Palavra que Renova

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Assembléia do Povo de Deus do Paraná revê suas Diretrizes e repropõe a Iniciação à vida Cristã, iluminada pela Palavra, como caminho de renovação paroquial


Eu já estava com uma outra página pronta para o Estrela este mês, mas deixo para o mês que vem, e passo a apresentar resumidamente o que foi o assunto de nossa Assembléia do Povo de Deus deste final de setembro, encontro realizado na cidade de Francisco Beltrão, com as lideranças das dioceses do nosso Estado do Paraná. O que vimos foi um relato das dioceses de como foram acolhidas as Diretrizes do Regional, quais as dificuldades encontradas, especialmente quanto à prioridade fixada há dois anos: a Renovação das Paróquias. E a partir dessa revisão, uma nova proposta foi formulada, desta vez mais amadurecida, e já iluminada pelos avanços e tropeços desses dois anos de intenso trabalho nas dioceses. Uma visão geral da Assembléia do Povo de Deus, podem ser de grande proveito para os nossos leitores do Estrela Matutina, para reflexão pessoal ou em grupos, nos conselhos, coordenações e nos encontros de grupos.

Recordando o caminho feito

Sob o impacto da Conferência de Aparecida, que aconteceu em 2007,  e das Diretrizes da CNBB para 2008 a 2010, a Igreja do Paraná abraçou como prioridade, há dois anos, a Renovação Paroquial, dando pistas para que as nossas paróquias se tornassem mais missionárias. Você, leitor do Estrela Matutina, pode perceber quais os caminhos que a nossa diocese tomou:

  • As paróquias renovaram os Conselhos Paroquiais, que passaram a se chamar Conselhos Paroquiais da Ação Evangelizadora. Muitas nem tinham Conselho, ou não funcionavam bem. Todas passaram a dar importância ao CPAE nas decisões comunitárias.
  • O Documento de Aparecida passou a ser estudado, juntamente com as Diretrizes, pelos padres, nos setores, e pelos leigos, nos conselhos, movimentos e grupos paroquiais.
  • A Equipe Missionária Diocesana começou a estudar uma proposta adequada à nossa realidade, preparou os primeiros missionários e deu início ao itinerário missionário nas Paróquias. Algumas paróquias deram passos concretos na linha missionária, incluindo a formação de leigos, visitação, introdução da Infância e Adolescência Missionária, entre outras iniciativas.
  • A Pastoral Familiar começou pelo estudo das Diretrizes e tem marcado presença nas paróquias, nas celebrações da Semana da Família e outras ocasiões. O Encontro de Casais com Cristo foi implantado em diversas paróquias. Há um esforço de repensar e melhorar os Encontros de Noivos e Batismo, e começa a preparação para acolher os casais em segunda união.
  • Alguns movimentos e grupos adotaram o modo da Leitura Orante da Bíblia e já percebem os frutos dessa prática.
  • O Estatuto das Comunidades começou a ser  inteiramente renovado e está quase pronta a nova versão, além do Diretório dos Sacramentos que está sendo elaborado.

Há outros tantos pontos de renovação que aconteceram nestes dois anos. Cito apenas estes, por estarem mais ligados às “pistas” de ação evangelizadora do Regional Sul II. Estes, contudo, já demonstram que grandes passos estão sendo dados na linha da renovação paroquial. O que falta?

O que poderia ser melhor

“A afirmação mais clara e insistente desta última Assembléia, é de que não acontecerá renovação alguma nas nossas paróquias, sem uma aproximação intensa, orante e definitiva com Jesus Cristo e sua Palavra.”

Tivemos também dificuldades, especialmente nas áreas de Iniciação à Vida Cristã e Grupos de Reflexão. A Iniciação à Vida Cristã, que foi o tema da XXX Assembléia do Povo de Deus (2009), grande bandeira do Ano Catequético, ainda não foi assimilada na maioria das dioceses. Os pequenos grupos que o Documento de Aparecida propõe, para que a Paróquia se torne uma “rede de comunidades”, foi assunto da nossa Assembléia Diocesana de 2009, ficou para ser melhor estudada, pois não havia clareza de como deveriam ser. Faz-se necessária uma mudança de mentalidade dos agentes de pastoral, do clero, do povo cristão. E isso acontece aos poucos. Há que preparar o terreno, colocar a semente, esperar e confiar no Espírito Santo, que é ele que conduz a nossa Igreja. É o sopro do Espírito que está nas palavras do Documento de Aparecida pedindo para empreendermos o caminho missionário. A catequese do Brasil sugere que se faça a experiência de formar discípulos através do itinerário da Iniciação.  A Igreja do Paraná vem agora dizer que a força unificadora para levar adiante a renovação paroquial é a Palavra de Deus, que nos coloca em contato direto com Jesus Cristo. A afirmação mais clara e insistente desta última Assembléia, é de que não acontecerá renovação alguma nas nossas paróquias, sem uma aproximação intensa, orante e definitiva com Jesus Cristo e sua Palavra. Se abrimos caminho para a Palavra, vivida e transformada em oração, se nos tornamos de fato discípulos da Palavra, a renovação pastoral virá. Caso contrário será apenas mais um plano de estratégias e métodos, desses que vêm e depois desaparecem como fumaça.

Vamos pensar juntos

Temos que ir amadurecendo as idéias, preparando o terreno para a nossa próxima Assembléia Diocesana, que vai acontecer no início do próximo ano, e que deverá medir-se com as conclusões de Francisco Beltrão. Daí a importância de começarmos desde já a colher sugestões, conversar em nossos conselhos, trocar idéias nos movimentos e grupos de pastoral. Sugiro aqui alguns pontos para essa troca de idéias:

1.      A Bíblia – Além das leituras ouvidas nas missas e cultos dominicais, quais as ocasiões de contato coma Palavra de Deus que acontecem na comunidade local? Você já participou de algum curso bíblico promovido regularmente pela paróquia ou por algum movimento? Quem quer conhecer mais a Bíblia encontra na Paróquia o que procura? As equipes de pastoral, os movimentos, têm a Bíblia como livro de orientação e oração, para iluminar suas atividades? Os Grupos de Reflexão Permanentes são acompanhados na sua paróquia? Contam com incentivo? Como podem ser multiplicados e alimentados? Há pessoas habilitadas para orientar esses grupos? Como fazer chegar a Bíblia até os mais pobres, para os quais o preço é inacessível e a leitura é difícil? Os adolescentes e jovens que terminam a catequese, continuam a ter contato com a Bíblia? Que caminhos podemos abrir para que os fiéis cheguem ao alimento da Palavra de Deus?

2.      A Iniciação – O itinerário da Iniciação à Vida Cristã foi assunto do Estrela Matutina de outubro de 2009. Depois disso foi tema de palestras, estudo dos Catequistas, quem sabe tema de leituras e entrevistas nas revistas cristãs e nas TVs católicas. Você sabe o que é iniciação? Sua comunidade tem atividades que levam a uma verdadeira experiência de encontro com Jesus Cristo vivo, a uma paixão pelo Reino de Deus? Quais são essas experiências e quais os resultados?. Precisam de iniciação ao Mistério de Cristo não só os que ainda não ouviram falar dele, mas também aqueles que já receberam os sacramentos, mas vivem sua sem entusiasmo e sem compromisso de discípulos. É preciso reavivar o dom do encontro com Cristo vivo. Por onde começar? Que caminhos podem nos levar a essa iniciação de toda a comunidade paroquial?

3.      Conversão pastoral – O Documento de Aparecida (DA,365ss), chama de “conversão pastoral” a decisão corajosa de abandonar aquilo que não favorece a transmissão da fé, dedicando espaços e recursos a novas formas de evangelizar. O que precisaria ser abandonado? Que novas formas de evangelização podem ser propostas?

4. Soma e divisão – Há uma percepção generalizada de que as pastorais, os movimentos de espiritualidade, os diversos segmentos das comunidades paróquiais não atuam articulados, como uma família, mas isoladamente, como se cada um cuidasse só do seu pequeno canteiro. Isso enfraquece a vida comunitária e até pode ser fonte de tensões e conflitos. Se existe esta divisão, quais as razões?  Que ações favorecem a superação dessa dificuldade?

5. Formação – Vivemos em tempos de rápidas mudanças. Impossível acompanhá-las sem uma permanente formação pessoal e comunitária. Todos sabem que a formação exige um tempo de que não dispomos, recursos que não temos suficientes, pessoas preparadas, que são raras e muito ocupadas. Tudo isso levado em conta, não podemos viver sem ela. Sua comunidade oferece oportunidade de formação?  Reserva recursos pra isso? Oferece, mas não há pessoas interessadas? Que fazer para tornar mais sólido o conhecimento e o compromisso com a fé?

Nas últimas edições do Estrela, tenho deixado inúmeras perguntas em aberto, nem sempre fáceis de encontrar respostas, concordo. Podem até deixar uma sensação de incerteza e desconforto. Mas podem provocar-nos a tentar novas estradas, sem medo e sem desânimo. Confio nisso, e também naquele que disse: “Eu estou convosco todos os dias (Mt 28,20)”. Portanto a sua Palavra não é para nós uma lembrança do passado. Ele nos convoca hoje. E essa Palavra deverá nos mover para a renovação que buscamos.

Dom João Bosco Barbosa de Sousa, O.F.M.
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br

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