é avesso a unanimidades. O que chama a atenção e faz sucesso são as diversidades, as minorias, as individualidades. Não é mero acaso que a nossa Igreja, embora tão articulada, venha perdendo espaço na vida pública. É só olhar as estatísticas. O que ganha evidência, nas consciências, na mídia, na vida social e política, não é o consenso, mas o extravagante, o exótico, o diferente. O pastor que faz sucesso é o que está em comunhão com os demais, mas o que diverge. Aquele que segue as normas é comum, não merece aplauso, já o que transgride a norma, esse é herói. Embora na contramão do mundo, a Igreja continua fiel a Jesus Cristo e ao Evangelho, mesmo que o mundo aplauda a vitória de dez a zero para a homoafetividade; mesmo proibida de ensinar o evangelho nas escolas; mesmo que vençam as políticas públicas que promovem o aborto, a prostituição profissionalizada, as aulas sobre o uso dos preservativos no currículo dos adolescentes.

No texto das “Diretrizes”, que estamos preparando na reunião dos Bispos, em Aparecida, há trezentos pastores buscando uma linha de ação comum a todos. Até chegar a um texto único há muito debate. Depois, tudo é votado, parágrafo por parágrafo. No final podemos dizer que se trata realmente de um documento que expressa o pensamento de todos.

No quarto domingo da Páscoa – dia 15 de maio – celebramos o dia do Bom Pastor. É a ele que queremos ouvir, nas palavras aprovadas das Diretrizes. Que ele nos dê ouvidos de discípulo, e coragem de profeta, para mantermos a fidelidade ao seu ensinamento, conscientes de que as modas passam, sua Palavra é que permanece.

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