2011 será um Ano Bom?

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As festas de fim de ano renovam nossas esperanças. Para nós, cristãos, é o Natal que traz a boa notícia da vinda de Deus e, por conseqüência, nos renova. Para outros, que não vivem à luz da fé, são os videntes, os bruxos, as sortes e uma infinidade de crendices. Há também os bons propósitos de começo de ano. Quase sempre não funcionam, mas os repetimos como se, dessa vez, fosse pra valer.

Bons propósitos

Mas, de fato, o que é que faz o ano novo ser bom? Você pode fazer uma lista de situações que deverão mudar, por exemplo: vai ser bom se…eu conseguir aquele emprego; se…eu largar esse vício; se… o meu cunhado parar de encher; se… (essa lista pode ser infinda).

É bom, de início, saber o que se quer mudar. Mas não é isso que faz o ano ser bom, principalmente quando o bom depende dos outros, depende do mundo, depende da sorte. Precisamos de algo mais sólido para garantir a bondade do ano que entra. E o que há de ser mais sólido que o próprio Deus, aquele que “só ele é Bom”, aquele que é “minha rocha”, como diz o Salmo. Ancorado nEle, eu posso lidar até com essas circunstâncias adversas que estão ao meu redor e dialogar com elas e, se for o caso, transformá-las. São elas a minha oportunidade de vencer. Em resumo, o que faz o ano ser bom é uma fé bem esclarecida, que nos coloca em ação, para construir o bem.

Meus projetos, nossos projetos

Nosso Ano Bom será, de fato, bom se aprendermos a sonhar juntos: não é o meu emprego, a minha saúde, a minha vida, o meu bolso que importam para o ano ser bom. Começamos a crescer quando sonhamos juntos com um país melhor, com uma cidade mais acolhedora, com uma comunidade mais viva, uma família harmoniosa. É bom quando fazemos projetos em comum. Hoje o mundo nos empurra para o projeto individual, para a concorrência, para buscar a satisfação do nosso próprio ego, que vai ficando cada vez mais inchado, mais solitário e infeliz, mesmo quando cercado de gente. O ser humano é feito para a comunhão, e somente na convivência, na amizade, no dom de si, é que se encontra verdadeira realização. Um ano bom, não depende da sorte, mas do cultivo deste espírito de comunhão.

E para a nossa Igreja, o que desejamos?

No início de cada ano, nossa diocese faz uma revisão e planejamento. Em fevereiro próximo, dia 19, teremos a X Assembléia Diocesana, na Casa de Formação. Os Conselhos Paroquiais já estão fazendo uma ampla revisão e se preparando para projetar o Ano Bom que queremos. Em conversa com os padres, na última reunião do ano, também eu apresentei alguns propósitos, para trabalharmos juntos, independentemente das prioridades e propostas da Assembléia. São insistências da Igreja, pelas quais devemos investir esforços, recursos e abraçar com esforço especial. E partilho como você, leitor do Estrela, para que acompanhe, participe e com todas as forças, ajude a acontecer:

a) O Ano da Palavra – O ano de 2011 será bom, se for ocasião de uma proximidade maior com a Palavra de Deus. É ocasião de renovar os nossos Grupos de Reflexão Permanentes (GRPs). Temos um grande incentivo para isso, com a publicação da última Exortação Apostólica “Verbum Domini”, do Papa Bento. Já falei dela, no último Estrela, para que todos possam ter uma ideia da riqueza desse documento. (vejam resumo na página 13).Estamos planejando colocar no Estrela Matutina, a partir da Quaresma, uma folha todo mês, com roteiros de encontros bíblicos,  para ser destacada e levada nos grupos. Será bom instituir um “Dia da Palavra”, como acontece em muitos lugares, para os encontros com a Palavra de Deus, a partir desses roteiros. Devemos ainda superar as dificuldades na distribuição do Estrela, que por vezes chega às comunidades depois que o mês já passou. Como resolver essa questão? Quem vem para a cidade poderia pegar os jornais da Capela para os grupos que lá se reúnem? Cada paróquia deverá preparar os que vão conduzir os grupos, com uma boa experiência da Leitura Orante da Bíblia.

b) Investimento no campo da Formação – O ano de 2011 será bom, se houver uma dedicação especial à Formação dos leigos. O mundo exige cada vez mais dos leigos a convicção e profundidade na vida cristã. A transmissão da fé para as gerações seguintes sofre perigo, e as agressões diretas ao Evangelho e à Igreja são cada vez mais fortes. A competição com os meios de comunicação, que destroem valores, é descomunal. Temos que encontrar tempo, formas e meios de oferecer e motivar os leigos a uma instrução mais profunda. É necessário investir recursos. Algumas paróquias já vêm caminhando nessa direção. A Catequese Regional resolveu investir, planejando uma formação especial para os catequistas, por meio de “Escolas Paroquiais Bíblico-Catequéticas” Em nossa diocese teremos 15 núcleos de Formação para Catequistas, em funcionamento. Seria bom que fizéssemos o mesmo para os MECE, para lideranças, para os Movimentos, as Famílias e outras áreas. O nosso Curso de Teologia para Leigos continua sendo um forte impulso na vida cristã para muitos.

c) Missões, visitas e encontros domésticos – O Ano de 2011 será, de fato, bom se avançarmos nas múltiplas possibilidades do revigoramento missionário que a Igreja nos propõe. A fé cristã não se vive apenas na Igreja, mas deve invadir todos os espaços da vida quotidiana. Vamos aproveitar os impulsos da Missão Diocesana para continuar nas paróquias a prática da visitação nas comunidades. O mesmo ocorre com as Missões realizadas pelos religiosos, Saletinos, Capuchinhos, que renovam as comunidades. Visitar é evangelizar, é criar comunhão. Por isso devem se tornar a prática do dia a dia da nossa ação evangelizadora. Os padres devem visitar sistematicamente as famílias, juntamente com os leigos. A vida urbana nos empurra para os esconderijos do individualismo e da solidão. As visitas estimulam o testemunho e a comunhão.

São sugestões para cultivar um Ano Bom. Cultivar é palavra certa, pois, um ano novo feliz não depende de sorte, mas de cultivo, assim como um jardim bonito não depende só de sol e de chuva. Um belo jardim exige o esforço de planejar, semear, podar, limpar, combater as pragas. Mas o crescimento é de Deus. Feliz 2011!

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